28 de setembro de 2009

Trechos de Livros: O Espírito do Mal & A Entidade

Retirado do livro: O Espírito do Mal
de Willian Peter Blatty

Morte, não sejas orgulhosa, embora alguns te chamem de poderosa e terrível, pois tal não és. Pois não morrerão, pobre morte, aqueles a quem deves derrubar; nem a mim podes ainda matar. Do sono e repouso, que em tuas imagens existem, muito prazer se tira, muito mais de ti há de fluir, e nossos melhores homens em breve partirão, na tua companhia, os ossos descansando, as almas libertando!
São escravos do destino, acaso, reis e homens desesperados, convivem com o veneno, a guerra e a doença; as drogas e encantamentos podem nos fazer dormir tão bem, melhor que teu próprio golpe. Por que então temer? Um curto sono passa e despertamos na eternidade, a morte não mais existe: Morte, tu hás de morrer!

Toque-me. É tão fácil me deixar
Aqui sozinho com memória
Dos dias que passei ao sol.

Há uma doutrina escrita em segredo de que o homem é um prisioneiro que não tem o direito de abrir a porta e fugir; este é um mistério que não posso compreender. Contudo, acredito também que os deuses são nossos guardiões e que nós, homens, somos posses deles.
Platão

O maior acontecimento na história da Terra, agora ocorrendo, pode ser na verdade a descoberta gradativa, pelos que tem olhos para ver, não apenas de Alguma Coisa, mas de A Coisa, no ápice criado pela convergência do Universo evoluindo sobre si mesmo... há apenas um mal: a desunião.
Pierre Teilhard de Chardin

Trecho do livro: A Entidade
de Frank de Felitta

O tempo passa como o vento. Em determinado momento, somos jovens e temos medo do escuro; de uma hora para outra, somos adultos e a escuridão permanece conosco. Nenhum adulto conseguirá acalmar-nos com histórias e meias verdades. Não obstante, alguma vez saímos realmente dessa escuridão? Em algum instante somos realmente livres?

24 de setembro de 2009

Buda e o Tapa

Buda estava sentado embaixo de uma árvore falando aos seus discípulos. Um homem se aproximou e deu-lhe um tapa no rosto.
Buda esfregou o local e perguntou ao homem:
- E agora? O que vai querer dizer?
O homem ficou um tanto confuso, porque ele próprio não esperava que, depois de dar um tapa no rosto de alguém, essa pessoa perguntasse: "E agora?" Ele não passara por essa experiência antes. Ele insultava as pessoas e elas ficavam com raiva e reagiam. Ou, se fossem covardes, sorriam, tentando suborná-lo. Mas Buda não era num uma coisa nem outra; ele não ficara com raiva nem ofendido, nem tampouco fora covarde. Apenas fora sincero e perguntara: "E agora?" Não houve reação da sua parte.
Os discípulos de Buda ficaram com raiva, reagiram. O discípulo mais próximo, Ananda, disse:
- Isso foi demais: não podemos tolerar. Buda, guarde os seus ensinamentos para o senhor e nós vamos mostrar a este homem que ele não pode fazer o que fez. Ele tem de ser punido por isso. Ou então todo mundo vai começar a fazer dessas coisas.
- Fique quieto – interveio Buda – Ele não me ofendeu, mas você está me ofendendo. Ele é novo, um estranho. E pode ter ouvido alguma coisa sobre mim de alguém, pode ter formado uma idéia, uma noção a meu respeito. Ele não bateu em mim; ele bateu nessa noção, nessa idéia a meu respeito; porque ele não me conhece, como ele pode me ofender? As pessoas devem ter falado alguma coisa a meu respeito, que "aquele homem é um ateu, um homem perigoso, que tira as pessoas do bom caminho, um revolucionário, um corruptor". Ele deve ter ouvido algo sobre mim e formou um conceito, uma idéia. Ele bateu nessa idéia.
Se vocês refletirem profundamente, continuou Buda, ele bateu na própria mente. Eu não faço parte dela, e vejo que este pobre homem tem alguma coisa a dizer, porque essa é uma maneira de dizer alguma coisa: ofender é uma maneira de dizer alguma coisa. Há momentos em que você sente que a linguagem é insuficiente: no amor profundo, na raiva extrema, no ódio, na oração.
Há momentos de grande intensidade em que a linguagem é impotente; então você precisa fazer alguma coisa. Quando vocês estão apaixonados e beijam ou abraçam a pessoa amada, o que estão fazendo? Estão dizendo algo. Quando vocês estão com raiva, uma raiva intensa, vocês batem na pessoa, cospem nela, estão dizendo algo. Eu entendo esse homem. Ele deve ter mais alguma coisa a dizer; por isso pergunto: "E agora?"
O homem ficou ainda mais confuso! E buda disse aos seus discípulos:
- Estou mais ofendido com vocês porque vocês me conhecem, viveram anos comigo e ainda reagem.
Atordoado, confuso, o homem voltou para casa. Naquela noite não conseguiu dormir.
Na manhã seguinte, o homem voltou lá e atirou-se aos pés de Buda. De novo, Buda lhe perguntou:
- E agora? Esse seu gesto também é uma maneira de dizer alguma coisa que não pode ser dita com a linguagem. Voltando-se para os discípulos, Buda falou:
- Olhe, Ananda, este homem aqui de novo. Ele está dizendo alguma coisa. Este homem é uma pessoa de emoções profundas.
O homem olhou para Buda e disse:
- Perdoe-me pelo que fiz ontem.
- Perdoar? – exclamou Buda. – Mas eu não sou o mesmo homem a quem você fez aquilo. O Ganges continua correndo, nunca é o mesmo Ganges de novo. Todo homem é um rio. O homem em quem você bateu não está mais aqui: eu apenas me pareço com ele, mas não sou mais o mesmo; aconteceu muita coisa nestas vinte e quatro horas! O rio correu bastante. Portanto, não posso perdoar você porque não tenho rancor contra você.
E você também é outro, continuou Buda. Posso ver que você não é o mesmo homem que veio aqui ontem, porque aquele homem estava com raiva; ele estava indignado. Ele me bateu e você está inclinado aos meus pés, tocando os meus pés; como pode ser o mesmo homem? Você não é o mesmo homem; portanto, vamos esquecer tudo. Essas duas pessoas: o homem que bateu e o homem em quem ele bateu não estão mais aqui. Venha cá. Vamos conversar.
Osho

18 de setembro de 2009

Tao Te Ching - Verso 11

Trinta raios convergem para o meio de uma roda
Mas é o buraco em que vai entrar o eixo que a torna útil.

Molda-se o barro para fazer um vaso;
É o espaço dentro dele que o torna útil.

Fazem-se portas e janelas para um quarto;
São os buracos que o tornam útil.

Por isso, a vantagem do que está lá
Assenta exclusivamente
na utilidade do que lá não está.

15 de setembro de 2009

Varaha Avtar

O Kalpa Pralaya tinha terminado. Era o começo de um novo Kalpa. O Senhor Bramha estava mais uma vez ocupado no trabalho de sua criação.
Bhoomidevi (a mãe terra) estava sendo lançada e assim penetrou nas profundidades do oceano. Manu (Satyavrata do prévio Kalpa) e Shatarupa (a primeira mulher) vieram ao Senhor Bramha para pedir conselhos. Bramha lhes disse que mantivessem seus corações livres da cobiça e do ciúme, e que tivessem muitos filhos para regerem sobre a terra. Manu se tornaria o primeiro governante da terra, contudo em nenhum lugar podia se achar terra, pois ela estava no fundo do oceano. O Senhor Bramha começou a pensar. Ele poderia criar coisas mas preservar a criação não estava em seu poder, e sem terra firme, os homens não poderiam ser preservados. Ele então meditou no Senhor Vishnu, o preservador.
Como ele estava pensando no Senhor Vishnu, um minúsculo javali, tão pequeno quanto um dedo polegar emergiu de seu nostril. Todos ficaram admirados de como o minúsculo javali cresceu tanto até ficar maior que uma montanha. Assim todos souberam que o javali não era ninguém senão o Senhor Vishnu.
Bramha e Manu ficaram perplexos quando o javali fez um ruído terrificante e pulou para dentro do céu que rasgava as nuvens. Então se virou e mergulhou no oceano. Nas profundidades do oceano o Senhor Vishnu (o javali) achou a mãe terra (Prithvi ou Bhoomidevi). O javali ergueu a mãe terra em seu focinho e saltou até sair do oceano.
Hiranyaksha era um demônio terrível (Rakshasa). Todos o devtas estavam se escondendo por causa do temor a ele. Ele estava a procura de uma briga. Ele se aproximou de Varuna (o senhor das águas) e exigiu uma batalha. Varuna bem sabia que o demônio era muito mais forte. Ele contou para Hiranyaksha que tinha ficado velho e tinha deixado de lutar. Ele sugeriu que o Rakshasa fosse enfrentar o Senhor Vishnu.
Narada é um sábio que podia viajar livremente na terra, no Swarga (céu) e no Patala (inferno). Hiranyaksha perguntou para Narada onde ele poderia achar Senhor Vishnu. Narada o dirigiu para o oceano. Faminto para uma briga o demônio não desperdiçou nenhum tempo e foi diretamente para o oceano onde ele achou o javali (o Senhor Vishnu) emergindo para fora do mar. Hiranyaksha desafiou o javali para deixar a mãe terra (Bhoomidevi) e brigar. O javali o ignorou. Ele escarneceu então que o Senhor Vishnu tinha ganho todas as suas guerras usando o seu Maya (magia) e assim, sem nenhum valor. O javali tinha um trabalho a realizar (o de trazer a terra para fora do oceano), e assim não prestou nenhuma atenção ao demônio. O demônio ficou irritado e falou para o javali que deveria estar envergonhado por não estar em frente de um lutador.
O javali, tinha então terminado seu trabalho, colocou a mãe terra (Bhoomidevi) firme segura sobre as águas e a abençoou. O javali se virou então e enfrentou Hiranyaksha. Eles começaram lutando com maças. A luta era feroz e foi se levando até o crepúsculo. Naquele momento o Senhor Bramha ficou preocupado e disse para o Senhor Vishnu que matasse o demônio antes que ficasse escuro, porque a noite e a escuridão aumentavam a força dos demônios substancialmente.
Hiranyaksha lançou sua maça sobre o javali mas o javali a pegou como se fosse um brinquedo. Eles começaram a lutar com os punhos e coices. Finalmente o javali atingiu o demônio no templo com seu coice e o demônio foi morto imediatamente.
Assim o Senhor Vishnu tinha se encarnado na terra no terceiro tempo como um javali para salvar os devtas do demônio Hiranyaksha e tirar a mãe terra do fundo do oceano. A mãe Terra deu abrigo a Manu e Shatrupa. Eles tiveram vários filhos virtuosas. Nós também somos as crianças da raça que eles começaram. Isto é por que nós somos chamados 'Manav' ou as crianças de Manu.
Contadores da história: Kamal Sahgal, Rakesh Atreya, Sigrid

10 de setembro de 2009

O Filósofo, o Diabo e a Religião

Um dia, um Filósofo estava conversando com o Diabo quando passou um sábio com um saco cheio de verdades. Distraído, como os sábios em geral o são, não percebeu que caíra uma verdade. Um homem comum vinha passando e vendo aquela verdade ali caída, aproximou-se cautelosamente, examinou-a como quem teme ser mordido por ela e, após convencer-se de que não havia perigo, tomou-a em suas mãos, fitou-a longamente, extasiado, e então saiu correndo e gritando:
"Encontrei a verdade! Encontrei a verdade!”
Diante disso, o filósofo virou-se para o Diabo e disse:
“Agora você se deu mal. Aquele homem achou a verdade e todos vão saber que você não existe …”.
Mas, seguro de si, o Diabo retrucou:
“Muito pelo contrário. Ele encontrou UM PEDAÇO da verdade … Com ela, vai fundar mais uma religião e eu vou ficar mais forte!”

1 de setembro de 2009

O neo-humano

Estuda-se o desenvolvimento humano pela evolução do organismo...
e sua interação ambiental.
A evolução do organismo começa com a evolução através do hominídeo...
até a evolução do homem, o Neanderthal, o Cro-Magnon.
Ora, o que temos aqui são três eixos.
O biológico, o antropológico, o desenvolvimento das culturas...
e o cultural, que é a expressão humana.
O que se viu foi a evolução de populações, não de indivíduos.
Pense na escala temporal em questão. A vida tem dois bilhões de anos, o hominídeo, seis milhões.
A humanidade, como a conhecemos hoje, tem 100 mil anos.
Percebe como o paradigma evolutivo vai se estreitando?
Quando se pensa na agricultura, na revolução científica e industrial...
são apenas 10 mil anos, 400 anos, 150 anos.
Vê-se um estreitamento crescente da temporalidade evolutiva.
À medida em que entramos na nova evolução...
ela se estreitará ao ponto em que a veremos no curso de uma vida.
Há dois novos eixos evolutivos, vindos de dois tipos de informação.
O digital e o analógico. O digital é a inteligência artificial.
O analógico resulta da biologia molecular e da clonagem.
Une-se os dois com a neurobiologia.
Sob o antigo paradigma, um morreria, o outro dominaria.
Sob o novo paradigma, eles existem como um grupamento...
cooperativo e não-competitivo, independente do meio externo.
Assim, a evolução torna-se um processo individualmente centrado...
emanando do indivíduo...
não um processo passivo onde o indivíduo está sujeito ao coletivo.
Produz-se, então, um neo-humano... com uma nova individualidade, uma nova consciência.
Esse é apenas o começo do ciclo.
À medida que ele se desenvolve, a fonte é esta nova inteligência.
Enquanto as inteligências e as habilidades se sobrepõem...
a velocidade muda até atingir-se um crescendo.
Imagine, uma realização instantânea do potencial humano e neo-humano.
Isso pode ser a amplificação do indivíduo...
a multiplicação de existências individuais paralelas...
onde o indivíduo não mais estaria restrito pelo tempo e pelo espaço.
E as manifestações dessa evolução neo-humana...
poderiam ser dramaticamente imprevisíveis.
A antiga evolução é fria, é estéril. E eficiente.
Suas manifestações são aquelas da adaptação social.
Trata-se de parasitismo, dominação, moralidade...
guerra, predação.
Essas coisas ficarão sujeitas à falta de ênfase e de evolucão.
O novo paradigma nos daria as marcas...
da verdade, da lealdade, da justiça e da liberdade.
Essas seriam as manifestacões dessa evolução.
E essa a nossa esperança.
Trecho do Filme: Walking Life