30 de março de 2012

Assim falou Tyler Durden... 2

"Você abre a porta e entra
Está dentro do seu coração
Imagine que sua dor é uma bola de neve que vai curar você
Esta é sua vida
É a última gota pra você
Melhor do que isso não pode ficar
Esta é sua vida
Que acaba um minuto por vez
Isto não é um seminário
Nem um retiro de fim de semana
De onde você está não pode imaginar como será o fundo
Somente após uma desgraça conseguirá despertar
Somente depois de perder tudo, poderá fazer o que quiser
Nada é estático
Tudo é movimento
E tudo esta desmoronando
Esta é sua vida
Melhor do que isso não pode ficar
Esta é sua vida
E ela acaba um minuto por vez
Você não é um ser bonito e admirável
Você é igual à decadência refletida em tudo
Todos fazendo parte da mesma podridão
Somos o único lixo que canta e dança no mundo
Você não é sua conta bancária
Nem as roupas que usa
Você não é o conteúdo de sua carteira
Você não é seu câncer de intestino
Você não é o carro que dirige
Você não é suas malditas calças
Você precisa desistir
Você precisa saber que vai morrer um dia
Antes disso você é um inútil
Será que serei completo?
Será que nunca ficarei contente?
Será que não vou me libertar de suas regras rígidas?
Será que não vou me libertar de sua arte inteligente?
Será que não vou me libertar dos pecados e do perfeccionismo?
Digo: você precisa desistir
Digo: evolua mesmo se você desmoronar por dentro
Esta é sua vida
Melhor do isso não pode ficar
Esta é sua vida
e ela acaba um minuto por vez
Você precisa desistir
Estou avisando que terá sua chance"

(Tyler Durden; Clube da Luta)

26 de março de 2012

Os Raios Catódicos de Cronenberg

Videodrome é também uma das primeiras tentativas de dar conta dos efeitos da televisão e da nova cultura do vídeo. O Dr. O'Blivion, por exemplo, é uma pura existência midiática, uma vez que ele só tem vida nas fitas de vídeo que restaram de sua obra. A imagem na telinha é um jogo entre dois grupos extremistas, um que deseja remoralizar o mundo matando todos os depravados e outro que quer transformar a carne do homem em uma nova carne. O lema desse grupo é "Long live the new flesh/Viva a nova carne", e as campanhas de educação à nova carne e aos raios catódicos é realizada em um centro cívico de recuperação de mendigos e de emissões de raios catódicos. Nesse clima brutal de alienação pelo vídeo, a resposta de Cronenberg é a mais brutal já feita em seu cinema.
Videodrome é o filme mais rebuscado, mais cáustico e excessivo de Cronenberg. O enredo rocambulesco e todas as implicações que o filme traz fazem de Videodrome a obra-prima de juventude de seu autor. James Woods é o diretor de um canal de filmes pornôs, a Civic TV, e dá de encontro com um tipo de filme em que o que se vê na tela (estupros, torturas, agressões) não é encenação, tudo realmente acontece (o que hoje é caracterizado como snuff movie, mas na época não tinha nome). Como que hipnotizado por essas imagens, Max Renn vai ao encontro de Nikki Brand, uma famosa apresentadora de rádio para saber mais sobre elas. Os dois acabam desenvolvendo uma relação de amor e de fascinação por esses vídeos, que vão acabar levando a personagem Nikki a desaparecer. Renn vai então à procura do Dr. Brian O'Blivion (oblivion significa esquecimento), um profeta da televisão que prega que a emissão de raios catódicos leva o homem a um estágio maior de evolução.

Videodrome é também uma das primeiras tentativas de dar conta dos efeitos da televisão e da nova cultura do vídeo. O Dr. O'Blivion, por exemplo, é uma pura existência midiática, uma vez que ele só tem vida nas fitas de vídeo que restaram de sua obra. A imagem na telinha é um jogo entre dois grupos extremistas, um que deseja remoralizar o mundo matando todos os depravados e outro que quer transformar a carne do homem em uma nova carne. O lema desse grupo é "Long live the new flesh/Viva a nova carne", e as campanhas de educação à nova carne e aos raios catódicos é realizada em um centro cívico de recuperação de mendigos e de emissões de raios catódicos. Nesse clima brutal de alienação pelo vídeo, a resposta de Cronenberg é a mais brutal já feita em seu cinema.
Temos um simples quadro dos elementos que se tornariam tão caros a Cronenberg: uma evolução que acaba se tornando em regressão (A Mosca, Rabid, Scanners), uma obsessão logo transformada em vício (Naked Lunch, Crash, M.Butterfly) a as mutações do corpo causadas pelos videodromos, que na verdade revelam ser apenas janelas mentais para emissões imperceptíveis que causam um tumor no cérebro cujo primeiro sintoma é causar alucinações em quem é atingido. Por trás da filosofia moralista que envolve a disseminação do videodromo — que é realmente a única coisa falha no filme —, podemos ver, entretanto, um lado negro da América que surgia: pastores televisivos, nova moralidade das ligas de pais contra a pornografia e os termos de baixo calão, etc.

Mas o que faz a grandeza de Cronenberg é que, pela única vez em sua obra, nos é dada a visão daquele que sofre com o vício. O filme é todo construído a partir do ponto de vista da alucinação, não do que acontece realmente. Daí vermos esguichos de gosma saindo da barriga de James Woods, um vídeo-cassete que é ora inserido ora retirado de uma vulva que nasce em sua barriga, uma fita de vídeo que se transforma em revólver, uma televisão que engole o espectador. Não sabemos o que realmente acontece e o que é imaginação: tudo para o espectador é dado como se tudo que está na tela realmente estivesse acontecendo (e realmente está, do ponto de vista do personagem).

A última seqüência é uma conversa de Nikki, na televisão, já dada como morta, conversando com Max. Ela explica a ele todas as transformações pelas quais ele passou e fala que vai indicar qual é o próximo caminho. Depois de um breve contracampo para o rosto de Max, vemos a câmara se aproximando aos poucos da tevê, e Max vê a si próprio na telinha, com um revólver na mão, que ele eleva até a têmpora, para por fim atirar. Mais um contracampo mostra Max distanciado, com a mesma aproximação da câmara momentos antes. Tal qual na televisão, ele alça o olhar para frente, fixo no espectador, coloca o revólver na têmpora e repete a operação. Em tempos em que a ciência social começou a se aproximar da televisão como instauradora da realidade (Baudrillard, por exemplo), o cinema deu a sua contribuição mais espetacular e apocalíptica à questão, num claro artifício pavloviano de ação-reflexa. Se a primeira metade do século viu a reprodução em massa e a segunda metade viu a repetição em massa (como Godard já mostrou no curta O Novo Mundo), Videodrome aparece como um filme de exceção, que mostra o presente hiperbolizado para que nós possamos nos reconhecer melhor e para que possamos medir nossos atos mais sensivelmente.
Filme-delírio como poucos realizados até hoje, Videodrome é assustador como poucos, certamente o mais destruidor filme de Cronenberg, sobretudo porque o próprio tema exige grande parte dessa destruição. A desumanização é aterrorizante, as relações se dão todas pelo vídeo. O mundo daqui em diante será oblivion. Videodrome tem irmãos, como Dr. M, de Chabrol, ou Eles Vivem, de Carpenter (esses dois últimos de 89). Mas nenhum soube ser tão pessimista, tão certo de um no future assim. O indivíduo está jogado num vazio de alucinações e nem tem como voltar atrás. A única solução é se matar por um slogan. A cultura do vídeo é fundamentalista, e não há melhor saída para o fundamentalismo que a autofagia.
por Ruy Gardiner.

19 de março de 2012

Vision of Life


“Quando você está crescendo, você tende a ser ensinado que o mundo é como é, e que a sua vida se resume a ser vivida dentro do mundo.

Tentar não quebrar muito a cabeça. Tentar construir uma bela família, se divertir, economizar um pouco de dinheiro.

Essa é uma vida muito limitada.

A vida pode ser muito mais abrangente a partir do momento em que você descobrir um simples fato: tudo à sua volta, que você chama de vida, foi construído por pessoas nada mais inteligentes do que você, e você pode mudar tudo isso, você pode influenciar tudo isso, você pode construir coisas que outras pessoas irão utilizar.

Uma vez que você aprender isso, você nunca mais será o mesmo.”
- Steve Jobs

12 de março de 2012

Desistir?

Por Fernando Luz

Se não temos tempo e disposição nem para a academia três vezes por semana, por que gastar escassos recursos com um emprego que não vai para a frente?

“Quem desiste é perdedor”. Você já deve ter ouvido isso. Não com essas palavras, é provável. Mas um: “desistir jamais” na traseira dum caminhão, num livro de auto-ajuda ou na boca da sua tia menos legal. Eu não gosto de ser do contra, mas preciso dizer: Quem desiste não é perdedor coisíssima nenhuma.

Seth Godin é um desses caras que você lê um post no blog, ou duas páginas num livro e acha sensacional. Parece que ele pensa como você, só que com dez anos a mais de experiência – e consequente maturidade. A teoria do “desistir é bom” eu chupei de um livro dele chamado O Melhor Do Mundo.

Nesse livro, Seth fala algo que você já sabe: desistir porque está muito difícil é bobagem. E outra coisa que também deve saber, mas não dá muita atenção: se você está num projeto que não tem como evoluir independente do que você faça, desistir é uma ótima ideia.

E isso vale para (praticamente) tudo. Uma carreira, uma empresa, um livro, um hobby, um relacionamento, um projeto, ou até um . . . . . . . . . . . . (escreva na linha pontilhada aquilo que você está pensando).

Talvez no mais clássico de seus livros – Marketing de Permissão – o mesmo Seth Godin fala (dentre muitas outras coisas) sobre a escassez do tempo e disposição gerada graças à revolução tecnológica.

O que ele quer dizer é que, se a gente não tem tempo e disposição nem pra ir pra academia três vezes por semana, por que deveríamos gastar nossos escassos recursos com um emprego que não vai pra frente, ou num relacionamento fadado ao fracasso?

Falta de coragem para desistir. Eis o motivo.

Vou contar uma história.

Há sete anos, Augusto joga tênis, mas até hoje não ficou bom. De vez em quando, ele até ganha uma partida. Mas só quando o adversário tem mais de 60, ou menos de 15 anos.

O que isso significa?

Significa que ele é mediano. E se quiser ser excelente em algum esporte, o que precisa fazer é desistir do tênis e tentar outra coisa. Ping pong, por exemplo.

A nossa sociedade desvaloriza os desistentes, mas desistir é a única forma de canalizar recursos para realizar outro projeto com maiores chances de sucesso.

Claro que ninguém está aqui recomendando que você desista das coisas por contas dos problemas que vai enfrentar. É exatamente o contrário, aliás. Enquanto existir batalhas, há chances de vitórias. O problema é quando:

1. Não há desafios;

2. Você não tem talento suficiente para superar os desafios – e isso exige autoconhecimento.

O livro “O Melhor do Mundo” do Seth Godin e esse texto têm o mesmo objetivo: incentivar você a desistir de tudo que não te faz um profissional ou (por que não?) uma pessoa melhor.

Claro que isso só é válido para quem deseja ser excelente no que faz. E é exatamente por isso que serve para você. Afinal, se esse não fosse seu desejo, você nem teria lido esse artigo inteiro.


[Webinsider]

8 de março de 2012

Pensar com Exatidão

Por Karina 

"Quando todos pensam o mesmo, ninguém está pensando.”
(Walter Lippmann)

“Duvidar de tudo ou crer em tudo: são duas soluções igualmente cômodas, que nos dispensam ambas de refletir.”

 (Henry Poincaré)

O pensar com exatidão nada mais é do que ter um mínimo do bom e velho senso crítico. É parar de acreditar nos outros por esporte e passar a analisar as informações que recebe, independentemente de quem as disse. Esse é um hábito de vital importância exatamente porque ele previne que você crie/aceite crenças e condicionamentos que, além de não beneficiarem você em nada, simplesmente não são verdadeiros! As pessoas passam para frente todo tipo de opinião infundada, normalmente informações que leram ou ouviram e que não tiveram o trabalho de verificar a fonte.

E TODO mundo faz isso (não é a sociedade lá fora ou “as pessoas”), com maior ou menor freqüencia, em maior ou menor grau, ainda mais quando o assunto tem algum tipo de apelo emocional para a pessoa (tradições familiares, crenças religiosas ou não-religiosas, costumes, para citar alguns). É sempre bem mais fácil ser crítico ou cético com relação aos outros, mas na hora de aplicar o mesmo método de raciocínio consigo mesmo, a coisa complica. E a ideia principal do uso do Pensar com Exatidão, como proposto por Hill, é utilizar essa forma de pensar especialmente quando você faz a sua auto-análise.  Você já aceitou tanto lixo dos outros que deve cuidar principalmente com a sua própria opinião… ela é realmente sua? Hill enfatiza o “sentir” e o “intuir”, como formas válidas de análise de informações, mais do que somente o raciocínio intelectual em si. Porque nem tudo que é lógico é necessariamente verdadeiro… Mas, é claro, é preciso treinar a intuição e saber diferencia-la de outras sensações que nada mais são do que reações baseadas em medos, preconceitos e/ou julgamentos seus. E como se aprende a fazer essa diferenciação? Com auto-análise.

Em resumo, a ideia é ser científico. A informação que recebi tem alguma validade prática? Tem algum benefício real? Me faz evoluir, seja financeira, intelectual, física ou espiritualmente? Provoca alguma mudança positiva em algum aspecto da minha vida? Eu me torno melhor ou mais feliz aceitando isso?

Não tenha medo de mudar suas ideias, de rever seus conceitos… (e a sua auto-análise, o seu autoconhecimento, vai te cobrar isso) tenha medo de não ter nem ideias próprias para mudar. Isso sim é horrível! Mas não mude apenas ou porque alguém disse, mude porque você chegou a uma nova consciência sobre o assunto (prefiro evitar a palavra “conclusão” porque ela dá a ideia de um raciocínio que se fechou sobre algum conceito/fato) e o seu crescimento, a sua evolução demandou tal mudança. Afinal, a única e verdadeira mudança é quando você muda por si e para si.

Lembre-se sempre de lidar com um fato da maneira como ele é, não da maneira como você gostaria que ele fosse.

“Não acredite no que você ouviu;
Não acredite em tradições porque elas existem há muitas gerações;
Não acredite em algo porque é dito por muitos;
Não acredite meramente em afirmações escritas de sábios antigos;
Não acredite em conjecturas;
Não acredite em algo como verdade por força do hábito;
Não acredite meramente na autoridade de seus mestres e anciãos.
Somente após a observação e análise, e quando for de acordo com a razão
e condutivo para o bem e benefício de todos, somente então aceite e viva para isso.”

(Gautama Buda)


fonte: inconscientecoletivo.net