26 de abril de 2010

O Poder do Mito de Joseph Campbell

Joseph Campbell, no livro O poder do Mito, explica que Mitos não são algo pra dar sentido a uma vida vazia, mas sim pistas para as potencialidades espirituais da vida humana, aquilo que somos capazes de conhecer e experimentar interiormente. Pra isso é preciso captar a mensagem dos símbolos. Leia mitos de outros povos, não os da sua própria religião, porque aí você começará a interpretar sua própria religião não mais em termos de fatos – mas de mensagem. O mito o ajuda a colocar sua mente em contato com essa experiência de estar vivo. Ele lhe diz, através de símbolos, o que a experiência É.
O casamento, por exemplo. É a reunião da díade separada. Originariamente, vocês eram um. Agora são dois, no mundo, mas o casamento é o reconhecimento da identidade espiritual. É diferente de um caso de amor, não tem nada a ver com isso. É outro plano mitológico de experiência. Quando pessoas se casam porque pensam que se trata de um caso amoroso duradouro, divorciam-se logo, porque todos os casos de amor terminam em decepção. Mas o matrimônio é o reconhecimento de uma identidade espiritual. Se levamos uma vida adequada, se a nossa mente manifesta as qualidades certas em relação à pessoa do sexo oposto, encontramos nossa contraparte masculina ou feminina adequada. Desposando a pessoa certa, reconstruímos a imagem do Deus encarnado, e isso é que é a mitologia do casamento. O ritual, que antes representava uma realidade profunda, hoje virou mera formalidade. E isso é verdade nos rituais coletivos assim como nos rituais pessoais, relativos a casamento e religião. Quantas pessoas, antes do casamento, recebem um adequado preparo espiritual sobre o que o casamento significa? Você pode ficar parado diante do juiz e se casar, em dez minutos. A cerimônia de casamento na Índia dura três dias. O par fica grudado! Isso é primordialmente um exercício espiritual, e a sociedade deveria nos ajudar a tomar consciência disso.
O homem não devia estar a serviço da sociedade, esta sim é que deveria estar a serviço do homem. Quando o homem está a serviço da sociedade, você tem um Estado monstruoso, e é exatamente isso o que ameaça o mundo, neste momento, pois a sociedade não nos fornece rituais pelos quais nos tornamos membros da comunidade. Por isso que as religiões conservadoras, hoje, estão apelando para a religião dos velhos tempos, numa tentativa de parar este trem desgovernado, e vemos bizarrices, como a volta na crença do Criacionismo com uma interpretação ipsi literis da Bíblia. Isso é um erro terrível, pois estamos voltando a algo atrofiado, algo que não serve mais ao desenvolvimento da vida. Os mitos oferecem esses modelos de vida, mas eles têm de ser adaptados ao tempo que estamos vivendo. Acontece que o nosso tempo mudou tão depressa que, o que era aceitável há cinqüenta anos não o é mais, hoje. As virtudes do passado são os vícios de hoje. E muito do que se julgava serem os vícios do passado são as necessidades de hoje. A ordem moral tem de se harmonizar com as necessidades morais da vida real, no tempo, aqui e agora. A religião dos velhos tempos pertence a outra era, outras pessoas, outro sistema de valores humanos, outro universo. Voltando atrás, você abre mão de sua sincronia com a história. Nossos jovens perdem a fé nas religiões que lhes foram ensinadas, e vão para dentro de si, quase sempre com a ajuda de drogas (uma experiência mística mecanicamente induzida). Existe uma grande diferença entre a experiência mística e o colapso psicológico: Aquele que entra em colapso imerge sem estar preparado nas águas onde o místico nada.
As máquinas já fazem parte da nossa mitologia, dos nossos sonhos. O vôo da aeronave, por exemplo, atua na imaginação como libertação da terra. É a mesma coisa que os pássaros simbolizam, de certo modo, assim como a serpente simboliza o aprisionamento à terra. Pessoas usando armas, hoje em dia, atuam no inconsciente da mesma forma que a "Dona Morte" com sua foice atuava no passado. Diferentes instrumentos assumem o papel para o qual os instrumentos antigos já não se prestam.
O computador proporciona uma revelação sobre a mitologia: Você compra um determinado programa e ali está todo um conjunto de sinais que conduzem à realização do seu objetivo. Se você começa tateando com sinais que pertencem a outro sistema de programas, a coisa simplesmente não funciona. É o que acontece na mitologia: ao se defrontar com uma mitologia em que a metáfora para o mistério é o pai, você terá um conjunto de sinais diferentes do que teria se a metáfora para a sabedoria e o mistério do mundo fosse a mãe. E ambas são metáforas perfeitamente adequadas. Nenhuma delas é um fato. São metáforas. É como se o universo fosse meu pai, ou como se o universo fosse minha mãe. Jesus diz: "Ninguém chega ao Pai senão através de mim". O pai de que ele falava é o pai bíblico. Pode ser que você somente chegue ao pai através de Jesus. Por outro lado, suponha que você escolhesse o caminho da mãe. É simplesmente outro caminho para chegar ao mistério de sua vida. É preciso entender que cada religião é uma espécie de programa com seu conjunto próprio de sinais, que funcionam. Se uma pessoa está realmente empenhada numa religião e realmente construindo sua vida com base nisso, é melhor ficar com o programa que tem. A chave para encontrar a sua própria mitologia é saber a que sociedade você se filia.
Toda mitologia cresceu numa certa sociedade, num campo delimitado. Mas elas precisam evoluir de acordo com as circunstâncias da época. No início, Deus era apenas o mais poderoso entre vários deuses. Era apenas um deus tribal, circunscrito. Então, no século VI, quando os judeus estavam na Babilônia, foi introduzida a noção de um Salvador do mundo, e a divindade bíblica migrou para uma nova dimensão. Quando a noção de mundo se altera, a religião tem que se transformar. Mas o que vemos são as três grandes religiões do Ocidente, judaísmo, cristianismo e islamismo, com três têm nomes diferentes para o mesmo deus bíblico, e incapazes de conviver. Cada uma está fixada na própria metáfora e não se dá conta da sua referencialidade. Nenhuma permite que se abra o círculo ao seu redor. São círculos fechados. Cada grupo diz: "Somos os escolhidos, Deus está conosco".
A irmandade, hoje, em quase todos os mitos, está confinada a uma comunidade restrita. Nessas comunidades a agressividade é projetada para fora. Por exemplo, os Dez Mandamentos dizem: "Não matarás". Aí o capítulo seguinte diz: "Vai a Canaã e mata a todos os que encontrar". É um campo cercado. Os mitos de participação e amor dizem respeito apenas aos do grupo, os de fora são totalmente outros. Esse é o sentido da palavra "gentio" (a pessoa que não é da mesma espécie). E, a menos que você adote minha indumentária, não seremos parentes.
Veja a Irlanda. Um grupo de protestantes foi removido para lá no século XVII, por Cromwell, e nunca se abriu para a maioria católica que ali encontrou. Católicos e protestantes representam dois sistemas sociais totalmente distintos, dois ideais diferentes, cada qual necessitando de seu próprio mito, durante toda a trajetória. Ama teu inimigo. Abre-te. Não julgues. Todas as coisas têm a natureza do Buda. Está ali, no mito. Já está tudo ali.
Existe a história sobre um selvagem nativo, que uma vez disse a um missionário: "Seu deus se mantém fechado numa casa como se fosse velho e decrépito. O nosso está na floresta, nos campos, e nas montanhas quando vem a chuva". Não parece mais lógico? E ainda assim nos apegamos aos Templos, aos símbolos, aos livros sagrados, como se eles FOSSEM Divinos, e não só uma ponte para o Divino dentro de nós. O budismo coloca isso com clareza:
Entenda que as palavras de Buda são como um barco para cruzar o rio: Uma vez que o propósito tenha sido atingido, devem ser deixadas para trás, se quiser continuar a viagem.
(Buda; Sutra do Diamante)

Uma coisa que se revela nos mitos é que, no fundo do abismo, desponta a voz da salvação. O momento crucial é aquele em que a verdadeira mensagem de transformação está prestes a surgir. No momento mais sombrio surge a luz. Este problema pode ser metaforicamente compreendido como a identificação com o Cristo, dentro de você. Esse Cristo em você sobrevive à morte e ressuscita. Ou você pode identificar isso com Shiva: "Eu sou Shiva" – essa é a grande meditação dos iogues, no Himalaia.
Céu e inferno estão dentro de nós, e todos os deuses estão dentro de nós. Este é o grande esforço conscientizador dos Upanixades, na Índia, nove séculos antes de Jesus. Todos os deuses, todos os céus, todos os mundos estão dentro de nós. São sonhos amplificados, e sonhos são manifestações, em forma de imagem, das energias do corpo, em conflito umas com as outras. Este órgão quer isto, aquele quer aquilo. O cérebro é um dos órgãos. Quando sonhamos, pescamos numa espécie de vasto oceano de mitologia que é muito profundo. Você pode ter tudo isso misturado com complexos, coisas desse tipo, mas na verdade, como afirma o dito polinésio, você está "em pé numa baleia, pescando carpas miúdas". A baleia é a base do nosso ser, e, quando simplesmente nos voltamos para fora, vemos todos esses pequenos problemas, aqui e ali. Mas, quando olhamos para dentro, vemos que somos a fonte deles todos.
Por que os Mitos nos tocam, mesmo sabendo que são histórias inventadas? Porque SENTIMOS que elas, no íntimo, são Verdadeiras. Teria isso relação com os Arquétipos e o Inconsciente?
Nós temos o mesmo corpo, com os mesmos órgãos e energias que o homem de Cro Magnon tinha, trinta mil anos atrás. Viver uma vida humana na cidade de Nova Iorque ou nas cavernas é passar pelos mesmos estágios da infância à maturidade sexual, pela transformação da dependência da infância em responsabilidade, própria do homem ou da mulher, o casamento, depois a decadência física, a perda gradual das capacidades e a morte. Você tem o mesmo corpo, as mesmas experiências corporais, e por isso reage às mesmas imagens.
Por exemplo, uma imagem constante é a do conflito entre a águia e a serpente. A serpente ligada à terra, a águia em vôo espiritual – esse conflito não é algo que todos experimentamos? E então, quando as duas se fundem, temos um esplêndido dragão, a serpente com asas. Em qualquer parte da terra, as pessoas reconhecem essas imagens. Quer eu esteja lendo sobre mitos polinésios, iroqueses ou egípcios, as imagens são as mesmas e falam dos mesmos problemas. Apenas assumem roupagens diferentes quando aparecem em épocas diferentes, como se a mesma velha peça fosse levada de um lugar a outro, e em cada lugar os atores locais vestissem roupas locais. Surge aí a explicação para o Mito de Cristo. Ele é verdadeiro? Não tem nada mais verdadeiro. É inventado? Muito provavelmente. A confusão só se estabelece pra aquele que está preso ao materialismo, ao tempo, ao espaço. Coisas que, sabemos, só existem para nossos corpos, e não para nossa mente.
Texto extraído e adaptado do livro "O poder do Mito", de Joseph Campbell
Fonte: saindodamatrix.com.br

18 de abril de 2010

Estão Mentindo para Nós

Essa idéia já não é mais um ponto de vista de “conspiração”. Ouça atentamente: ela é uma premissa universal e velada em qualquer debate político moderno.
Quem deixou vazar o quê sobre quem? Qual foi o erro colossal que causou a mais recente pilha de cadáveres? O presidente viciado fumou ou não fumou seu cachimbo no conservatório? Além dos detalhes desvairados da manchete do dia, é geralmente dado como certo, por ambos os lados, que estão mentindo para nós. A única coisa que precisamos descobrir é: quem?
Essa questão deveria ter uma resposta fácil. Muitos de nós temos recursos inimagináveis. Quinze minutos no Google podem dar qualquer coisa a qualquer um, desde manuais de assassinato da CIA ás informações confidenciais dos negócios do presidente norte-americano, até a filiação do primeiro-ministro italiano a um grupo secreto ligado à violência política, lavagem de dinheiro e até ataques terroristas. E tudo isso será autêntico e revoltante.
Conhecimento oculto, por mais estranho que possa parecer, muitas vezes não está mais escondido. Ele nos rodeia. Se você olhar com atenção, tudo está conectado. Fatos irrefutáveis sobre uma lista fascinante de horrores estão a nossa disposição com tamanha abundância, que as verdades mais básicas – aproximadamente quantos milhares de civis morreram em um determinado país, por exemplo – deveriam ser fáceis para qualquer um acreditar.
E, mesmo assim, não acreditamos. Tudo que sabemos é que estão mentindo para nós.
Como pode ser?Talvez algumas das nossas conexões ocultas possam revelar bastante.
Como exercício, uma vez tentei verificar quantos passos eu precisaria para me ligar a Hitler, Stalin e Mao – no melhor estilo “Seis Graus de Separação”. Para minha surpresa nunca precisei dos seis passos. Só tive de usar quatro com Mao. Para usar o caso de Hitler como exemplo, um dos meus amigos mais próximos trabalha como jornalista investigativo (1) e passou boa parte de seu tempo livre como um notório agente da CIA (2), que trabalhou muitos anos no Chile com um fugitivo nazista (3), que era próximo, isso mesmo, de Hitler (4).
Então, eu estou ligado a Hitler, Stalin e Mao Tse-tung? Essa é uma palavra que me assusta, mas eu preciso digitá-la: sim. Nós podemos discutir quantos graus importam, mas a resposta final está bastante clara.Quanto o Hitler: eu sou realmente amigo do meu amigo, vivo por vontade própria em um país que acolheu criminosos de guerra e me beneficiei dos resultados econômicos de uma política brutal. Estou ligado a ele, de fato, dois graus além do que eu gostaria.
E agora, ainda dentro dos seis graus de separação, você também está ligado.
É claro, você pode escolher jamais ler documentos detalhados sobre criminosos de guerra que receberam proteção da CIA, ou negar os fatos históricos que mostram o apoio americano a políticas brutais comandadas pela Wall Street. Você pode recuar e fazer de conta que nenhum grau de separação importa além do primeiro. Obviamente não somos responsáveis pelo que é feito em nosso nome. Assim você está liberado.
Parabéns! Ei, eu invejo você!
No entanto, se estiver mais interessado na verdade do que em seu conforto: você provavelmente vive no mesmo país que eu e, provavelmente, fez nada ou quase nada para mudar a exploração impecável que nosso país impõe aos países em desenvolvimento. Aí você entra com uns dois passos, pelo menos.

Agora vem a parte difícil: quando uma grande instituição age em seu nome – com ou sem a sua aprovação – qual é o tamanho da sua responsabilidade? Acredito que muitas discussões ao lado dos bebedouros, nos programas de rádio e nos talk shows da manhã de domingo sejam sobre isso.
O aquecimento global é real? Qual é o tipo de carro que você dirige e quanto combustível você usa?
Os sindicatos de trabalhadores são uma boa idéia? No que você trabalha?
Menos impostos para os ricos é justo? Quanto dinheiro você tem e como vão seus investimentos?
Qualquer busca por verdades políticas envolve, inevitavelmente, o exame das verdades pessoais.
Em termos religiosos, esse é o local onde a luta pela própria alma começa. Quanta verdade nós estamos dispostos a buscar? Quais serão as duras conseqüências de se buscar a verdade – toda ela – sobre nós? E estaremos dispostos a abraçá-la pelo bem maior? Quanta responsabilidade somos capazes de agüentar.
Estamos sendo enganados. Por nós mesmos. E são nesses momentos que nós (você e eu) permitimos que as coisas erradas aconteçam. Ironicamente, é nesse instante que se nega a responsabilidade pelas tragédias que são de nossa responsabilidade.
Essa pode ser a única verdade oculta que não pode ser encontrada na internet.
Nesse caso, as coisas só podem mudar quando não nos esquivamos de nossas falhas, quando paramos de acreditar que somos perfeitos e simplesmente tentamos fazer o bem.
As ações que tomamos depois disso, não importa quais sejam, serão atos de fé – não em uma divindade, mas na virtude latente da própria humanidade.
Bob Harris da HQ “Revelações”

16 de abril de 2010

Você é Responsável?

"Se há um fator que parece ser essencial (num sentido de obrigatório) para qualquer transformação, seja ela interior ou exterior, na vida de um ser humano, este é a responsabilidade. Qualquer autor, professor, mestre, guru, etc., honesto dirá que a primeira atitude que uma pessoa deve tomar, se realmente deseja mudar sua vida para melhor, é a de tomar para si 100% das responsabilidades por tudo que acontece consigo e a sua volta. Eu já escrevi, transcrevi e traduzi bastante textos sobre isso. E hoje, trago um novo texto de Osho, traduzido por mim, em que ele bate novamente nessa tecla: Pare de reclamar e culpar os outros. A responsabilidade pela sua vida e tudo o que acontece (ou deixa de acontecer) nela é toda SUA."
Osho - O texto é um trecho retirado do capítulo 5, do “Book of Wisdom”.

As pessoas freqüentemente fazem com que eu me sinta estúpido, como posso mudar isso?
A mente comum sempre joga a responsabilidade em alguém. É sempre o outro que está fazendo você sofrer. A sua esposa está fazendo você sofrer, o seu marido está fazendo você sofrer, os seus pais estão fazendo você sofrer, os seus filhos estão fazendo você sofrer, ou o sistema financeiro da sociedade, capitalismo, comunismo, fascismo, a ideologia política predominante, a estrutura social, ou o destino, carma, Deus… dê o nome que preferir!
As pessoas possuem milhões de maneiras de se esquivar da responsabilidade. Mas no momento que você diz que outra pessoa - X, Y, Z - está fazendo você sofrer, então você não pode fazer nada para mudar isso. O que poderia fazer? Quando a sociedade muda, e o comunismo chega e há um mundo sem classes, então todo mundo será feliz. Antes disso, não é possível. Como você pode ser feliz em uma sociedade que é pobre? E como você pode ser feliz em uma sociedade que é dominada pelos capitalistas? Como você pode ser feliz em uma sociedade que é burocrática? Como você pode ser feliz em uma sociedade que não permite a sua liberdade?
Desculpas e desculpas e desculpas - desculpas somente para evitar uma única idéia que é “Eu sou responsável por mim. Ninguém mais é responsável por mim; é completa e totalmente minha responsabilidade. Seja o que for que eu seja, sou minha própria criação.” Este é o significado do sutra.
Dirija toda a culpa para um.
E este um é você.
Uma vez que essa idéia seja compreendida:
“Eu sou responsável pela minha vida - por todo o meu sofrimento, pela minha dor, por tudo que aconteceu comigo e que está acontecendo - eu escolhi dessa maneira; estas são as sementes que eu plantei e que agora estou colhendo os frutos; eu sou responsável - uma vez que esta idéia se torne uma compreensão natural para você, então tudo o mais é simples. Então a vida começa a tomar um novo rumo, começa a se mover para uma nova dimensão. Essa dimensão é conversão, revolução, mutação - por que uma vez que eu saiba que sou responsável, eu também sei que posso me desprender daquilo a qualquer momento que eu decidir. Ninguém pode me impedir de me desprender do sofrimento.
Alguém pode impedir você de abandonar a sua miséria, de transformar a sua miséria em felicidade? Ninguém. Mesmo que você esteja na cadeia, acorrentado, aprisionado, ninguém pode aprisionar VOCÊ; a sua alma continua livre. É claro que você está em uma situação bem limitadora, mas mesmo nesta situação limitadora, você pode cantar uma música. Você pode tanto chorar lágrimas de desamparo, ou pode cantar uma canção. Mesmo com correntes nos seus pés você pode dançar; então até mesmo o som das correntes irá adicionar melodia a isso.
Próximo sutra: Seja grato a todos.
Atisha é realmente muito muito científico. Primeiro ele diz: Tome responsabilidade total por si mesmo. Em segundo ele diz: Seja grato a todos. Agora que ninguém é responsável pela sua miséria a não ser você - se a miséria é toda coisa sua, então o que sobra?
Seja grato a todos.
Por que todo mundo está criando um espaço para você ser transformado - mesmo aqueles que pensam que estão obstruindo você, mesmo esses que você pensa que são inimigos. Os seus amigos, os seus inimigos, boas e más pessoas, circunstâncias favoráveis, circunstâncias desfavoráveis - todos juntos estão criando o contexto em que você pode ser transformado e se tornar um Buda. Seja grato a todos - àqueles que ajudaram, àqueles que atrapalharam, àqueles que foram indiferentes. Seja grato a todos, pois todos juntos estão criando o contexto em que Budas são criados, em que você pode se tornar um Buda.
fonte: inconscientecoletivo.net

8 de abril de 2010

Lost: Ab Aeterno

"E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero.
Portanto, se tu me adorares, tudo será teu."
Lucas vs. 4
fonte: mbradyclark.com

Magnetismo Animal

As experiências modernas com hipnose e estados de transe começam com Friedrich Anton Mesmer (1734-1815). Nascido em Izang, Swabia, Alemanha, em 23 de maio de 1734. Estudou Teologia e Filosofia antes de ingressar, em 1759, no curso de Direito para, no ano seguinte, iniciar seus estudos em Medicina. Estudou também Música e abraçou o estudo das ciências proibidas – a Astrologia e a Alquimia, o que contribuiu para a elaboração de sua tese. Entrou na Universidade de Viena, onde – influenciado pelas idéias de Paracelso. Mesmer doutorou-se com uma tese intitulada: Dissertatio physico-medica de planetarum influxu, na qual se propunha demonstrar a influência dos astros e dos planetas, ao mesmo tempo como causas de doenças e como forças curativas.
Mesmer estava preocupado unicamente com o conteúdo de sua descoberta, e não com a forma de aplicá-la. Ele considerava transitório, e até mesmo irrelevante, o uso de instrumentos em sua terapia. Em nenhuma parte de sua obra ele estabeleceu um método de cura que pudesse ser ensinado ou seguido pelos médicos.
De acordo com Mesmer, um médico, conhecedor da fisiologia, da patologia e das teorias do magnetismo animal poderia encontrar em sua prática os meios mais adequados à sua natureza e a de seus pacientes:
“Esperam-se sem dúvida explicações sobre a maneira de se aplicar o magnetismo animal, e de torná-lo um meio curativo eficaz; mas como, independentemente da teoria, este novo método de curar exige indispensavelmente uma instrução prática e seguida, não creio ser possível dar aqui a descrição, nem desta prática, nem do aparelho e das máquinas de diferentes espécies, nem dos procedimentos de que me servi com sucesso, porque cada um, em conseqüência da sua instrução, se aplicará em estudá-los, e aprenderá por si mesmo a variá-los e a acomodá-los às circunstâncias e às diversas situações da doença.” (Mesmer, 1799)
O magnetizador deveria desenvolver seus métodos terapêuticos pelo livre exercício da experimentação, respeitando uma condição essencial da ciência.
Quando alguns discípulos de Mesmer quiseram publicar as anotações de seu curso, que continham a descrição de alguns instrumentos, foram expressamente desautorizados por ele. Porém, agindo, contra a vontade de seu mestre, levaram ao público seus 344 Alforismos anotados durante as aulas.
Em 1774 Mesmer começou a propagar a sua teoria do magnetismo animal que se resume no seguinte (segundo os 27 aforismos por ele publicados em Paris, em 1776): A doença resulta da freqüência irregular dos fluidos astrais e a cura depende da regulagem adequada dos mesmos, com a ajuda de uma pessoa que tenha a habilidade de controlar esses fluidos, que existiria em todas as pessoas, e transmiti-los aos outros, utilizando a imposição das mãos (ou passes) a fim de que as ondas emanem da ponta dos dedos ou guiando a energia com uma varinha de ferro, de forma direta ou indireta (por meio de objetos magnetizados pelo seu contato) ao qual ele chamou de “magnetismo animal”, devido as suas características de fluxo e refluxo, atração e repulsão, semelhante ao magnetismo mineral. Ao entrar em contato com esse “fluido” o indivíduo entraria em “crise” (convulsões) – sem a qual não seria produzida a cura.
Essas “crises” produziam, por vezes, a cura das doenças sem que fosse necessária a prescrição de remédios ao paciente (tais “crises” compreendiam na maioria dos casos convulsões caracterizadas por movimentos violentos e involuntários do corpo todo, constrição da garganta, palpitação e náuseas, os olhos envesgam e piscam constantemente, delírios, isto tudo é precedido ou seguido de um estado de languidez e fantasia, um tipo de abatimento ou sono – Na maioria das vezes o doente debatia-se, agitava-se violentamente, parecia, finalmente, desfalecer e entrar em calma, tendo os seus sintomas aliviados). Ele achava que, provocando as convulsões nos pacientes submetidos ao magnetismo, colocaria os fluidos do corpo em harmonia, banindo o mal [não nos esqueçamos que estamos falando de uma época em que era praxe médica prescrever-se sangrias em pacientes em estado grave de saúde com o auxílio de punhais – quase nunca esterelizados, ou de sanguessugas!]. Mesmer conseguiu curar um grande número de pessoas usando apenas o método que inventara, realizando várias cirurgias e anestesias sobre o sono mesmérico, desenvolvendo-se a partir daí a expressão Mesmerismo.
Fonte: http://www.espiritualismo.hostmach.com.br/passes.htm

5 de abril de 2010

O Tolo que era Sábio

Todos os dias o Mullah Nasrudin ia esmolar na feira, e as pessoas adoravam vê-lo fazendo o papel de tolo, com o seguinte truque:
Mostravam duas moedas, uma valendo dez vezes mais que a outra. Nasrudin sempre escolhia a menor. A história correu pelo condado.
Dia após dia, grupos de homens e mulheres mostravam as duas moedas, e Nasrudin sempre ficava com a menor. Até que apareceu um senhor generoso, cansado de ver Nasrudin sendo ridicularizado daquela maneira. Chamando-o a um canto da praça, disse:
- Sempre que lhe oferecerem duas moedas, escolha a maior. Assim terá mais dinheiro e não será considerado idiota pelos outros.
Nasrudin lhe respondeu:
- O senhor parece ter razão, mas se eu escolher a moeda maior, as pessoas vão deixar de me oferecer dinheiro, para provar que sou mais idiota que elas. O senhor não sabe quanto dinheiro já ganhei, usando este truque.
E cheio de sabedoria acrescentou:
- Não há nada de errado em se passar por tolo, se na verdade o que você está fazendo é inteligente. Às vezes, é de muita sabedoria se passar por tolo e é muito melhor passar por tolo e ser inteligente do que ter inteligência e usar fazendo tolices.

“Os sábios não dizem o que sabem, os tolos não sabem o que dizem!”
Fonte: Poesia Sufi