28 de outubro de 2011

O Nascimento da Mente Global

por Tim O’Reilly em artigo para o Financial Times

A melhor simbiose entre o homem e o computador é quando o programa aprende com os humanos mas vê coisas que ele não veria Consciência global. Nós já ouvimos isso antes. Nos anos 60, nós todos iríamos estar misticamente conectados, ou iría ser uma máquina super-inteligente – a skynet do Exterminador do futuro – que seria inimiga da humanidade. Mas e se a realidade é mais mundana?

O cientista de computação Danny Hillis uma vez disse: “A consciência global é responsável pela tomada de decisão das embalagens de café decafeinado serem laranjas.” E claro, o mecanismo pelo qual a cor se tornou um quase-universal símbolo para o café decafeinado nos EUA é exatamente o mesmo pelo qual centenas de milhões de pessoas tem compartilhado conhecimento de Lady Gaga, Newton, Einstein e Darwin, e, por essa razão, de muitas outras coisas verdadeiras e falsas.

O que é diferente hoje, entretanto, é a velocidade na qual o conhecimento propaga. Notícias, entretenimento e opiniões se espalham pelas redes sociais, websites e mecanismos de busca em um processo gradativamente indo perto do real-time. Essas coisas que surgem no topo estão sendo decididas não pelos executivos de mídia mas pela sua força viral.

Alguém pode dizer que isso são os mesmo que governam o mecanismo de capturar e retransmitir conhecimento humano que tem dirigido o avanço da civilização. Mas mesmo como o avanço do alfabetismo e do livro impresso nos levou a era moderna, a aumentada capacidade de transmissão de conhecimento usando as redes eletrônicas está nos levando a um futuro bastante diferente.

A web é um perfeito exemplo do que o engenheiro e cientista da computação Vannegar Bush chamou de “Aumentamento da Inteligência” (“intelligence augmentation”) por computadores, em seu artigo de 1945 “As We May Think” no jornal The Atlantic. Ele descreve um futuro onde a habilidade humana de seguir uma trilha de conhecimento associativo iria ser possibilitada por um aparelho chamado “the memex”. Isto iria aumentar a memoria humana para a lembrança com maior precisão. O Google nos dias de hoje se tornou este “memex”.

A web tem também demonstrado é o que JCR Licklider, outro visionário do início da computação, chamou de “simbiose homem-máquina”. Os humanos criam documentos que fazem a web e provêm as ligações (links) entre elas. Os mecanismos de buscas seguem estas trilhas, avaliam os caminhos mais fortes, e mostram o caminho para outros do que achou. Quando os algoritmos para achar o documento “certo” se aprimoram, nós ficamos mais espertos e quando os “spammers” e outros “malware” superam os algoritimos, nós ficamos mais burros.

A simbiose homem-máquina não é apenas sobre a recuperação de conhecimento, é também sobre a criação de conhecimento. Nossos computadores não tem inteligência sem nós, mas eles aceleram nossa inteligência coletiva a uma velocidade que nunca vista antes.

Quando a web se faz móvel, ainda mais coisas interessantes começam a acontecer. Um humano com um smartphone pode literalmente ver “around corners” e pelo tempo. E mais, nossos fones são olhos e ouvidos do que está começando a parecer como uma mente global. Fotos são automaticamente enviadas para os bancos de dados na nuvem, cada um categorizado com sua localização e o horário que foram tirados. Aplicativos como o Shazam pode ouvir uma música e nos dizer quem está cantando. O som ambiente de uma sala pode ser usado para localizar sua localização.

Para entender o que a combinação de sensores móveis, bases de dados na nuvem e algoritmos de computador aumentados pela ação humana é capaz de fazer, considere um carro que dirige automáticamente sem motorista. Stanley, um carro assim, venceu o prêmio do desafio US Darpa (Defense Afavanced Research Projects Agency) em 2005 ao navegar por um caminho de 7 milhas em um pouco menos de sete horas. Ano passado, o google demonstrou um veículo automático que dirigiou por mais de 100.000 milhas em tráfego normal. A diferença: o Stanley usou algoritimos de inteligência artificial e o carro do Google usou a memória aumentanda de milhões de milhas de estrada inseridas por motoristas humanos que construíram a base de dados do Google StreetView. Estes carros gravaram incontáveis detalhes – a localização de semáforos, obstáculos e até qualidade da superfície.

Isso é a simbiose homem-computador no seu melhor, quando o programa de computador aprende pela atividade de professores humanos e seus sensores notam e lembram de coisas que seres humanos não seriam capazes. Este é o futuro: uma quantidade massiva de dados criados pelas pessoas, estocados em aplicações na nuvem que usam algoritmos inteligentes para extrair significado disso, alimentando de volta resultados dessas pessoas em equipamentos móveis, gradualmente gerando aplicações que emulam o que elas aprenderam dos “feedback loops” entre essas pessoas e seus aparelhos.

No melhor dos casos, nós podemos ver a simbiose criativa entre o homem e a máquina. Entretanto, é fácil de se ter um balanço errado: podemos simplesmente olhar para os excessos dos mercados financeiros da última década e ver o risco de algoritmos saindo de controle nas mãos de empresas e indivíduos procurando apenas sua própria vantagem.

A mente global está ainda em sua infância. Nós podemos fazê-la para ajudar a construir um mundo melhor, ou nós podemos fazê-la para ser egoísta, injusta e de curto-prazo em sua maneira de enxergar.

O autor e designer Edwin Schlossberg disse um dia, “A capacidade de escrever cria um contexto no qual outras pessoas possam pensar”. Este é um ótimo momento para pensar profundamente sobre o futuro. Ele está cada dia mais nas mãos dos computadores para aumentar a efetividade – e as escolhas – daqueles que o usam. O grande desafio do século 21 irá ser ensiná-lo a diferenciar o certo do errado.

fonte: jornaldoempreendedor.com.br

14 de outubro de 2011

As Egrégoras

“Pois onde se acham dois ou três reunidos
em meu nome, aí estou eu no meio deles.”
Mateus 18:20

Egrégora, ou egrégoro para outros, (do grego egrêgorein, Velar, vigiar) designa a força gerada pelo somatório de energias físicas, emocionais e mentais de duas ou mais pessoas, quando se reúnem com qualquer finalidade. Todos os agrupamentos humanos possuem suas egrégoras características: todas as empresas, clubes, religiões, famílias, partidos, etc.

Egrégora é como um filho coletivo, produzido pela interação "genética" das diferentes pessoas envolvidas. Se não conhecermos o fenômeno, as egrégoras vão sendo criadas a esmo e os seus criadores tornam-se logo seus servos já que são induzidos a pensar e agir sempre na direção dos vetores que caracterizaram a criação dessas entidades gregárias. Serão tanto mais escravos quanto menos conscientes estiverem do processo. Se conhecermos sua existência e as leis naturais que as regem, tornamo-nos senhores dessas forças colossais.

Por axioma, um ser humano nunca vence a influência de uma egrégora caso se oponha frontalmente a ela. A razão é simples. Uma pessoa, por mais forte que seja, permanece uma só. A egrégora acumula a energia de várias, incluindo a dessa própria pessoa forte. Assim, quanto mais poderoso for o indivíduo, mais força estará emprestando à egrégora para que ela incorpore às dos demais e o domine.

A egrégora se realimenta das mesmas emoções que a criaram. Como ser vivo, não quer morrer e cobra o alimento aos seus genitores, induzindo-os a produzir, repetidamente, as mesmas emoções. Assim, a egrégora gerada por sentimentos de revolta e ódio, exige mais revolta e ódio. No caso dos partidos ou facções extremistas, por exemplo, são os intermináveis atentados. No das revoluções, freqüentemente, os primeiros líderes revolucionários a alcançar o poder passam de heróis a traidores. Terminam os seus dias exatamente como aqueles que acabaram de destronar (segundo Richelieu, ser ou não ser um traidor, é uma questão de datas).

Já a egrégora criada com intenções saudáveis, tende a induzir seus membros a continuar sendo saudáveis. A egrégora de felicidade, procura "obrigar" seus amos a permanecer sendo felizes. Dessa forma, vale aqui a questão: quem domina a quem? Conhecendo as leis naturais, você canaliza forças tremendas, como o curso de um rio, e as utiliza em seu benefício.

A única maneira de vencer a influência da egrégora é não se opor frontalmente a ela. Para tanto é preciso ter Iniciação, estudo e conhecimento suficiente sobre o fenômeno. Como sempre, as medidas preventivas são melhores do que as corretivas. Portanto, ao invés de querer mudar as características de uma determinada egrégora, o melhor é só gerar ou associar-se a egrégoras positivas. Nesse caso, sua vida passaria a fluir como uma embarcação a favor da correnteza. Isso é fácil de se conseguir. Se a egrégora é produzida por grupos de pessoas, basta você se aproximar e freqüentar as pessoas certas: gente feliz, descomplicada, saudável, de bom caráter, boa índole. Mas também com fibra, dinamismo e capacidade de realização; sem vícios nem mentiras, sem preguiça ou morbidez. O difícil é diagnosticar tais atributos antes de se relacionar com elas.

Uma vez obtido o grupo ideal, todas as egrégoras geradas ou nas quais você penetre, vão induzi-lo à saúde, ao sucesso, à harmonia e à felicidade.

Os antigos consideravam a egrégora um ser vivo, com força e vontade próprias, geradas a partir dos seus criadores ou alimentadores, porém independente das de cada um deles. Para vencê-la ou modificá-la, seria necessário que todos os genitores ou mantenedores o quisessem e atuassem nesse sentido. Acontece que, como cada um individualmente está sob sua influência, praticamente nunca se consegue superá-la.

Se você ocupa uma posição de liderança na empresa, família, clube, etc., terá uma arma poderosa para corrigir o curso de uma egrégora. Poderá afastar os indivíduos mais fracos, mais influenciáveis pelos condicionamentos impostos pela egrégora e que oponham mais resistência às mudanças eventualmente propostas. É uma solução drástica, sempre dolorosa, mas às vezes imprescindível.

Se, entretanto, você não ocupa posição de liderança, o mais aconselhável é seguir o ditado da sabedoria popular: os incomodados que se mudem. Ou seja, saia da egrégora, afastando-se do grupo e de cada indivíduo pertencente a ele. Isso poderá não ser muito fácil, mas é a melhor solução.


Outro fator fundamental neste estudo é o da incompatibilidade entre egrégoras. Como todo ser humano está sujeito a conviver com a influência de algumas centenas de egrégoras, a arte de viver consiste em só manter no seu espaço vital egrégoras compatíveis. Sendo elas, forças grupais, um indivíduo será sempre o elo mais fraco. Se estiverem em dessintonia umas com as outras, geram um campo de força de repulsão e se você está no seu comprimento de onda, ao repelirem-se mutuamente, elas rasgam-no ao meio, energeticamente. Dilaceram suas energias, como se você estivesse sofrendo o suplício do esquartejamento, com um cavalo amarrado em cada braço e em cada perna, correndo em direções opostas.

Esse esquartejamento traduz-se por sintomas, tais como ansiedade, depressão, nervosismo, agitação, insatisfação ou solidão. Num nível mais agravado, surgem problemas na vida particular, familiar, afetiva, profissional e financeira, pois o indivíduo está disperso e não centrado. No grau seguinte, surgem neuroses, fobias, paranóias, psicopatologias diversas, que todos percebem, menos o mesclante. Finalmente, suas energias entram em colapso e surgem somatizações concretas de enfermidades físicas, das quais, uma das mais comuns é o câncer.

Isso tudo, sem mencionar o fato de que duas ou mais correntes de aperfeiçoamento pessoal, se atuarem simultaneamente sobre o mesmo indivíduo, podem romper seus chakras, já que cada qual induz movimento em velocidades, ritmos e até sentidos diferentes nos seus centros de força.

Com relação à compatibilidade, há algumas regras precisas, das quais pode ser mencionada aqui a seguinte: as egrégoras semelhantes são incompatíveis na razão direta da sua semelhança; as diferentes são compatíveis na razão direta da sua dessemelhança. Você imaginava o contrário, não é?

Todo o mundo se engana ao pensar que as semelhantes são compatíveis e ao tentar a coexistência de forças antagônicas, as quais terminam por destruir o estulto que o intentara.

Quer um exemplo da regra acima? Imagine que um homem normal tenha uma egrégora de família, uma de profissão, uma de religião, uma de partido político, uma de clube de futebol, uma de raça, uma de país e assim sucessivamente. Como são diferentes entre si, conseguem coexistir sem problemas. Aquele homem poderia ter qualquer profissão e qualquer partido político, torcer por qualquer clube e freqüentar qualquer igreja.

Agora imagine o outro caso. Esse mesmo homem resolve ter duas famílias, torcer para vários clubes de futebol, pertencer a partidos políticos de direita e de esquerda ao mesmo tempo, exercer a medicina e a advocacia simultaneamente e ser católico aos domingos, protestante às segundas e judeu aos sábados! Convenhamos que a pessoa em questão é psiquiatricamente desequilibrada. Não obstante, é o que muita gente faz quando se trata de seguir correntes de aperfeiçoamento interior: a maioria acha que não tem importância misturar aleatoriamente Yôga, tai-chi, rei-ki, macrobiótica, teosofia e quantas coisas mais se lhe cruzarem pela frente. Então, bom proveito na sua salada mista!

fonte: imagick.org.br

6 de outubro de 2011

Déjà vu

Déjà vu é uma expressão de origem francesa, que significa "já visto", mas possui muitas variações. O fenômeno começou a ser estudado no final do século XIX pelo cientista francês Emile Boirac.

O fenômeno é facilmente confundido com experiências precognitivas, aquelas onde você tem a sensação de saber exatamente o que vai acontecer e em seguida a situação acontece. Um déjà vu é experimentado durante o evento e não antes dele.

Alucinações causadas por drogas trazem um aumento de sensibilidade e são confundidas com déjà vu. Memórias irreais geradas pela esquizofrenia podem também ser confundidas com déjà vu. Diferentemente dos verdadeiros déjà vu, que duram de 10 a 30 segundos, essas memórias falsas podem durar muito mais tempo.

Há dois tipos de déjà vu:

Associativo: É o tipo mais comum de déjà vu, vivenciado por pessoas normais e saudáveis.Vemos, ouvimos, cheiramos ou experimentamos algo que desperta uma sensação que associamos com algo já vivenciado antes. Cientistas acham que esse tipo de déjà vu é uma experiência baseada na memória e que os centros de memória do cérebro são responsáveis por ele.

Biológico: Pessoas com epilepsia do lobo temporal costumam experimentar, um pouco antes de ter um ataque, uma forte sensação de déjà vu. Isso tem dado aos cientistas mais confiabilidade para estudar o déjà vu e eles têm sido capazes de identificar as áreas do cérebro onde esses tipos de sinais de déjà vu se originam. Entretanto, alguns cientistass acreditam que esse tipo de déjà vu é diferente do déjà vu associativo. A pessoa que o experimenta pode acreditar que já passou exatamente por aquela situação, ao invés de ter apenas uma breve sensação do fato.

O déjà vu ocorre em distúrbios psiquiátricos importantes como a ansiedade, depressão, distúrbios dissociativos e esquizofrenia.

O déjà vu é muito complicado de se estudar porque ocorre muito rapidamente, sem aviso e apenas em algumas pessoas, além de não apresentar manifestações ou sintomas externo. Por esse motivo, há poucas pesquisas confiáveis e nenhuma teoria comprovada. Os dados para os estudos de déjà vu dependem de descrições pessoais e lembranças.

Muitos pesquisadores ignoraram o déjà vu completamente devido à sua freqünte associação com experiências de vidas passadas, persepção extra-sensorial ou abduções alienígenas. Essas associações deixaram o estudo do déjà vu um pouco estigmatizado. Recentemente, os cientistas abandonaram algumas dessas associações e começaram a colocar a tecnologia de imagens cerebrais a seu serviço. Colocando o estudo do déjà vu dentro do estudo da memória, eles esperam descobrir mais sobre como as memórias são formadas, armazenadas e recuperadas.

Eles já determinaram que o lobo temporal médio está envolvido na nossa memória consciente. Dentro do lobo temporal médio há o giro parahipocampal, o rinencéfalo e a amígdala. John D.E. Gabrieli, da Stanford University, descobriu em 1997 que o hipocampo nos possibilita recordar os eventos conscientemente. Ele também descobriu que o giro parahipocampal nos possibilita determinar o que é familiar e o que não é (e isso sem acessar uma memória específica para o fato).

Como já foi dito, cerca de 70% das pessoas afirmaram que já tiveram déjà vu, mas ocorrências são mais altas em jovens entre 15 e 25 anos de idade. A idade superior varia entre os pesquisadores, mas a maioria concorda que as experiências de déjà vu diminuem com a idade. Há também relatos de maior ocorrência entre aqueles com renda mais alta, que viajam mais e com alto nível educacional. A imaginação ativa e a habilidade de recordar sonhos também têm sido algo comum entre pessoas que relatam experiências de déjà vu.

Alguns cientistas também relataram que quanto mais cansada ou estressada está a pessoa, maior a probabilidade de experimentar um déjà vu. Outros pesquisadores, contudo, descobriram exatamente o oposto. Eles relataram que quanto mais descansado e relaxado você está, maior a probabilidade de ter um déjà vu. Obviamente, ainda não se chegou a um acordo sobre muitas situações relacionadas ao déjà vu.

Uma descoberta relatada é que a pessoa que tem a mente mais aberta ou é politicamente mais liberal, tem maior possibilidade de experimentar um déjà vu. Contudo, isso também significa que quanto mais mente-aberta você é, mais provavelmente você falará de alguma coisa que possa ser encarada como "estranha", por exemplo, o déjà vu.

Teorias:


1. Atenção dividida

O Dr. Alan Brown vem tentando recriar um processo que ele acha ser similar ao déjà vu. Em estudos na Duke University e SMU, ele e a colega Elizabeth Marsh testaram a ideia da sugestão subliminar.

Os pesquisadores mostraram fotografias de vários lugares a um grupo de jovens, planejando perguntar a eles quais locais lhe eram familiares. Mas antes de mostrar aos jovens algumas das fotografias, eles projetaram instantaneamente as fotos em uma tela a velocidades subliminares (cerca de 10 a 20 milisegundos), tempo suficiente para o cérebro registrar a foto mas não suficiente para o aluno percebê-la conscientemente.

Nessas experiências, as imagens que tinham sido mostradas subliminarmente foram apontadas como sendo familiares em uma proporção muito maior do que as que não tinham sido mostradas, embora os estudantes que realmente estiveram naqueles locais tenham sido tirados do estudo. Larry Jacoby e Kevin Whitehouse, da Universidade de Washington, fizeram estudos similares usando listas de palavras e tiveram resultados parecidos.

Com base nessa idéia, Alan Brown propôs o que ele chamou de teoria do telefone celular (ou atenção dividida). Isso significa que, quando estamos distraídos com alguma outra coisa, captamos subliminarmente o que está ao nosso redor mas não registramos de modo consciente. Então, quando somos capazes de nos concentrar no que estamos fazendo, esses ambientes periféricos dão a sensação de já serem familiares para nós, mesmo quando não deveriam ser.

Com isso em mente, é lógico entender como podemos andar por uma casa pela primeira vez, talvez ao conversar com o dono da casa e ter um déjà vu. Poderia funcionar mais ou menos assim: antes de realmente olharmos para o local, nosso cérebro já o processou visualmente e/ou através do odor ou som, de modo que, quando realmente olhamos para ele temos a sensação de que já estivemos lá antes.

2. A teoria do holograma

O psiquiatra holandês Hermon Sno propôs a ideia de que as memórias são como hologramas, significando que você pode recriar a imagem tridimensional inteira a partir de qualquer fragmento do todo. Contudo, quanto menor o fragmento, mais confuso o quadro final. O déjà vu, segundo ele, acontece quando algum detalhe do ambiente onde estamos no momento (uma vista, som, odor, etc.) é similar a algum resquício de memória do nosso passado e o cérebro recria uma cena inteira a partir desse fragmento.

Outros pesquisadores também concordam que um pequeno fragmento de familiaridade pode estar semeado, criando a sensação de déjà vu. Por exemplo, você sai para dar uma volta com um amigo em um carro antigo ano 1964 e tem uma forte sensação de déjà vu, mas não chega a lembrar (ou nem mesmo está ciente do fato) que seu avô tinha o mesmo tipo de carro, e você está lembrando de quando andou nesse carro quando era bem pequeno. O cheiro, a aparência e a textura do assento ou do painel podem trazer de volta memórias que você nem sabia que existiam.

3. Processamento duplo (ou visão atrasada)

Outra teoria baseia-se no modo como nosso cérebro processa as informações novas e como ele as armazena em memórias de longo e curto prazo. Robert Efron testou uma ideia no Veterans Hospital de Boston, em 1963, que se mantém como uma teoria válida atualmente. Ele propôs que uma resposta neurológica atrasada causa o déjà vu. Como a informação entra nos centros de processamento do cérebro através de mais de uma via, é possível que ocasionalmente essa mistura de informações não ocorra em total sincronia.

Efron descobriu que o lobo temporal do hemisfério esquerdo do cérebro é responsável por classificar as informações que chegam. Ele descobriu também que o lobo temporal recebe duplicadas essas informações, que chegam com um leve atraso (de milissegundos) entre elas: a primeira vem diretamente e a outra passa primeiro pelo hemisfério direito do cérebro. Se essa segunda transmissão tem um atraso um pouco maior, o cérebro pode classificar de modo errado essa parte da informação e fazer seu registro como sendo uma memória passada, porque ela já foi processada. Isso poderia explicar o súbito senso de familiaridade.

4. "Memórias" de outras fontes

Essa teoria propõe que temos muitas memórias armazenadas que vem de diferentes aspectos da nossa vida, incluindo não apenas nossas próprias experiências mas também filmes e quadros que vimos, assim como livros que lemos. Podemos ter memórias muito fortes de fatos sobre os quais lemos ou vimos sem que realmente os tenhamos experimentado, e com o tempo essas memórias podem ser empurradas para o fundo da nossa mente. Quando vemos ou experimentamos algo muito similar a uma dessas memórias, podemos experimentar uma sensação de déjà vu.

Por exemplo, quando era criança você pode ter visto um filme com uma cena em um restaurante ou ponto turístico famoso. Então, quando você já adulto visita o mesmo local, sem lembrar-se do filme, o local parece ser muito familiar.

5. Sonhos precognitivos

Alguns pesquisadores acreditam que os sonhos precognitivos são a fonte de muitas experiências de déjà vu. J.W. Dunne, um engenheiro da aeronáutica que projetava aviões na Segunda Guerra Mundial, conduziu estudos em 1939 usando estudantes da Universidade de Oxford. Seus estudos descobriram que 12,7% dos temas dos sonhos tinham similaridades com eventos futuros. Estudos recentes, incluindo um realizado por Nancy Sondow, em 1988, apresentaram resultados similares de 10%.

Esses pesquisadores também juntaram evidências de sonhos precognitivos às experiências de déjà vu que ocorreram em algum ponto a partir daquele dia até oito anos depois. Tem-se perguntado por que as experiências propriamente ditas são normalmente de acontecimentos cotidianos banais. Uma explicação de Funkhouser é que algo mais marcante tem maior probabilidade de ser lembrado, tornando menos provável uma experiência de déjà vu.


Embora o déjà vu venha sendo estudado como fenômeno por mais de 100 anos e os pesquisadores tenham proposto várias teorias sobre sua causa, não há uma explicação simples para o que ele significa ou por que acontece. Talvez, à medida que a tecnologia avança e aprendemos mais sobre o funcionamento do cérebro, também aprendamos mais sobre por que experimentamos esse estranho fenômeno.

fonte: www.misteriosdomundo.com | pessoas.hsw.uol.com.br/deja-vu2.htm