29 de março de 2011

Só porque consegue ver uma coisa não quer dizer que ela esteja lá...

[...]
— Bem, na verdade eu estava recuando no tempo, sim. Humm. Bem, acho que já resolvemos isso. Se você quiser saber, posso lhe contar que no seu universo é possível se movimentar livremente nas três dimensões que vocês chamam de espaço. Vocês se movem em linha reta numa quarta dimensão, a que chamam de tempo, e ficam estáticos em uma quinta, que é a primeira fundamental da probabilidade. Depois disso, a coisa fica um pouco complicada e acontece virtualmente de tudo nas dimensões treze à vinte e dois, nem queira saber. Tudo o que você precisa saber por enquanto é que o universo é muito mais complicado do que você pode imaginar, mesmo se você já imagina que ele é complicado pra cacete, para começar. Posso evitar palavras como “cacete”, se isso te ofender.


— Pode falar o que quiser.

— Está bem.

— Que diabos é você? — perguntou Random.

— Eu sou o Guia. No seu universo, sou o seu Guia. Na verdade, habito o que é tecnicamente conhecido como a Mistureba Generalizada de Todas as Coisas, que significa… bom, é melhor te mostrar.

O pássaro virou-se em pleno ar e voou para fora da caverna. Empoleirou—se em uma pedra, logo abaixo de uma marquise natural, fora da chuva, que estava voltando a ficar forte.

— Venha até aqui — disse ele — e veja isso.

Random não gostava de receber ordens de um pássaro, mas o seguiu mesmo assim até a entrada da caverna, apalpando a pedra que estava em seu bolso.

— Chuva — disse o pássaro. — Está vendo? Apenas chuva.

— Eu sei o que é chuva.

Torrentes de chuva assolavam a noite, a luz do luar filtrada pelos pingos.

— Então o que é chuva?

— Como assim, o que é chuva? Olha só, quem é você? O que você estava fazendo dentro da caixa? Por que tive que passar uma noite inteira correndo pela floresta, espantando esquilos retardados para, no final das contas, ter que aturar um pássaro me perguntando se eu sei o que é chuva? É água caindo pela droga do ar, pronto. Mais alguma coisa que você queira saber ou já podemos ir para casa?

Após uma longa pausa, o pássaro respondeu:

— Você quer ir para casa?

— Eu não tenho casa! — Random berrou as palavras tão alto que quase assustou a si mesma.

— Olhe para a chuva… — disse o pássaro—Gwza.

— Estou olhando para a chuva! O que mais tem para olhar?

— O que você está vendo?

— Como assim, seu pássaro idiota? Estou vendo um monte de chuva. É apenas água caindo.

— Que formas você vê na água?

— Formas? Não tem forma nenhuma. É só uma… uma…

— Só Uma Mistureba Generalizada — completou o pássaro—Guia. — É…

— E agora, o que você está vendo?

Quase no limite da visibilidade, um feixe tênue e fino transbordou dos olhos do pássaro. No ar seco, protegido pela marquise, não se via nada. Mas nos pontos onde o raio atingia os pingos de chuva conforme caíam havia uma lâmina de luz tão brilhante e viva que parecia sólida.

— Uau, que ótimo. Um show de lasers — comentou Random, debochada. — Nunca vi um desses antes, é claro, só em uns cinco milhões de shows de rock.

— Diga—me o que você está vendo!

— Apenas uma lâmina plana! Pássaro burro.

— Não há nada ali que não estivesse ali antes. Só estou usando a luz para chamar a sua atenção para determinados pingos, em determinados momentos. E, agora, o que está vendo?

A luz se apagou.

— Nada.

— Continuo fazendo a mesma coisa, só que com luz ultravioleta, que você não consegue ver.

— E de que adianta me mostrar uma coisa que eu não consigo ver?

— Para que você entenda que só porque consegue ver uma coisa não quer dizer que ela esteja lá. E que, se você não vê uma coisa, não significa que ela não esteja. Tudo se resume ao que seus sentidos fazem com que você note.

— Estou de saco cheio disso — disse Random.
[...]


fonte: Guia do Mochileiro das Galaxias – Livro 5 da trilogia – Praticamente Inofensiva - divagacoes.org

22 de março de 2011

Apenas Feche a Boca...

A boca é realmente muito, muito significativa, porque é onde a primeira atividade começou: seus lábios começaram a primeira atividade. Ao redor da área da boca está o princípio de toda atividade: você respirou, você chorou, você abocanhou os seios da mãe. E sua boca permanece sempre em plena atividade.

Sempre que você se acomoda para meditar, sempre que quiser ficar em silêncio, a primeira coisa é fechar a boca completamente. Se você fechar completamente a boca, a sua língua irá tocar o céu da sua boca; ambos os lábios estarão completamente fechados e a língua tocará o céu da boca. Feche-a totalmente; mas isso só pode ser feito se tiver seguido tudo que lhe tenho dito, não antes disso.

Você pode fazer isso; fechar a boca não é um esforço muito grande. Pode sentar-se como uma estátua, com a boca completamente fechada, mas isso não irá cessar a atividade. Bem lá dentro o pensar irá continuar e se o pensar continuar você pode sentir vibrações sutis nos lábios.

Outras pessoas podem não ser capazes de perceber isso porque elas são muito sutis, mas se você estiver pensando seus lábios tremem um pouco; um tremor muito sutil.

Quando realmente relaxa, esse tremor cessa. Você não está falando, você não está realizando qualquer atividade dentro de si. E assim, não pense.

O que irá fazer? – pensamentos estão indo e vindo. Deixe-os vir e ir; esse não é o problema. Você não se envolve; você permanece separado, à parte. Simplesmente os observa vindo e indo; eles não são seu problema. Feche a boca e permaneça em silêncio. Pouco a pouco, os pensamentos cessarão automaticamente.

Eles precisam da sua cooperação para estar lá. Se você cooperar, eles estarão lá; se você luta, assim também eles estarão presentes; porque ambas são cooperações: uma a favor, outra contra. Ambas são tipos de atividade. Simplesmente observe.

Mas fechar a boca ajuda muito. Então primeiro, como tenho observado muitas pessoas, vou lhe sugerir primeiro escancarar. Abra a sua boca tão escancaradamente quanto possível, deixe a sua boca tão tensa quanto possível e escancare-a totalmente; até começar a doer. Faça isso duas ou três vezes. Isso ajudará a boca a ficar fechada por um tempo mais longo.

E então por dois ou três minutos, diga gibberish, bobagens, em voz alta. Qualquer coisa que ocorra à mente, diga-o em alta voz e desfrute disso. Então cale a boca.

É mais fácil mover-se a partir do lado oposto. Se você quer relaxar a sua mão, é melhor primeiro torná-la tão tensa quanto possível. Aperte o punho e deixe-o ficar tão tenso quanto possível. Faça exatamente o oposto e então relaxe; e assim alcançará um relaxamento mais profundo do sistema nervoso.

Faça gestos, caretas, movimentos da face e distorções. Escancare a boca, diga bobagens por dois ou três minutos e então cale a boca.

Essa tensão lhe dará uma possibilidade mais profunda para relaxar os lábios e a boca. Feche a boca e seja apenas um observador. Logo um silêncio descerá sobre si.

Seja passivo; assim como você senta ao lado de um rio e o rio passa e simplesmente observa. Não há nenhuma ansiedade, nenhuma urgência, nenhuma emergência. Ninguém o está forçando. Mesmo se você perde, nada está perdido.

Você simplesmente observa, você apenas olha. Até mesmo a palavra observar não é boa, porque a própria palavra observar dá um sentido de estar ativo. Você simplesmente olha, não tendo que fazer nada. Você simplesmente senta à beira do rio, você olha, e o rio passa. Ou, você olha passivamente para o céu e as nuvens flutuam.

Essa passividade é essencial. Isso precisa ser compreendido devido a que a sua obsessão pela atividade pode se tornar avidez, pode se transformar numa espera ativa. Assim você perde todo o ponto; dessa forma, a atividade entrou novamente pela porta dos fundos. Seja um observador passivo.

Essa passividade irá automaticamente esvaziar a sua mente. As ondas de atividade, as ondas de energia da mente, pouco a pouco cederão, e toda a superfície da sua consciência ficará sem ondas, sem qualquer ondulação. Ela se torna como um espelho silencioso”.

por Osho, Extraído de “Tantra: The Supreme Understanding”
fonte: Universo de luz

17 de março de 2011

Eu, Homem Digital

Por: Ricardo Murer

A Revolução Industrial causou brutais transformações sociais, expandiu as cidades, aumentou o consumo de bens e criou a classe operária fazendo surgir o homem-máquina. Conectados às unidades de produção por horas a fio, sem conforto, longe de suas terras e famílias, homens e mulheres eram (e em alguns países ainda são) parte dos motores, das engrenagens, do óleo e da fumaça das indústrias.

Faz algumas décadas, vivemos agora a Revolução Tecnológica, o microchip, a Internet, a robótica, a ubiquidade computacional e a crescente relação intrínseca e inseparável do digital dos aparatos e ferramentas sobre as quais passamos nosso dia-a-dia. A “sociedade da informação”, dos bancos de dados, fluxos de bits e imagens artificiais está cada vez mais próxima de nós.

Ora porque nos lançamos dentro do ciberespaço como abelhas no mel, ora porque ela projeta estrutura binária sobre nossa realidade (Kinect, Realidade Aumentada, Wii, cinema 3D…).

O fato é que a fronteira entre o real e o virtual está desaparecendo e eu, você, a natureza e tudo mais está se desmaterializando, estamos nos tornando “ativos digitais”. Se no passado era fácil saber onde começavam as máquinas e onde estavam os homens-máquinas, o mesmo não se pode observar na sociedade virtualizada, onde tudo está reduzido a bits.

O homem-digital é indestrutível, transmutável e reprodutível.

Indestrutível porque o digital desconhece o desgaste do tempo. Livros digitais estão sempre novos, páginas sempre brancas, textos sempre legíveis. Assim como o livro virtualizado, nosso corpo digital não experimenta o envelhecimento, a morte.

Transmutável porque posso mudar meu perfil, minha identidade, a cor dos meus olhos, o que bem entender. Não existe limite para minha forma, meu aspecto físico.

Reprodutível porque não estou limitado ao espaço único do meu corpo, posso copiá-lo com total perfeição, sou um e muitos, clones navegando por mares digitais sob o meu comando, com uma biomecânica de movimento livre das leis da gravidade. Este “eu digital” é repleto de potencialidades que nunca tive. Fascinante, perpétuo, livre das limitações da dura realidade que vivemos.

Estaria neste grande fluxo migratório do real para o virtual o futuro de nossa sociedade? Mais: seríamos capazes, uma vez transformados em entidades binárias, avatares, de construir uma nova civilização, uma história sem guerras, drogas, violência ou abuso de poder?

Esta reflexão irá nos levar para ainda mais longe do que nosso corpo virtualizado, chegando a nossa mente, nossos sentimentos, nossa essência. Mais do que desmaterializar o corpo, será preciso mudar nossa forma de pensar e agir, algo que até agora, até mesmo a revolução tecnológica ainda não conseguir realizar.
[Webinsider]

7 de março de 2011

O Último Filho de Krypton

Por Dennis Rodrigo

Criado em 1938 por dois humildes e sonhadores rapazes, Superman, tido por muitos como o primeiro e maior dos super-heróis, atravessou décadas com maior ou menor sucesso entre o público, mas é fato que se trata de um personagem cuja “história” assumiu força sobre-humana.

O início do Superman foi, simultaneamente, simples e estrondoso. Estrondoso, pois a origem do herói se dá na explosão de seu planeta, momento em que, ainda bebê, é lançado pelo universo. De seu planeta restou apenas um sem número de fragmentos radiativos… Letais ao último filho de Krypton.

Simples porque essa explosão, criada por dois garotos aficionados por pulps de ficção científica, imaginautas de mundos além dos EUA. Jerry Siegel e Joe Shuster, roteirista e artista. Tais adolescentes conceberam um herói capaz de tocar a própria psique humana, um super-herói.

Em meados da década de 1930 o nome Superman foi utilizado por Jerry pela primeira vez num conto escrito em seu fanzine Science Fiction em uma história chamada O Reino do Superman (título referendado no arco de histórias que mostra o retorno do Superman após sua morte na década de 1990) e não tinha quase nada do personagem que conhecemos. Tratava-se de um homem que ganhou poderes mentais e fez péssimo uso deles. O ilustrador foi Joe.

Poucos anos depois o público conheceu o campeão de todos os aventureiros uniformizados. Contudo, Siegel e Shuster tentaram fazer muitos editores se interessarem por sua criação… Sem muita sorte. Concebido para figurar em tiras de jornal, Superman foi apresentado inicialmente aos sindicatos que representavam quadrinistas e vendiam seus trabalhos para jornais do mundo inteiro, quase sempre e forma da tiras.

Com a negativa, os rapazes procuraram editoras no Canadá, país onde Shuster tinha família – diz-se que ele passava férias em Toronto e que a inspiração do Daily Star, primeiro local onde o personagem “trabalhou”, foi o Toronto Star. Para os editores da época, Superman não tinha “apelo duradouro”. Até que finalmente o herói estreou na edição número um de Action Comics, em 1938.

Num país arrasado pela depressão econômica, eles vislumbraram o que se tornaria um ícone americano e… Mundial. A primeira HQ do Superman era muito simples, com conceitos que Siegel havia desenvolvido em aventuras anteriores: no espaço, num planeta chamado Krypton, no qual os habitantes haviam alcançado a supremacia física e mental. Uma raça de supermen e ainda assim condenada. Terremotos varreram o planeta e rios de lava consumiram suas cidades.

O céu apocalíptico apavarou os kryptonianos, pois o mundo que conquistaram se voltou contra eles, e não sabiam a razão. Apenas Jor-El, um brilhante cientista que tinha percebido o destino fatal do planeta. Logo estava tudo destroçado. Quadro a quadro, cada “poder” do Superman era explicado, pois seu pai atravessou a cidade com saltos que cobriam vários quarteirões para encontrar sua bela esposa Lara, e seu filho: o recém-nascido que chamava Kal-El, que em bom kryptonês significa Filho das Estrelas. Jor-El se valeu de um plano para salvar seu filho.

Antecipando ao destino final de Krypton, ele construiu um protótipo de uma frota de foguetes que seriam usados para salvar a população. Porém os kryptonianos tinham rejeitado o estratagema, pois não acreditavam nas previsões apocalípticas. No pequeno foguete, inteiramente funcional, Jor-El colocou seu filho com o consentimento de Lara, e assim Kal partiu rumo a um longínquo planeta, enquanto Krypton explodia.

Na Terra, o sobrevivente da pequena astronave é descoberto por um gentil casal que passava pelo local, Jonatham e Martha Kent, idosos e sem filhos, que levaram a criança a um orfanato, para depois adotar o bebê. Quando o casal voltou, os funcionários do orfanato ficaram mais do que felizes com a partida da criança.

Já possuindo os fabulosos poderes de um nativo de Krypton, o bebê tinha quase demolido o orfanato – e por mais tosco que tudo isso possa soar, o seriado Smallville recorreu a tais elementos recentemente. Batizado como Clark Kent, nome de solteira de sua Martha, o menino cresceu e tornou-se adulto antes de vestir o conhecido colante azul. O jovem Clark teve o cuidado de manter seus poderes em segredo.

Na primeira HQ do Superman, Jonathan Kent avisa: “…preste muita atenção no que vou dizer, Clark! Essa sua enorme força… Bem, você tem de escondê-la das pessoas ou elas vão ficar com medo de você!” . Mamãe Kent era menos catastrófica e dizia: “Quando chegar a hora você deve usar esse poder para ajudar a humanidade!” Tendo se estabelecido em Metrópolis, Clark arrumou emprego no jornal e assim conheceu o membro mais antigo do elenco de coadjuvantes, Lois Lane, única personagem além do Super que esteve presente desde o início. Ela entrou na vida Clark Kent já como uma ousada jornalista do Estrela Diária de Metrópolis (mais tarde rebatizado de Planeta Diário).

Posteriormente a fase Super-Boy foi acrescentada ao mito, revelando que não fora como adulto que Clark demonstrou ao mundo seus poderes, mas ainda jovem, em Pequenópolis, no Kansas. É nesse momento que revela a maior parte do que conhecemos sobre os Kent. Em Pequenópolis também conhecemos Lana Lang, uma ruiva muito animada e, por um tempo, namorada do Super-Boy.

Lana ocupou um papel em sua infância e adolescência muito parecido com o de Lois… Namoro levado à exaustão no já referido seriado Smallville. Um outro elemento importante que compõe a mitologia do personagem alcançou seu mais significativo momento em 1949, quando o Superman encontrou um fragmento reluzente de seu planeta pela primeira vez.

Colorida de vermelho na estreia nas revistas, a mais perigosa ameaça à existência do paladino voador. A letal kryptonita assumiu a tonalidade verde numa segunda aparição.

A introdução da kryptonita nas histórias aumentou a importância do principal inimigo do Super: Lex Luthor, então o mais louco de todos os cientistas. Luthor soube rapidamente da existência deste veneno letal para o Homem de Aço. Atualmente, Lex, imenso em inteligência, é um super-homem dos negócios que se viu tomado de inveja e ira devido à chegada de um forasteiro verdadeiramente super.

Um outro personagem significativo na mitologia do Superman é a prima do herói, Kara, conhecida como Supegirl, que aderiu ao mundo do personagem com uma origem muito similar a do então Último filho de Krypton, tendo sido igualmente lançada em um foguete…

Mas se com tudo isso o Superman passou a servir como um orgulhoso emblema para a nação estadunidense, ele foi paralela e constantemente constrangido pelos excessos dela, levando ao coerente questionamento de sua posição como maior dos super-heróis…

E apenas a incrível força de sua história no mundo, que perpassa a própria cultura pop do século XX, parece ser capaz de conservá-lo um clássico. Um super homem acima de tudo.

fonte: impulsohq.com

Nota: sempre achei o Superman meio "babaca" até ler Kingdom Come: O Reino do Amanhã... aí eu entendi... SHAZAM!!!

2 de março de 2011

Reflexão sobre o Ensino

Era uma vez um menino. Ele era bastante pequeno e estudava numa grande escola. Mas, quando o menino descobriu que podia ir à escola e, caminhando, passar através da porta ficou feliz. E a escola não parecia mais tão grande quanto antes.

Certa manhã, quando o menininho estava na aula, a professora disse:

– Hoje faremos um desenho.

– Que bom! Pensou o menino. Ele gostava de fazer desenhos. Podia fazê-los de todos os tipos: leões, tigres, galinhas, vacas, barcos e trens. Pegou então sua caixa de lápis e começou a desenhar. Mas a professora disse:

– Esperem. Ainda não é hora de começar. E ele esperou até que todos estivessem prontos.

– Agora, disse a professora, desenharemos flores.

– Que bom! Pensou o menininho. Ele gostava de desenhar flores. E começou a desenhar flores com seus lápis cor-de-rosa, laranja e azul. Mas a professora disse:

– Esperem. Vou mostrar como fazer. E a flor era vermelha com o caule verde.

Num outro dia, quando o menininho estava em aula ao ar livre, a professora disse:

– Hoje faremos alguma coisa com barro.

– Que bom! Pensou o menininho. Ele gostava de barro. Ele podia fazer todos os tipos de coisas com barro: elefantes, camundongos, carros e caminhões. Começou a juntar e a amassar a sua bola de barro. Mas a professora disse:

– Esperem. Não é hora de começar. E ele esperou até que todos estivessem prontos.

– Agora, disse a professora, faremos um prato.

– Que bom! Pensou o menininho. Ele gostava de fazer pratos de todas as formas e tamanhos. A professora disse:

– Esperem. Vou mostrar como se faz. E ela mostrou a todos como fazer um prato fundo. Assim, disse a professora, podem começar agora.

O menininho olhou para o prato da professora. Então olhou para seu próprio prato. Ele gostava mais de seu prato do que do da professora. Mas não podia dizer isso. Amassou o seu barro numa grande bola novamente e fez um prato igual ao da professora. Era um prato fundo.

E, muito cedo, o menininho aprendeu a esperar e a olhar, e a fazer as coisas exatamente como a professora fazia. E, muito cedo, ele não fazia mais as coisas por si mesmo.

Então aconteceu que o menino e sua família mudaram-se para outra casa, em outra cidade, e o menininho teve que ir para outra escola.

No primeiro dia, ele estava lá. A professora disse:

– Hoje faremos um desenho.

– Que bom! Pensou o menininho. E ele esperou que a professora dissesse o que fazer. Mas a professora não disse. Ela apenas andava pela sala. Então, veio até ele e falou:

– Você não quer desenhar?

– Sim, disse o menininho. O que é que nós vamos fazer?

– Eu não sei até que você o faça, disse a professora.

– Como eu posso fazer? Perguntou o menininho.

– Da mesma maneira que você gostar. Respondeu a professora.

– De que cor? Perguntou o menininho.

– Se todos fizerem o mesmo desenho e usarem as mesmas cores, como eu posso saber quem fez o quê e qual o desenho de cada um?

– Eu não sei, disse o menininho.

E ele começou a desenhar uma flor vermelha com caule verde.

(Conto de Helen Barckley)