30 de julho de 2008

Somos o que pensamos

Em uma frase bem conhecida, Buda disse: "o ódio jamais pode cessar com ódio. O ódio só pode cessar com amor. Esta é uma lei eterna".
Podemos começar a transcender o ciclo de aversão quando conseguimos parar de ver a nós mesmos, pessoalmente, como agentes da vingança. No final, todos os seres são os donos de seu próprio carma. Se alguém causou dano, irá sofrer. Se causamos dano, iremos sofrer. Como o Buda disse no Dhammapada: "somos o que pensamos".
Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o mundo. Fale ou aja com uma mente impura e problemas te seguirão assim como a roda segue o boi que puxa a carroça. ... Fale ou aja com uma mente pura e a felicidade vai te seguir como sua sombra, imperturbável. Felicidade e tristeza dependem de nossas ações.

Sharon Salzberg, em "Lovingkindness".

"Nós somos o que pensamos". Nos lembra o "penso, logo existo" (Cogito, ergo sum) num sentido mais espiritual e menos cartesiano. E ainda disse o porquê: quando nossos pensamentos estão elevados, obviamente nos conectamos com as egrégoras superiores, e a captação de energia vital (que fazemos a toda hora, através dos chakras) se dá de forma mais pura. E o cérebro acaba produzindo, de forma sutilizada, fótons, que nada mais é que luz. Isso se dá porque, quanto maior a vibração (velocidade), mais a matéria se aproxima da luz (física elementar). Essa luz, que não está em nosso estado físico, se irradia pelo corpo, corrigindo distorções e fortalecendo as defesas do organismo. Ele comparou esse fenômeno a uma barra de ferro, com seus átomos bagunçados, dispostos em várias direções, que, ao passar nele uma corrente elétrica, alinha todos os seus átomos num único sentido.
Em contrapartida, o pensamento negativo, depressivo, além de atrair energias semelhantes, faz o cérebro produzir elétrons. Tais elétrons se espalham pelo corpo e desestabilizam o que já era eletricamente harmonioso por natureza. Hoje se sabe que o princípio do câncer está nos radicais livres, que são "sobras" de elétrons que se agregam a outras moléculas, tirando-as da sua carga elétrica normal. Isso provoca velhice precoce também. Diz-se que vitamina C é ótimo pra evitar radicais livres, mas o melhor mesmo é um estado mental saudável.
Isso não quer dizer que nos tornaremos Polianas, vendo beleza em tudo (muito embora deveríamos), mas sim vigiar nossos pensamentos todo o tempo, e evitar alimentar pensamentos negativos até como forma de auto-sobrevivência. O poder do pensamento explica o porque de nos livros espíritas encontrarmos almas moldadas em forma antropomórfica. Se uma pessoa sente culpa ou orgulho no fato de ser "esperto como uma raposa", ou "perigoso como uma cobra", ao longo do tempo o pensamento inconsciente imanta magneticamente as células do perispírito, que, por serem maleáveis, assumem qualquer forma que o pensamento queira. Essas acabam carregando este estigma na sua veste espiritual por muito tempo.


comentários extraídos de http://www.saindodamatrix.com.br/

28 de julho de 2008

Samsara

Por Thanissaro Bhikkhu

Samsara é uma palavra sânscrita que vem da combinação de Samsa (ilusão) e Ra (movimento). É a ilusão em movimento, representada de forma cíclica. Tem também o sentido de "perambulação". Muitas pessoas pensam que esse é o nome Budista para o lugar em que vivemos no momento - o lugar que abandonamos quando vamos para nibbana (nirvana). Mas nos textos Budistas mais antigos samsara é a resposta, não para a pergunta "Onde nós estamos?", mas para a pergunta "O que estamos fazendo?" Ao invés de um lugar, é um processo: a tendência de ficar criando mundos e depois se mudando para dentro deles. À medida que um mundo se desintegra, você cria um outro e lá se instala. Ao mesmo tempo, você dá de cara com outras pessoas que também estão criando os seus próprios mundos.
O jogo e a criatividade desse processo pode algumas vezes ser prazeroso. Na verdade, isso seria perfeitamente inócuo se não causasse tanto sofrimento. Os mundos que criamos insistem em desmoronar e nos matar. Mudar para um novo mundo requer esforço: não somente as dores e riscos do nascimento, mas também os severos golpes - mentais e físicos - que resultam ao passar da infância para a maioridade repetidas vezes. O Buda certa vez perguntou aos seus monges, "O que vocês acham que é maior: a água nos grandes oceanos ou as lágrimas que vocês derramaram nessa perambulação?" A resposta dele: as lágrimas. Pense nisso na próxima vez que estiver mirando o oceano ou brincando nas suas ondas.
Além de criar sofrimento para nós mesmos, os mundos que criamos se alimentam dos mundos dos outros, da mesma forma como o deles se alimenta do nosso. Em alguns casos essa alimentação pode ser prazerosa e benéfica para ambos, mas mesmo nesse caso essa situação terá um fim. De modo mais típico, ela irá causar dano a pelo menos uma das partes na relação, com freqüência a ambas. Quando você pensa em todo o sofrimento incorrido para manter apenas uma pessoa vestida, alimentada, abrigada e saudável - o sofrimento tanto daqueles que têm que pagar por essas necessidades, bem como daqueles que labutam ou morrem na sua produção - você verá o quão explorador pode ser mesmo o mais rudimentar processo de construção de mundos.
É por isso que o Buda tentou encontrar o caminho para parar essa 'samsar-ização'. E uma vez que ele o encontrou, ele encorajou outros a segui-lo também. Porque a 'samsar-ização' é algo que cada um de nós faz e cada um tem que parar isso por si mesmo. Se samsara fosse um lugar, poderia parecer egoísta que uma pessoa buscasse a escapatória, deixando os outros para trás. Mas quando você compreende que é um processo, não há de modo algum nada de egoísta em dar-lhe um fim. É o mesmo que abandonar um vício ou um hábito abusivo. Quando você aprende as habilidades necessárias para parar de criar os seus próprios mundos de sofrimento, você poderá compartir essas habilidades com os outros para que eles possam parar de criar os deles. Ao mesmo tempo, você nunca mais terá que se alimentar dos mundos dos outros, portanto, você estará reduzindo o fardo deles também.
É verdade que o Buda comparava a prática de parar o samsara ao ato de ir de um lugar ao outro: desta margem de um rio para a outra margem. Mas os trechos nos quais ele faz essa comparação, com freqüência concluem com um paradoxo: a outra margem não possui um "aqui," nem um "ali," nem um "no meio". Sob essa perspectiva, é óbvio que os parâmetros de tempo e espaço do samsara não se referem ao contexto preexistente no qual perambulamos. Eles são os resultados da nossa perambulação.
Para alguém viciado em construir mundos, a ausência de parâmetros conhecidos soa perturbadora. Mas se você estiver cansado de criar sofrimento incessante e desnecessário, talvez queira tentar algo novo. Afinal, você vai sempre poder recomeçar a construir se a falta de "aqui" ou "ali" resultar maçante. Mas dentre aqueles que aprenderam como romper esse hábito, ninguém se sentiu mais tentado a 'samsar-izar' outra vez.

24 de julho de 2008

Tao Te Ching - Verso 22

Aquele que conhece o outro é sábio.
Aquele que conhece a si mesmo é iluminado.
Aquele que vence o outro é forte.
Aquele que vence a si mesmo é poderoso.
Aquele que conhece a alegria é rico.
Aquele que conserva o seu caminho tem vontade.

Seja humilde, e permanecerás íntegro.
Curva-te, e permanecerás ereto.
Esvazia-te, e permanecerás repleto.
Gasta-te, e permanecerás novo.

O sábio não se exibe, e por isso brilha.
Ele não se faz notar, e por isso é notado.
Ele não se elogia, e por isso tem mérito.
E, porque não está competindo,
ninguém no mundo pode competir com ele.

(Lao Tsé)