30 de agosto de 2011

A Razão das Guerras

- Você conhece – perguntou Prak – a história da Razão?

Arthur disse que não e Prak respondeu que já sabia que não.

Ele a contou.

Uma noite, ele disse, uma espaçonave apareceu no céu de um planeta que nunca antes havia visto uma delas. Surgiu como uma nova e brilhante estrela se movendo silenciosamente através do céu.

As pessoas das primitivas tribos que estavam sentadas nas encostas das Montanhas Gélidas olharam para cima, segurando suas xícaras com bebidas fumegantes e apontaram, com dedos trêmulos, jurando que haviam visto um sinal de seus deuses significando que deveriam agora levantar-se e partir para massacrar os malignos Príncipes das Planícies.

Nas altas torres de seus palácios, os Príncipes das Planícies olharam para cima e viram a estrela brilhante, compreendendo que aquele era um sinal inequívoco de seus deuses para que partissem e atacassem as malditas Tribos das Montanhas Gélidas.

Entre ambos, os Habitantes da Floresta olharam para o céu e viram o sinal da nova estrela. Olharam para ela com medo e apreensão porque, apesar de nunca terem visto nada assim, eles também sabiam exatamente que presságio aquilo trazia e curvaram suas cabeças em desespero.

Sabiam que, quando as chuvas vinham, era um sinal.

Quando as chuvas paravam, era um sinal.

Quando houvesse nascido na terra, à meia-noite em uma lua cheia, uma cabra com três cabeças, era um sinal.

Quando houvesse nascido na terra, em uma hora qualquer, um gato ou porco perfeitamente normal sem qualquer complicação, ou mesmo uma criança com nariz empinado, muitas vezes essas coisas também eram vistas como um sinal.

Então não havia dúvida alguma de que uma nova estrela no céu era um sinal de enorme magnitude.

E cada novo sinal significava a mesma coisa – que os Príncipes das Planícies e as Tribos das Montanhas Gélidas estavam se preparando para arrancar o couro uns dos outros.

Por si só, isso não seria nada de mais, exceto que os Príncipes das Planícies e as Tribos das Montanhas Gélidas sempre decidiam arrancar o couro uns dos outros na Floresta, e a pior parte dessas lutas sobrava para os Habitantes da Floresta, ainda que, até onde eles conseguissem entender, não tivessem nada a ver com isso.

E algumas vezes, depois dos piores desses ultrajes, os Habitantes da Floresta enviavam um mensageiro para o líder dos Príncipes das Planícies ou para o líder das Tribos das Montanhas
Gélidas, perguntando-lhes qual a Razão daquele comportamento insuportável.

E o líder, fosse quem fosse, levava o mensageiro para um canto e lhe explicava a Razão, lenta e cuidadosamente, tendo um grande cuidado ao explicar todos os detalhes envolvidos.

A coisa mais terrível era a seguinte: a razão era muito boa. Era clara, muito racional e muito dura. O mensageiro abaixava a cabeça, consternado, sentindo-se um tolo por não ter percebido o quão duro e complexo era o mundo real, e quão enorme eram as dificuldades e paradoxos que precisavam ser defrontados para que fosse possível viver nele.

- Você entende agora? – dizia o líder.

O mensageiro concordava em silêncio.

- E você compreende que essas batalhas precisam ocorrer?

Outra vez concordava em silêncio.

- E por que elas têm que ocorrer na Floresta, no interesse de todos, inclusive dos Habitantes da Floresta?

- Eh...

- A longo prazo.

E o mensageiro de fato compreendia a Razão, e retornava para seu povo na Floresta. Contudo, enquanto se aproximava deles, enquanto atravessava a Floresta por entre as árvores, percebia que tudo de que podia se lembrar a respeito da Razão era o quão incrivelmente claro o argumento havia parecido. Qual era exatamente o argumento, isso ele nunca conseguia se lembrar.

E isso era, claro, um grande consolo quando as Tribos e os Príncipes voltavam a guerrear, cortando e queimando tudo em seu caminho e matando todos os Habitantes da Floresta que encontrassem.

Prak fez uma pausa em sua história e tossiu.

- Eu fui o mensageiro – disse ele – após as batalhas causadas pela aparição de sua nave, que foram especialmente selvagens. Muitos de nosso povo morreram. Acreditei que poderia trazer a Razão de volta. Fui até o líder dos Príncipes, que a contou para mim, mas no caminho de volta ela foi se desfazendo e sumindo em minha mente como neve sob o sol. Isso foi há muitos anos e muitas outras coisas já aconteceram deste então.

Trecho do livro: O Guia dos Mochileiros das Galáxias, 3º volume, de Douglas Adams.

23 de agosto de 2011

O simbolismo Hermético do Pinóquio

por DEL DEBBIO em TEORIA DA CONSPIRAÇÃO

Carlo Collodi escreveu em 1882 um livro chamado “As Aventuras de Pinóquio”, onde conta a história de um velho Mestre Carpinteiro que construiu um boneco de madeira.

Esta história simples é salpicada com considerações de ordem moral e da evolução da pessoa, que faz da história um relato iniciatico, em que Pinóquio se vai desprendendo de seus muitos defeitos até se tornar um verdadeiro ser humano, uma criança neste caso.

Poucas pessoas sabem que o Pinóquio, o boneco de madeira saiu da mente e da criatividade do escritor italiano Carlo Collodi, não é um conto de fadas. Na verdade, seu comprimento é um romance, mas sua trama infantil insuspeita é nada mais do que o veículo através do qual Collodi destina-se a entregar uma mensagem profundamente espiritual, iniciática, esotérica, de desenvolvimento pessoal.

Na verdade, a primeira coisa que gostaria de salientar é que o autor, Carlo Collodi, foi um membro da Ordem Maçônica, uma instituição que guarda e estuda as antigas tradições herméticas atribuídas a Hermes Trismegistus e é considerada uma das mais importantes instituições esotérica até os dias de hoje.

Walt Disney, que esta história imortaliza no filme de animação e cujos desenhos representam mais do que qualquer outro o boneco e os outros personagens, também foi um irmão rosacruz e demolay.

No contexto conturbado da re-unificação italiana, liderada por outro irmão, José Garibaldi (pertencente à Ordem dos Carbonários), Collodi escreveu “As Aventuras de Pinóquio”, publicado em 1882. Uma análise superficial do trabalho revela uma apologia para a educação e uma denúncia do vício e da ociosidade. Ideais próprios da cultura ocidental, mas são inevitáveis mandato para encomendas para as ordens esotéricas.

Vamos rever a história, e marcar em negrito algumas palavras que são muito esclarecedoras do ponto de vista esotérico e maçônico em particular: Gepetto, um velho mestre que usa o avental, sempre sonhou em ter uma criança, de modo que, ao ver brilhar no céu a Estrela Azul (Estrela Flamígera) fervorosamente pediu que seu desejo fosse concedido (este é entrar em contato com um maior nível de consciência).

Naquela noite, enquanto dormia Gepetto, apareceu a Fada Azul e deu vida ao boneco, e o advertiu a se comportar bem para se tornar um menino de verdade (o compreendemos a partir da idéia de ser um homem de verdade, outra idéia inspiradora das escolas de iniciaticas). Para aconselhamento sobre seu comportamento chamou o Grilo Falante como sua consciência (o trabalho consciente de desenvolvimento pessoal é também um ideal hermético).

Não nos esqueçamos de que Pinóquio foi trabalhado à mão pelo carpinteiro que o elaborou a partir de um pedaço de madeira, criando mesmo um boneco muito bom, graças ao seu esforço (na Maçonaria se trabalha para dar forma a uma pedra).


Gepetto construindo Pinóquio

Os fios que movem o destino dos bonecos são semelhantes aos fios do destino que movem as pessoas, daqui para lá e vice-versa quando desenvolvemos a consciência. Assim, então, Pinóquio com falta de consciência e surdo aos ensinamentos do Grilo Falante (outro mestre) provou ser amoral e estúpido, verdadeiro orgulho do mundo créu.

Poderia dizer que Pinóquio estava vivo, mas ainda não tinha livre arbítrio; estava dormindo, permanecendo em um estado de torpor semelhante às pessoas no dia-a-dia; não usava a sua consciência, desconhecia o sendero da virtude e a libertação, uma espécie de “morto vivo”.

O esoterismo ensina que, infelizmente, a imensa maioria dos seres humanos são como Pinóquio: eles seguem o caminho mais fácil, deixando-se guiar por quem falar mais alto e não sabem que existe algo melhor, algo que nos conecta com níveis mais elevados de consciência.

Um pesquisador maçônico chamado Rudyard Kipling (um dos maiores escritores britânicos de todos os tempos) disse: “A verdade é que existem apenas dois tipos de homens em todo o mundo: os poucos que já perceberam o esquema divino poderoso e as imensas massas que ainda não o conhece. Os últimos vivem para eles mesmos, e estão muito escravizados por suas paixões; os primeiros vivem para Deus e para a evolução, que é a Sua vontade, e independe se são chamados Budistas ou hindus, muçulmanos ou cristãos, ou pensadores judeus”.

Nessa perspectiva, Pinóquio é o escravo de seus “eus”, este é um ego hipertrofiado produto de distintos vícios que foram acumulados. Suas mentiras fazem crescer o nariz e as orelhas de burro depois, tal qual o rei Midas nas antigas fábulas gregas. Esta é uma alegoria física de todos os agregados psíquicos que o acompanham.


Pinóquio e Grilo Falante

Uma e outra vez, Pinóquio, pela lei de causa e efeito, sofre as conseqüências de suas más ações, que o conduzem a uma vida desgraçada, onde o boneco paga com o sofrimento do karma que há sido gerado. Quando a vida de Pinóquio não poderia ser mais insuportável, é engolido por uma baleia.

Este episódio, que evoca claramente a história bíblica de Jonas, vem a ser no simbolismo maçônico da câmara de reflexões que representa a descida ao centro da terra “Pois assim como Jonas esteve no ventre do grande peixe por três dias e três noites, assim estará o Filho do Homem no seio da terra três dias e três noites “.

Não se esqueça que o Filho do homem, também, como o Pinóquio, era um iniciado filho de um Mestre carpinteiro.

Como acontece com qualquer tradição esotérica válida, o importante é a morte mística; à luz de uma vela, Pinóquio medita sobre o seu destino e decide mudar, deixando para trás seu passado de inconsciência. Finalmente o boneco é expelido pela baleia para o mar, onde a água atua como um purificador, limpando interna e externamente a Pinóquio.

Diz-se que quando alguém está imerso em uma corrente de água, renasce para uma nova vida. Esta prática é comum em muitas tradições religiosas e do batismo cristão, tradição que remonta às origens Egípcias do rito de Melkizedek. Maçônicamente tem a ver com a lenda do terceiro grau e o Mar de bronze.

Pinóquio, no entanto, não sobrevive à fúria do oceano e, finalmente, se afoga. Esta morte do boneco equivale à morte mística do profano ao ser iniciado. Nas palavras do Evangelho lembra a sentença que está em João 3:3-10: “Em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus (…) quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus”.

Ao retornar à vida, Pinóquio vai para um estado mais elevado, que vai adquirir uma humanidade plena (para ser um menino de verdade).

Vale a pena ver “Pinóquio” e descobrir o profundo conteúdo simbólico e iníciatico deste trabalho. Especialmente recomendado para aqueles que pertencem a instituições herméticas filosófica como a Ordem Maçônica, Rosa Cruz, Gnósticos, Teosófica, Antroposófica Biosófica, Metafísicas e similares.

Mas para o resto dos mortais, que tentamos manter uma vida digna, enquadrada nos limites de uma moral mais ou menos estável, a aventura de Pinóquio também tem muito a dizer, sobretudo porque o boneco se parece muito como nós somos.

Podemos dizer o quanto a história de Pinóquio corresponde à evolução dos seres humanos para alcançar a plena realização da “humanidade”, como seres humanos completos e particularmente com a nossa própria evolução como ocultistas.

fonte: sedentario.org

18 de agosto de 2011

Ciberespaço: A Fronteira entre o Real e o Virtual

Por: Ricardo Murer

A fronteira entre o real e o virtual não mais existe.

“O universo virtual é mais concreto do que se supõe. Ele existe ao redor de nós, como um monstro ou um anjo, dependendo do lado pelo qual o abordamos”
Carlos Heitor Cony, Folha de São Paulo, 10/04/2011

Afinal qual o limite, a fronteira entre real e virtual? Onde começa a realidade e termina o ciberespaço? Máquinas computacionais, micro-processadas, conectadas, trocando de mensagens entre si estão por toda parte. A computação pervasiva, invasiva ou consentida.

Infovias com bilhões de bits circulam pela mesma sala onde você agora, neste momento, está lendo este artigo, ele mesmo uma matriz de pixels organizada numa tela digital, cuja origem está a centenas, talvez milhares de quilômetros de você.

Um hipertexto, guardado não em arquivos de uma biblioteca, mas em servidores de dados distribuídos em rede. A rede hoje chamada de Cloud, a nuvem. Nada mais apropriado do que imaginar uma nuvem, a qual possui nenhuma e todas as formas, algo transitório, com a potência de uma tempestade e a suavidade de uma chuva fina de verão.

Bits são como gotas de chuva, movendo-se em todas as direções, essencialmente não lineares. Não é mais possível distinguir o virtual do lugar onde você está. O outro lado do espelho, o mundo de Alice agora é parte da sua realidade.

Observe, analise seu dia e você irá perceber que o ciberespaço ocupa o mesmo espaço do real, numa única arquitetura de textos, imagens, músicas e sensações. É realidade aumentada, Kinect hacks, biochips, 3G, o neuro-headset da Emotiv e milhões de telas touch-screen. Este novo estado de coisas inaugura o fim das interfaces, da intermediação homem-máquina. Neste novo território, átomos e bits coexistem, não vivemos mais o tempo da sociedade da informação, somos nós mesmos a informação.

Não tenho dúvidas que este é o exato momento de parar e refletir. Ao nos deslocarmos para os livros fora das bibliotecas, as aulas sem mestres, o amor-sexo virtual e as religiões sem as luzes da reflexão, não podemos fazê-lo sem discernimento, sem a devida experiência, sem um mentor.

No oceano da informação digital é preciso saber navegar, estar com a mente clara e aberta para não se deixar levar pelo canto das sereias. Se o mundo real está repleto de hostilidade, violência e desilusão, as areias e praias virtuais representam um perigo ainda maior, porque não é possível saber onde estão as armadilhas, tudo se move, tudo é aparência, arquiteturas binárias, sempre distantes e intangíveis.

Como bem escreveu Cony, “O universo virtual é mais concreto do que se supõe”. O ciberespaço é aqui, agora, onde você está. O que vamos fazer com o universo neutro das informações digitais, depende em última instância de uma camada acima, chamada sabedoria.

[Webinsider]

10 de agosto de 2011

O Pensar

"Terrível é o pensar.
Eu penso tanto
E me canso tanto com meu pensamento
Que às vezes penso em não pensar jamais.
Mas isto requer ser bem pensado
Pois se penso demais
Acabo despensando tudo que pensava antes
E se não penso
Fico pensando nisso o tempo todo."

(Millôr Fernandes)

8 de agosto de 2011

A Maldição dos 27

"Você nunca vai fazer 28.

Oh, agora vocês falam de uma maldição dos 27 anos. Misturam teorias conspiratórias, buscam explicações na numerologia, apelam para a astrologia. Então, eu levaria Jim Morrison e Jimi Hendrix pelo simples fato de que eles nasceram sob o signo de Sagitário? Poupem-me.

Mistificar o simples é algo tão humano que me traz uma sensação rara: sorrir. Resolvi, portanto, dar algumas respostas. Não é isso que vocês vivem procurando?

Antes de qualquer coisa, Brian Jones foi um engano. Logo, toda a teoria da maldição dos 27 é baseada em um erro. Um erro primário, confesso. O meu alvo era Keith Richards, mas estava em uma péssima noite. Adoro Brian, ele é muito talentoso, acredite, pois o ouço todos os dias. Não tinha motivos para levá-lo. Ele tinha sido expulso da banda, estava triste e minha encrenca era com Mick e Keith. Muito por causa daquela canção Sympathy for the Devil. Eu adoraria que aqueles versos tivessem sido escritos para mim. Então, resolvi usá-los contra Keith. Cheguei cantando: Please allow me to introduce myself, I'm a man of wealth and taste, I've been around for a long, long years... Mas atingi Brian. Em troca, dei a Keith todos os anos de vida que Brian teria direito. E isso, apenas isso, explica o fato dele estar vivo. Ele não é um sobrevivente, eu que me senti culpada. Ele pode subir em coqueiros, tomar doses cavalares de bebida e continuar andando, porque eu, um reles imortal, cometi um pequeno deslize.

Voltemos aos fatos como eu vivi, ou morri. Jimi Hendrix veio depois. Mas preste atenção nessa letra: angel came down from heaven yesterday, she stayed with me just long enough to rescue me. Ok, não sou um anjo. Mas entendo a metáfora como quiser e levei ao pé da letra. Achava que era comigo que ele estava falando. Aproveito para acabar com um dos mitos que me cercam. Jimi Hendrix não toca com Stevie Ray Vaughan, nem faz jam sessions com Charlie Parker. Seria injusto ouvir algo que você, mortal, nunca ouviu. Sim, eu tenho um senso de justiça. Ou você acha que é à toa que inúmeras versões inéditas surgem após a morte? Que, por décadas, esses artistas mantenham a presença nos rankings de venda? Eu simplesmente sei criar um mito. Ah, se eu gostasse tanto do número 27 teria levado Stevie Ray com essa idade. E aí, sim, teríamos uma grande teoria.

Janis Joplin? Ela cantava Farewell Song. Preciso explicar muito? E, cá entre nós, acho que a sua voz não continuaria a mesma. E seria doído vê-la cantando pior. Há uma outra questão humana. Com tanto artista ruim, porque eu levo os melhores? Bem, em que momento vocês imaginaram que eu teria mau gosto musical? Eu simplesmente gosto de boa música.


Depois tem o menino Jim Morrison. Eu sou discreta, chego sem esperar. Mas quando ouvi “The End” pensei: esse rapaz sabe que eu estou chegando. E gosto de me imaginar como o beautiful friend da letra. Ver The Doors em turnê com outros cantores quase me traz um arrependimento. Ele não merecia isso. E Val Kilmer? Pensei em adiantar a vinda de um certo diretor só por essa escolha. Mas com Jim, senti que os 27 seriam um assunto. E isto foi algo pensado. Pela primeira vez, até então. E descansei. Gary Thain do Uriah Heep? Alan Wilson do Canned Heat? Pigpen do Grateful Dead? Ah, não me subestime. Todos ao acaso. Não fosse a busca pela internet, você não conseguiria ligar um assunto ao outro.

Tive muito trabalho nesse tempo. Levei grandes do reggae, o rei do rock, pelo menos uma dúzia de rappers, o menino Lennon e o maior ídolo pop de todos os tempos. Eternizei lendas, marquei seus lugares na história. E aí, vem a tal maldição dos 27 com Kurt Cobain. Sério? O cara canta: I hate myself and I want to die, Come on death e vocês acham que ele se foi por causa dos 27? Eu simplesmente adorava a audácia desse rapaz. Gostava como ele escrevia canções para mim. Vocês não sabem, mas me doeu tanto que vesti xadrez por um mês em luto. Em troca, lhes deixei o Dave Grohl repleto de ideias. E, mais uma vez, diversos takes inéditos do Nirvana.

E agora, vocês lamentam pela Amy. Fazem novas conjecturas com os 27. Uma explicação: ela era simplesmente muito talentosa. Você não escolhe o seu playlist? Eu também. E, de quebra, preservei sua voz em Back to Black. Com o tempo, vocês esquecerão a imagem de uma artista em decadência física e se lembrarão apenas de sua grande voz. Por isso, ela não fez 28.

Encerrando: não me importa 27 ou 42. Ah, você em suas crenças não se tocou que Peter Tosh e Elvis morreram com 42? A morte é o meu trabalho, apenas. E eu não acredito em superstições. Último pedido? Olha que ironia, eu falando em último pedido. Se é para fazer uma versão de uma canção de alguém que eu levei, que seja realmente boa. Eles raramente se sentem homenageados. Digo-lhes com conhecimento.

PS: Não comentei sobre Robert Johnson porque temos um acordo."

Texto publicado na edição de agosto da revista Billboard.

4 de agosto de 2011

do Equilíbrio

por Luciux

Muito se busca, muito se deseja e tudo muito rápido, tudo antes mesmo de se saber o que se quer e não são poucos os exemplos que eu poderia dar, a maioria proxima demais de qualquer um que venha a ler estas linhas, outros talvez dentro dos próprios leitores.

Nem sempre é fácil domar a ansiedade, aliás é perfeitamente normal, principalmente quando se depara com conhecimentos novos, perspectivas mais amplas ou mesmo um simples entendimento de porque cada coisa é como é e como deveria ser.

Antes de tentar mudar o mundo, de mudar a sociedade ou mesmo seu bairro, comece mudando seus hábitos, organizando seu quarto, ou mesmo apenas as gavetas do armário, controle seus vícios (e consequentemente elimine-os na medida do possível, pois não acredito que possam existir vicios bons) e principalmente: domando a fera que comumente chamamos de mente.

Dizem muito por ai de monstros inomináveis, de segredos abomináveis ou mesmo de personas que desafiam o senso da realidade, mas desconheço monstro mais ameaçador e medonho do que o que carregamos dentro de nós.

Enfrentar a verdade, a nossa própria verdade, dói e é necessário. Não tenha medo, pois você no fim das contas tem todo o tempo e habilidade de que precisa para domar essa fera mesmo que ainda não o saiba, basta parar de procurar em todo o canto e ao menos uma vez, com a devida atenção e respeito, olhar para dentro de si mesmo e buscar compreender, e não somente destruir o que lhe é desconhecido.

Antes de buscar a sinceridade e parar de mentir para o mundo, seja sincero consigo mesmo, procure saber onde está mentindo ou mesmo omitindo coisas a si mesmo. Fugir dos problemas apenas adia, e não resolve, os problemas.

A chave maior que conheço para isso é paciência, coragem e determinação. O melhor caminho para conquistá-los é meditando. Criar uma linha saudável de hábitos começa aos poucos, debaixo e lentamente, é um processo que leva tempo, e é aí onde se separa os verdadeiramente fortes dos que apenas tentam. Não busque resultados do dia para a noite, viver não é uma decisão de apenas uma noite, e viver de forma saudável é um trabalho que denota atenção e amor, se não sente amor por si mesmo, como poderá sentir por outras pessoas? Comecem, pois mais vale um passo firme numa longa estrada, do que um caminhar vacilante a jornada toda.

E por favor, poupem as próprias mentes das mesmas dúvidas, das mesmas perguntas inúteis e busquem o que realmente importa. Simplicidade e Equilibrio, o verdadeiro segredo da mente humana.

fonte: hermeticrose.wordpress.com