31 de dezembro de 2008

Shamballa

"Apenas em silêncio, ouvimos o ruído ensurdecedor do infinito"

"Seu ego é um enorme bloco de madeira. Minha lâmina perde o fio... e o bloco permanece intacto."


"No momento da rendição, tudo o que sou... surgiu... e eu vi... Não! Foi mostrado! A verdade que você não pode ver; a verdade que inclusive Maya não viu: o cataclisma final tomaria lugar, não externamente... mas internamente. O purgatório ocorrerá em cada coração. Os fogos queimarão em cada alma. O 'Período de Ouro' profetizado vai chegar a cada um a seu tempo."


Trechos da HQ Shamballa de J. M. DeMatteis.

30 de dezembro de 2008

V de Vingança

“Vi veri veniversum vivus vici”
(Pelo poder da verdade, eu, enquanto vivo, vencerei)

...O pano de fundo se rasga, os cenários desaparecem e o elenco é devorado pela peça. Há um assassino na matinê. Há cadáveres na platéia. Os produtores e atores também não estão certos se o show terminou. Com olhares oblíquos, esperam suas deixas... mas a máscara apenas sorri.
Não se deve contar com a maioria silenciosa, pois o silêncio é algo frágil, um ruído alto... e está tudo acabado. O povo está amedrontado e desorganizado demais. Alguns podem ter tido a oportunidade de protestar, mas foram como vozes gritando no deserto. O barulho é relativo ao silêncio que o precede. Quanto mais absoluta a quietude, mais devastadoras as palmas. Nossos mestres não ouvem a voz do povo há gerações... e ela é muito mais alta do que eles se recordam.

A ordem involuntária gera insatisfação, mãe da desordem, prima da guilhotina. Sociedades autoritárias são como a formação de crostas de gelo intricadas, mecanicamente precisas e, acima de tudo, precárias. Sob a frágil superfície da civilidade, o caos se convulsiona... e há locais onde o gelo é traiçoeiramente fino. A autoridade, quando detecta o caos pela primeira vez em seus calcanhares, fará coisas mais vis para preservar a fachada da ordem... mas, como sempre, ordem sem justiça, sem amor ou liberdade, que não pode deter a queda de seu mundo para o holocausto. A autoridade permite dois papéis: o torturador e o torturado. Ela transforma as pessoas em manequins amorosos que temem e odeiam, enquanto a cultura mergulha no abismo. A autoridade deforma completamente a educação das crianças, zomba de seu amor... O colapso da autoridade permeia o leito, as diretorias, a igreja e a escola. Tudo é mal gerido. A igualdade e a liberdade não são luxos a serem levianamente desprezados. Sem elas, a ordem não pode persistir antes de alcançar grandes profundezas.

...Ele se arrependerá de sua promiscuidade, o vilão que roubou meu único amor, quando souber que há muitos anos... eu me deito com o seu.

Eu te amo, mas por que amas a lei? Todos sabem que ela é uma prostituta que pessoas não necessitam cortejar; que vilões a distorcem e depois ignoram.

Compreendendo a melodia, podemos ouvir a música que há na vida, desde os primeiros trinados... até seus acordes de encerramento.
Com a ciência as idéias podem germinar num leito de teorias que auxiliam seu crescimento, mas nós, como jardineiros, devemos estar atentos... porque algumas sementes são de ruínas... e os botões mais iridescentes são geralmente os mais perigosos.

A anarquia ostenta duas faces, a de criadora e de destruidora. Destruidores derrubam impérios e, com os destroços, os criadores erguem mundos melhores.

Trechos da HQ V de Vingança de Alan Moore e David Lloyd

Admirável Mundo Novo

“Ó maravilha!
Que adoráveis criaturas aqui estão!
Como é belo o gênero humano!
Ó Admirável Mundo Novo
Que possui gente assim!”
Shakespeare – Tempest

Vendo bem, parece que a Utopia está mais próxima de nós do que se poderia imaginar (...). Hoje parece praticamente possível que esse horror se abata sobre nós dentro de um século. Isto se nos abstivermos, até lá, de nos fazermos explodir em bocadinhos. Na verdade, a menos que nos decidamos a descentralizar e a utilizar a ciência aplicada não com o fim de reduzir os seres humanos a simples instrumentos, mas como meio de produzir uma raça de indivíduos livres, apenas podemos escolher entre duas soluções: ou um certo número de totalitarismos nacionais, militarizados, tendo como base o terror da bomba atômica e como conseqüência a destruição da civilização (ou, se a guerra for limitada, a perpetuação do militarismo), ou um único totalitarismo internacional, suscitado pelo caos social resultante do rápido progresso técnico em geral e da revolução atômica em particular, desenvolvendo-se, sob a pressão da eficiência e da estabilidade, no sentido da tirania-providência da Utopia. É pagar e escolher.

“Os mais fortes juramentos são como palha para o sangue em fogo: seja mais abstêmio, senão dê boa noite a seu voto.”
Shakespeare – Tempest

O homem envelhece; tem o sentimento radical da fraqueza, da languidez, do desconforto, devido à idade avançada; assim se sentindo, pensa estar doente e acalenta seus temores com a idéia de que sua situação angustiosa se deve a alguma causa particular, da qual espera se recuperar, como de qualquer doença. Vã imaginação! Essa doença é a velhice; e é uma moléstia horrível. Diz-se que é o medo da morte e do que vem depois dela que leva os homens a se dirigirem à religião quando avançam nos anos. Mas minha experiência me deu a convicção de que, inteiramente à parte de quaisquer desses temores imaginários, o sentimento religioso tende a desenvolver-se à medida que envelhecemos; desenvolver-se porque, tendo-se acalmado as paixões, estando a imaginação e a sensibilidade menos excitadas e menos excitáveis, a razão é menos perturbadora em seu trabalho, menos ofuscada pelas imagens, desejos e distrações que a absorviam; então Deus emerge como que detrás das nuvens; a alma sente, vê, volta-se para a fonte de toda a luz; volta-se natural e inevitavelmente; porque quando começa a desaparecer tudo o que dava vida e encanto ao mundo das sensações, quando a existência material já não é mais sustentada pelas impressões exteriores e interiores, sente a necessidade de um apoio em alguma coisa que permaneça e não logre – numa realidade e, numa verdade absoluta e eterna. Sim volta-se par Deus; porque seu sentimento religioso é tão puro, tão delicioso para a alma que o experimenta, que compensa todas as outras perdas.

“Aterrado o senso de propriedade,
Pois que já não era o mesmo indivíduo,
Duplo nome de uma só natureza,
Que não se chamava dois nem um.
E depois ficou confusa a razão,
Vendo aumentar em si a divisão.”
Shakespeare – The Phoenix and the Turtle

- “Meu caro amigo - disse Mustafá Mond -, a civilização não tem a menor necessidade de nobreza ou de heroísmo. Essas coisas são sintomas de incapacidade política. Numa sociedade convenientemente organizada como a nossa, ninguém tem oportunidade de ser nobre ou heróico. É necessário que as coisas se tornem essencialmente instáveis para que semelhante ocasião se possa apresentar. Onde houver guerras, onde houver juramentos de fidelidade múltiplos e divididos, onde houver tentações às quais é necessário resistir, objetos de amor pelos quais é preciso lutar ou que é preciso defender, aí, manifestamente, a nobreza e o heroísmo têm um sentido. Mas hoje já não há guerra. Toma-se o maior cuidado para evitar amar exageradamente seja quem for. Não há nada que se assemelhe a um juramento de fidelidade múltipla, está-se de tal modo condicionado, que ninguém pode deixar de fazer o que tem a fazer. E se aquilo que há a fazer é, no conjunto, tão agradável, deixa-se uma tão grande margem a um tão grande número de impulsos naturais que não há verdadeiramente tentações a que seja necessário resistir. E se alguma vez, por qualquer infelicidade, acontece, por esta ou aquela razão, algo de desagradável, pois bem, há sempre o soma para permitir uma fuga da realidade, há sempre o soma para acalmar a cólera, para fazer a reconciliação com os inimigos, para dar paciência e para ajudar a suportar os dissabores. Outrora não se podiam conseguir todas estas coisas senão com grande esforço e depois de anos de penoso treino moral. Agora tomam-se dois ou três comprimidos de meio grama, e é tudo. Pode-se trazer conosco, num frasco, pelo menos metade da própria moralidade. O cristianismo sem lágrimas, eis o que é o soma”.

“Dormir, nada mais.
Dormir, sonhar, talvez.
E nesse sono da morte,
Que sonhos?...”
Shakespeare – Hamlet

Trechos do livro Admirável Mundo Novo
Aldous Huxley

Se

Se és capaz de manter tua calma quando
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.

Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.

Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,
de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires
tratar da mesma forma a esses dois impostores.

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
em armadilhas as verdades que disseste
e as coisas por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.

Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida.

De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.

Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!
Rudyard Kipling

29 de dezembro de 2008

Os Livros da Magia I

A chama vermelha bruxelante no muro da caverna
(Pintada de ocre, corante, carvão vegetal)
Fazendo o grande alce se mover,
Fazendo o mastodonte respirar,
Fazendo o caçador correr e matar.

Veja como procuram apaziguar e entender o mundo acima
Isto eles sabem:

Isto eles entendem:
Há escuridão por toda parte, lá fora.

O escuro está em toda parte, e embora o sol se levante,

E embora o fogo brote e seja domesticado,
A escuridão está ali.
A escuridão está à espera.

E as coisas na escuridão,

Que sussurram antes de festejar,
Devem ser aplacadas e persuadidas,
Devem ser amadas e pedem sacrifícios,
Devem ser alvo de súplica e desconfiança.

E assim existe a magia.

Um museu de fantasmas.

A ascensão de impérios, efemérides que lampejam e se vão.

No delta do Nilo as areias sussurram

Sobre deuses com faces animais,
Escaravelhos azul-cobalto,
Mulheres de sombras esguias
Caminhando como grandes leões pelas dunas.
Sangue e mel pingando de suas bocas.

E magia.

Do remoto Chin e do distante Chu, perto das águas do rio amarelo.

Os pragões caminham, discursando em sábios anacletos,
“Reverencie espíritos, mas mantenha-os à distância”.
Os senhores dos nove céus andam em carruagens de orquídeas;
E a mulher Wu sonha com negros bambuzais;
O senhor do leste acaba de soltar seu manto de arco-íris branco;
A mulher sonha que está numa carruagem de escamas
Flanqueada por grifos,
E no céu, pipas de papel tremulam.

Quando ela acorda, ele se foi.

Por um tempo, ela vagueia de lá para cá.

Ela sonha de novo:

De encontro e despedidas ninguém escapa,

Nem de magia.
Nas terras de oliveiras e louros,

Onde os deuses caminham,
Vemos um soldado urinar junto às suas roupas,
E o galopar de um lobo.

“No coração de cada mistério”.

Sussurra o garoto que nasceu duas vezes, surgindo dos mortos,
“Este é o grão de meu milho e o vinho de meu sangue”.
Drama, videiras e pés de bode acompanham-no pelo mundo.

A Buxa-Raínha tem sempre três faces, que esperam na encruzilhada pelo sacrifício;

Esperam no outro mundo;
Nos arvoredos sagrados,
Na lua.
Ela está debaixo de um rei morto, pendendo de um galho de árvore, e mostrará a você todo tipo de palavras mágicas.

Abracadabra.
Abraxas...


Magia.
Neil Gaiman
Os Livros da Magia - O Labirinto Invisível

Mudanças Cognitivas

(...) A magia é uma disciplina fisiológica.
(...) Magia é criar mudanças físicas através de mudanças cognitivas. Já ouviu falar de Aleister Crowley?
(...) Uma vez, em São Franscisco, Crowley disse que iria provar seus poderes fazendo um homem cair do outro lado da rua. Ele começou a andar atrás do homem, repitindo os passos dele, imitando cada batida do pé no chão. Momentos depois, Crowley arrastou o pé no chão. E o homem caiu. Magia.
Quando magos falam em invocar deuses e demônios, o que eles discutem na verdade é um processo. Um processo mental que permite que você entre em contato com os recantos mais obscuros do seu cérebro. É onde os deuses e demônios ficam. Eles são aspectos do nosso subconsciente, cheios de informações que não acessamos em geral, possuídos por subpersonalidades das quais nunca ouvimos.
O excorcismo, por exemplo, é só um código que permite a personalidade original se reafirmar.
"Assim, até parece uma ciência."
Mas é uma ciência. historicamente, em várias culturas, a ciência vem servindo como preservação do sacerdócio. E da magia. Elas são a mesma coisa.

Warren Ellis - Global Frequency # 5

24 de dezembro de 2008

Contos do Cargueiro Negro

Trechos da HQ Watchmen
de Alan Moore e Dave Gibbons
“Em delírio, eu vi o navio do demônio, com suas negras velas se agitando contra o céu ensolarado das Antilhas, e senti de novo um forte odor de pólvora, cadáveres e guerra.
Cabeças se inclinavam sobre a proa e gritavam: ‘é inútil! Está tudo perdido!’
Ondas escarlates espumavam ao meu redor, horrivelmente quentes... no entanto, a tripulação do cargueiro ainda gritava: ‘mais sangue! mais sangue!’
O casco da embarcação ameaçava me atingir. Em desespero, eu mergulhei nas sórdidas vagas púrpuras, oferecendo minha alma desgraçada ao julgamento do Deus todo-poderoso.
Acordando do pesadelo, me encontrei numa lúgubre praia entulhada de cadáveres.
(...) Fiquei de pé e chorei, incapaz de suportar meu destino. As lágrimas cessaram. Apesar de tudo eu ainda estava vivo... e sabia que não podia acontecer nada pior”.
“(...) Louco por companhia, eu falava com meus companheiros mortos. Ouvi suas vozes propagando-se sob a embarcação... abafadas...
O murmúrio dos mortos... melancólico, amargo, de uma tristeza sem fim... Más notícias intermináveis saem das bocas para onde os peixinhos correm.
Conversamos... meus amigos putrefatos e eu... sobre a vida e seu termo. Sobre a terrível sentença que paira acima de todos nós.
Nossa maldição atormentava os mortos encharcados, dominando seus diálogos borbulhantes. Eles falaram e um paraíso, onde todos nós vivemos e perecemos, condenados por nossos pecados a este pandemônio que chamamos de mundo.
Se a vida é um inferno, então a morte é nossa única libertação. Eu não suportava mais... e, mesmo temendo um fim tão negro e sufocante, saltei em direção ao horror... Mergulhando numa fria e úmida mortalidade”.

Ozymandias

Trechos da HQ Watchmen
de Alan Moore e Dave Gibbons

(…) Animação por computador permeia até mesmo os sucrilhos do café da manhã de um futuro alucinógeno. Os canais musicais processam infinitas representações lineares...
Estabelecidos estes pontos de referência, um inesperado mundo se torna gradualmente discernível dentro da mídia. Esse modelo de fragmentado do amanhã alinha-se em áreas específicas, obscurecidas pela indeterminação. Grandes suposições quanto a esse futuro devem ser afastadas... Podemos, contudo, lançar hipóteses sobre sua psicologia.
Aliado à maciça aceleração tecnológica prevista para o fim do milênio, esse oblíquo mosaico revela a imagem de uma nova era de novas sensações e possibilidades. Uma era do imaginável feito concreto... e do milagre casual!
observações de Adrian Veidt.

“Meu nome é Ozymandias, rei dos reis: Veja minha obra, ó poderoso, e perca a esperança!”
Ozymandias, Percy Bysshe Shelley.

Rorschach

Trechos da HQ Watchmen
de Alan Moore e Dave Gibbons

As ruas são extensões das sarjetas cheias de sangue. Quando os canos dos esgotos se encherem de sangue todos os vermes morrerão afogados. A sujeira acumulada de sexo e crime envolverá prostitutas e políticos, que voltarão os olhos para cima, implorando... ‘salve-nos’!...
(...) Agora o mundo inteiro está à beira do precipício olhando para baixo, pro inferno sangrento. Todos aqueles intelectuais e gente de fala mansa...
De repente, mais ninguém tem nada a dizer.

Diário de RORSCHACH, 12 de outubro de 1985.

Ouvi uma piada, certa vez...
Um homem vai ao médico e fala que está deprimido. Diz que a vida parece dura e cruel. Ele se sente só, num mundo ameaçador, onde o futuro é vago e incerto.
O doutor diz: ‘O tratamento é simples. O grande palhaço Pagliacci está na cidade está noite. Vá vê-lo. Levantará seu astral’.
O homem começa a chorar e fala: ‘Mas, doutor... eu sou o Pagliacci’.
Ótima piada. Todo mundo ri. Batem os tambores. Caem as cortinas.
Diário de RORSCHACH, 16 de outubro de 1985.

Esta cidade é um animal feroz e complicado. Para entende-la é necessário estudar suas excrescências, seu cheiro, o movimento de seus parasitas...
Diário de RORSCHACH, 21 de outubro de 1985.

“Por que discutimos? A vida é tão frágil... apenas um vírus bem-sucedido grudado a uma partícula de lama suspenso num infinito nada.
(...) O horror é, afinal, simplesmente o retrato vazio da escuridão. Estamos todos sós. Não existe nada além disso”.
das anotações do Dr. Malcom Long, 28 de outubro de 1985.

Olhei para o céu, através da fumaça espessa e Deus não estava lá. O frio. A escuridão sufocante. Estamos todos sozinhos.
Vamos viver nossas vidas, na falta de algo melhor para fazer. Nascer do esquecimento. Aturar crianças destinadas ao inferno como nós. Não há nada mais.
Existimos ao acaso. Não há padrão, exceto aquele que nós impomos. Este mundo sem direção não é delineado por forças metafísicas indefinidas. Não é Deus quem mata as crianças. Nem é a sorte que as esquarteja ou o destino que as dá de comida aos cães. Somos nós. Só nós.
As ruas estavam tomadas pelo fogo. O vácuo dentro de mim lembrava gelo...
Diário de RORSCHACH, 29 de outubro de 1985.

“Não combata os monstros, temendo tornar-se um deles. Se você olhar dentro do abismo, o abismo olhará dentro de você”.
Friedrich W. Nietzche.

23 de dezembro de 2008

Dr. Manhattan

Trechos da HQ Watchmen
de Alan Moore e Dave Gibbons

Através de meus dedos, grãos caem aleatoriamente, com todas as possibilidades de adquirirem qualquer forma concebível...
Mas é tudo ilusão, as coisas adquirem suas formas não só no espaço, mas no tempo. Alguns blocos de mármore são estatuas embutidas em seu futuro.
(...) Qual de nós é o responsável?
Quem faz o mundo?
Talvez o mundo não seja feito. Talvez nada seja feito. Talvez ele simplesmente tenha estado sempre lá... um relógio sem relojoeiro.
Dr. Manhattan

“A liberação da bomba atômica mudou tudo, exceto nosso modo de pensar. A solução para esse problema está na cabeça da humanidade. Se eu soubesse, teria me tornado um relojoeiro”.
Albert Eistein

Não há passado nem futuro. Entende?
O tempo é uma jóia intrincada que os humanos insistem em ver apenas por um ângulo quando o desenho completo é visível em todas as suas faces...
(...) Milagres Termodinâmicos... eventos com probabilidades astronômicas de não ocorrer... tais como o oxigênio transformar-se em ouro. Em cada acasalamento humano, um milhão de espermatozóides procuram um único óvulo. Multiplique essas probabilidades por incontáveis gerações... encontrando... gerando esse exato filho... aquela exata filha...
Destilar uma forma tão específica daquele caos de probabilidades, é como transformar ar em ouro... isso é o máximo da inverossimilhança. O milagre termodinâmico.
(...) Mas o mundo está tão cheio de pessoas, tão abarrotado desses milagres, que eles se tornam comuns, e nós esquecemos... eu esqueço.
Nós olhamos continuamente para o mundo, e ele se torna enfadonho em nossas percepções. Contudo, visto de um novo ângulo, ele ainda pode ser surpreendente. Excitante.
Dr. Manhattan

“Pelo que podemos perceber, o único propósito da existência humana é ascender uma luz nas trevas da mera sobrevivência”.
C. G. Jung

Vida Inteligente?

22 de dezembro de 2008

O Pensamento Mágico

Nietzsche já dizia: "Não há fatos, apenas interpretações". Eu concordo com ele...
Esta é uma história de forças arcanas. Segundo a interpretação do dicionário, Magia vem do Grego Mageia. É um substantivo feminino referente à Arte Mágica, ou à Religião dos Magos e, num sentido figurado, é a sensação ou sentimento que se compara aos efeitos da magia; fascinação; encanto. Assim temos que o estado de encantamento diante algum fato é mágico, perceber-se vivo e fascinado com a vida é estar vivendo a Magia; sentir-se fascinado e/ou encantado é experimentar a sensação de estar sob os efeitos da magia... Viver e perceber-se vivo é Mágico...

O que seria um Mago afinal? Alguém que entendeu isso de forma direta e, sem render graças a mais ninguém, é seu próprio mestre e discípulo, alguém livre... Mas por que ainda há tanto a que se prender nesse caminho? Durante séculos, por medo de serem flagrados em suas práticas, os Magos e bruxos criaram códigos e métodos de decifração de tais códigos para que apenas os "iniciados" tomassem conhecimento do que estava sendo ensinado. Talvez algumas chaves de interpretação foram perdidas e tudo o que se tem hoje em dia são inúmeros fragmentos de verdades escritas de difícil entendimento sem as tais chaves mas que são levadas adiante, principalmente por aqueles que ainda estão mentalmente na infância e desejando modificar a vida mediante a aplicação de fórmulas...
Por incrível que pareça, há uma resistência imensa quando o assunto é simplificar para poder assimilar. Quando a minha razão entrou nesse mundo de pretensos Magos, de repente foi como se eu estivesse tentando tirar uma carta de uma pirâmides de cartas de baralho e, com isso, provocasse a ira de tais criaturas aferradas aos seus conhecimentos capengas e caros conceitos complicadíssimos adquiridos às duras penas durante anos de restrições na base das meditações e práticas muitas vezes esdrúxulas e desprovidas de sentido pela falta de compreensão. Com surpresa, constatei que elas literalmente montam guarda ao redor dessa estrutura, impedindo o acesso ao "leigo" e curioso, chamando-o de "lêndea", "parasita" e outras gracinhas... Foi assim que eu, uma curiosa, durante alguns meses tive que me confrontar com centenas de deuses em seus panteões alinhados e imbuídos de seus emissários, anjos e demônios, mobilizando céus e infernos ao evocarem loas, ou forças ancestrais criadoras do mundo e seus poderes sobrenaturais de investir contra ou a favor dos demais seres humanos a partir de fórmulas matemáticas(?). Travei contato com monstros apocalípticos de nomes estóicos, pesadelos tornados realidade, enquanto buscava a luz em meio às trevas, choro e ranger de dentes daqueles que, pretendendo a ascensão da alma humana às altas hierarquias criadoras de mundos através de sacrifícios sangrentos para a evocação de demônios, escarneciam de mim...
Sonhos de picanha numa tarde pós-churrasco? Nada disso! Apenas meu parecer em relação às visões distorcidas e levadas adiante por quem não deseja desfazer-se da ilusão de ter acessado algum recôndito interdito aos demais mortais... mas que não passa de escritos na areia: a onda da razão vem e desmonta tudo. E estes são só os portões do conhecimento. É lógico que os cães montem guarda impedindo o acesso, afinal eles também não entraram e não se pode tomar o céu de assalto impunemente...


Mensagem

Nasceste no lar que precisavas.
Vestiste o corpo físico que merecias.
Moras onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com teu adiantamento.
Possuis os recursos financeiros coerentes com as tuas necessidades, nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas.
Teu ambiente de trabalho é o que elegeste espontaneamente para a tua realização.
Teus parentes, amigos são as almas que atraíste, com tua própria afinidade.
Portanto, teu destino está constantemente sob teu controle.
Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais, buscas, expulsas, modificas tudo aquilo que te rodeia a existência.
Teus pensamentos e vontade são a chave de teus atos e atitudes...
São as fontes de atração e repulsão na tua jornada vivência.
Não reclames nem te faças de vítima.
Antes de tudo, analisa e observa.
A mudança está em tuas mãos.
Reprograma tua meta, busca o bem e viverás melhor.

Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um Novo Fim.

Chico Xavier

19 de dezembro de 2008

Depois de Algum Tempo

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar a alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa aprender que beijos não são contratos, e que presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e os olhos adiante, com graça de um adulto e não a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair meio em vão.
Depois de algum tempo, você aprende que o sol queima, se ficar a ele exposto por muito tempo. E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que, não importam quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo (a) de vez em quando, e você precisa perdoa-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que leva-se anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá para o resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer, mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos, se compreendermos que os amigos mudam. Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com que você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso, devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm muita influência sobre nós, mas que nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que você pode ser. Descobre que leva muito tempo para se chegar aonde está indo, mas que, se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer,enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute, quando você cai, é uma das poucas pessoas que o ajudam a levantar-se. Aprende que a maturidade tem mais a ver com tipos de experiências que se teve e o que se aprendeu com elas, do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais de seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes, e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva, tem direito de estar com raiva, mas isso não lhe dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama mais do jeito que você quer não significa que esse alguém não o ame com todas as forças, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, e que algumas vezes, você tem que aprender a perdoar a si mesmo.
E que, com a mesma severidade com que julga, será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára, para que você junte seus cacos. Aprende que o tempo não é algo que se possa voltar para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende realmente que pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir mais longe, depois de pensar que não pode mais. E que realmente a vida tem valor diante da vida!!!

18 de dezembro de 2008

Cinco Mentes Para o Futuro

Abaixo o QI - quociente de inteligência. Viva a inteligência múltipla. Os critérios para determinar se alguém é inteligente ou não mudam radicalmente. Howard Gardner, o papa da mente múltipla, aponta as características que, a partir de agora, irão diferenciar um gênio de um parvo. Na nova configuração que aos poucos assumem o mundo e a sociedade, esses novos padrões de inteligência irão determinar quem terá sucesso e alcançará a realização, e quem será excluído.

A mente sintética - É a que possui maior habilidade para coletar informações oriundas de diversas fontes e as sintetizar de maneira original e sensata.
A mente disciplinada - É a mais "clássica". Acolhe os estímulos que recebe e consegue individuar um campo particular no qual eles podem ser aplicados.
A mente criativa - Cultiva novas idéias e formula perguntas insólitas, obtendo respostas inesperadas. Esta capacidade apenas pode ser alcançada após o desenvolvimento da mente disciplinada e da mente sintética.
A mente respeitosa - É um modo de pensar que aceita as diferenças entre os indivíduos, se esforça para compreender os outros e colaborar com eles. É cada vez mais necessária em tempos de globalização.
A mente ética - Procura compreender as características e os objetivos do trabalho ou ação aos quais ela se dedica. Avalia as necessidades e desejos relativos a esse trabalho ou ação, buscando ir mais além dos simples interesses pessoais.
O século 21 pertencerá às pessoas capazes de pensar de modo múltiplo. Quem não conseguir desenvolver essa capacidade está destinado a sucumbir - profissionalmente e socialmente - num mundo onde a informação é superabundante, no qual, para se fazer a escolha justa, é necessário deixar-se guiar pela capacidade de síntese ou por uma intuição bem treinada.
Quem afirma isso não é um visionário qualquer. É Howard Gardner, o professor da Harvard University (EUA) que, há 20 anos, desmontou a idéia até então largamente aceita de que existia um único modo - o quociente de inteligência, QI - para medir a capacidade do cérebro humano. Por conta disso, Gardner ganhou um lugar fixo na lista dos cem intelectuais mais influentes do mundo, anualmente compilada pela revista Prospect.
Gardner acaba de lançar um livro que está fazendo furor em todo o mundo: Cinco Mentes Para o Futuro (Editora Artmed). Nele, o autor desenvolve a teoria de que, para se sobreviver no mundo atual, é necessário ser rigoroso e criativo ao mesmo tempo. A primeira das cinco abordagens mentais examinadas pelo professor norte-americano é a da "mente disciplinada", a mais clássica entre elas, a mente que recolhe as várias informações e estímulos recebidos ao longo do tempo e depois as dirige e põe em prática num campo particular de atividade, exatamente o campo em que essa pessoa se distingue.
Logo após, vem a "mente sintética", essencial na época da internet e da profusão dos canais de notícias: quem possui esse tipo de impostação mental coleta as informações, as seleciona e sintetiza de maneira original. A "mente criativa", que vem em seguida, é aquela que cultiva novas idéias e é capaz de formular perguntas insólitas e de obter respostas inesperadas.
A seqüência continua com duas abordagens que Gardner define "não opções, mas sim necessidades" nos dias de hoje: a "mente respeitosa" - a maneira de pensar de quem aceita as diferenças, se esforça para compreender os outros e colaborar.
Por fim, vem a "mente ética", aquela que avalia as necessidades e os desejos da sociedade global, buscando atingir objetivos que vão além dos interesses pessoais. "Estou certo de que existem outros aspectos além desses, e que seria importante estudá- los, - explica o autor - mas esses cinco são aqueles que merecem ser enfatizados nos dias atuais."
"Os primeiros três tipos - mente disciplinada, mente sintética e mente criativa - formam uma seqüência lógica, cada uma delas constrói a sucessiva e são todas de natureza cognitiva. As outras duas - a mente respeitosa e a mente ética - estão relacionadas com as relações humanas, que são particularmente importantes num mundo onde, potencialmente, cada um de nós pode entrar em contato com todos os outros."
"Todas essas capacidades podem ser desenvolvidas desde os primeiros anos da infância. Respeito e ética, para dizer a verdade, são necessidades e não opções. No que diz respeito às outras três, cada um de nós pode ser bom num tipo particular de mente, mas é sempre possível trabalhar para desenvolver os demais. É importante que os pais conduzam seus filhos no cultivo de todas essas abordagens, para que eles possam escolher, depois, em qual delas querem colocar mais ênfase."
Em seu livro, Gardner explica as razões que o levaram a escolher essas cinco abordagens como fundamentais: "O mundo do futuro, com os seus mecanismos de busca, robôs e outros recursos informáticos, exigirá de nós a posse de capacidades que até agora eram apenas opcionais: para responder a essa solicitação, é preciso que comecemos a cultivá-las desde já."

O recado destina-se especialmente aos professores e aos pais, mas vale para todos aqueles que pretendam, a partir de agora, escapar da mediocridade em termos de capacidade mental para se distinguir em algum setor do conhecimento humano em todas as áreas.

15 de dezembro de 2008

Torne-se o Lago

O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d’água e bebesse.
– Qual é o gosto? – perguntou o Mestre.
– Ruim – disse o aprendiz.
O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago.
Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago, então o velho disse:
– Beba um pouco dessa água.
Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou:
– Qual é o gosto?
– Bom! – disse o rapaz.
– Você sente o gosto do sal? – Perguntou o Mestre.
– Não – disse o jovem.
O Mestre então sentou ao lado do jovem, pegou sua mão e disse:
– A dor na vida de uma pessoa é inevitável. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Então, quando você sofrer, a única coisa que você deve fazer é aumentar a percepção das coisas boas que você tem na vida.
Deixe de ser um copo. Torne-se um lago.

O Arqueiro

Após ganhar vários torneios de Arco e Flecha, um jovem e arrogante campeão resolveu desafiar um mestre Zen que era renomado pela sua capacidade como arqueiro.
O jovem demonstrou grande proficiência técnica quando ele acertou, na primeira flecha lançada, um distante alvo bem na mosca, e ainda foi capaz de dividir a primeira flecha em duas com seu segundo tiro.
"Sim!", ele exclamou para o velho arqueiro, "Veja se pode fazer isso!"
Imperturbável, o mestre não preparou seu arco, mas em vez disso fez sinal para o jovem arqueiro segui-lo para a montanha acima.
Curioso sobre o que o velho estava tramando, o campeão seguiu-o para o alto, até que eles alcançaram um profundo abismo atravessado por uma frágil e pouco firme tábua de madeira. Calmamente caminhando sobre a insegura e certamente perigosa ponte, o velho mestre tomou uma larga árvore longínqua como alvo, esticou seu arco, e acertou um claro e direto tiro.
"Agora é sua vez," ele disse, enquanto suavemente voltava para o solo seguro.
Olhando com terror para dentro do abismo negro e aparentemente sem fim, o jovem não pôde forçar a si mesmo caminhar pela prancha, muito menos acertar um alvo de lá.
"Você tem muita perícia com seu arco," disse o mestre, percebendo a dificuldade de seu desafiante, "mas tem pouco equilíbrio com a mente, que deve nos deixar relaxados para mirar o alvo."

5 de dezembro de 2008

Entrevista

A revista ISTO É publicou esta entrevista de Camilo Vannuchi. O entrevistado é Roberto Shinyashiki, médico psiquiatra, com Pós-Graduação em administração de empresas pela USP, consultor organizacional e conferencista de renome nacional e internacional. 'Cuidado com os burros motivados' Em 'Heróis de Verdade', o escritor combate a supervalorização das aparências, diz que falta ao Brasil competência, e não auto-estima.
ISTO É - Quem são os heróis de verdade?

Roberto Shinyashiki -- Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe. O mundo define que poucas pessoas deram certo. Isso é uma loucura. Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários que não chegaram a ser gerentes. E essas pessoas são tratadas como uma multidão de fracassados. Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de que não valeu à pena, porque não conseguiu ter o carro, nem a casa maravilhosa. Para mim, é importante que o filho da moça que trabalha na minha casa, possa se orgulhar da mãe. O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes. Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros. São pessoas que sabem pedir desculpas e admitiram que erraram.
ISTO É -- O Sr. citaria exemplos?
Shinyashiki -- Quando eu nasci, minha mãe era empregada doméstica e meu pai, órfão aos sete anos, empregado em uma farmácia. Morávamos em um bairro miserável em São Vicente (SP) chamado Vila Margarida. Eles são meus heróis. Conseguiram criar seus quatro filhos, que hoje estão bem. Acho lindo quando o Cafu põe uma camisa em que está escrito '100% Jardim Irene'. É pena que a maior parte das pessoas esconda suas raízes. O resultado é um mundo vítima da depressão, doença que acomete hoje 10% da população americana. Em países como o Japão, a Suécia e a Noruega, há mais suicídio do que homicídio. Por que tanta gente se mata? Parte da culpa está na depressão das aparências, que acomete a mulher, que embora não ame mais o marido, mantém o casamento, ou o homem que passa décadas em um emprego, que não o faz se sentir realizado, mas o faz se sentir seguro.
ISTO É -- Qual o resultado disso?
Shinyashiki -- Paranóia e depressão cada vez mais precoce. O pai quer preparar o filho para o futuro e mete o menino em aulas de inglês, informática e mandarim. Aos nove ou dez anos a depressão aparece. A única coisa que prepara uma criança para o futuro, é ela poder ser criança. Com a desculpa de prepará-los para o futuro, os malucos dos pais estão roubando a infância dos filhos. Essas crianças serão adultos inseguros e terão discursos hipócritas. Aliás, a hipocrisia já predomina no mundo corporativo.
ISTO É - Por quê?
Shinyashiki -- O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a começar pelo processo de recrutamento. É contratado o sujeito com mais marketing pessoal. As corporações valorizam mais a auto-estima do que a competência. Sou presidente da Editora Gente e entrevistei uma moça que respondia todas as minhas perguntas com uma ou duas palavras. Disse que ela não parecia demonstrar interesse. Ela me respondeu estar muito interessada, mas como falava pouco, pediu que eu pesasse o desempenho dela, e não a conversa. Até porque ela era candidata a um emprego na contabilidade, e não de relações públicas. Contratei-a na hora. Num processo clássico de seleção, ela não passaria da primeira etapa.
ISTO É -- Há um script estabelecido?
Shinyashiki -- Sim. Quer ver uma pergunta estúpida feita por um presidente de multinacional no programa 'O Aprendiz'? - Qual é seu defeito? Todos respondem que o defeito é não pensar na vida pessoal: - Eu mergulho de cabeça na empresa. Preciso aprender a relaxar. É exatamente o que o Chefe quer escutar. Por que você acha que nunca alguém respondeu ser desorganizado ou esquecido? É contratado quem é bom em conversar, em fingir. Da mesma forma, na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do poder. O vice-presidente de uma as maiores empresas do planeta me disse: 'Sabe, Roberto, ninguém chega à vice-presidência sem mentir'. Isso significa que quem fala a verdade não chega a diretor!
ISTO É -- Temos um modelo de gestão que premia pessoas mal preparadas?
Shinyashiki -- Ele cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se preocupam com o conhecimento. Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência. Cuidado com os burros motivados. Há muita gente motivada fazendo besteira. Não adianta você assumir uma função, para a qual não está preparado. Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha mão. Mas tenho a humildade de reconhecer que isso nunca aconteceu graças a meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso, para o qual eu não estava preparado. Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia. O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso.
ISTO É -- Está sobrando auto-estima?
Shinyashiki -- Falta às pessoas a verdadeira auto-estima. Se eu preciso que os outros digam que sou o melhor, minha auto-estima está baixa. Antes, o ter conseguia substituir o ser. O cara mal-educado dava uma gorjeta alta para conquistar o respeito do garçom. Hoje, como as pessoas não conseguem nem ser, nem ter, o objetivo de vida se tornou parecer. As pessoas parecem que sabem, parece que fazem, parece que acreditam. E poucos são humildes para confessar que não sabem. Há muitas mulheres solitárias no Brasil, que preferem dizer que é melhor assim. Embora a auto-estima esteja baixa, fazem pose de que está tudo bem.
ISTO É -- Por que nos deixamos levar por essa necessidade de sermos perfeitos em tudo e de valorizar a aparência?
Shinyashiki -- Isso vem do vazio que sentimos. A gente continua valorizando os heróis. Quem vai salvar o Brasil? O Lula. Quem vai salvar o time? O técnico. Quem vai salvar meu casamento? O terapeuta. O problema é que eles não vão salvar nada! Tive um professor de filosofia que dizia: 'Quando você quiser entender a essência do ser humano, imagine a rainha Elizabeth com uma crise de diarréia durante um jantar no Palácio de Buckingham'. Pode parecer incrível, mas a rainha Elizabeth também tem diarréia. Ela certamente já teve dor de dente, já chorou de tristeza, já fez coisas que não deram certo. A gente tem de parar de procurar super-heróis, porque se o super-herói não segura a onda, todo mundo o considera um fracassado.
ISTO É -- O conceito muda quando a expectativa não se comprova?
Shinyashiki -- Exatamente.. A gente não é super-herói nem superfracassado. A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza. Não há nada de errado nisso. Hoje, as pessoas estão questionando o Lula, em parte porque acreditavam que ele fosse mudar suas vidas e se decepcionaram. A crise será positiva se elas entenderem que a responsabilidade pela própria vida é delas.
ISTO É -- Muitas pessoas acham que é fácil para o Roberto Shinyashiki dizer essas coisas, já que ele é bem-sucedido. O senhor tem defeitos?
Shinyashiki -- Tenho minhas angústias e inseguranças. Mas aceitá-las faz minha vida fluir facilmente. Há várias coisas que eu queria e não consegui. Jogar na Seleção Brasileira, tocar nos Beatles (risos). Meu filho mais velho nasceu com uma doença cerebral e hoje tem 25 anos. Com uma criança especial, eu aprendi que, ou eu a amo do jeito que ela é, ou vou massacrá-la o resto da vida para ser o filho que eu gostaria que fosse. Quando olho para trás, vejo que 60% das coisas que fiz deram certo. O resto foram apostas e erros. Dia desses apostei na edição de um livro, que não deu certo. Um amigão me perguntou: 'Quem decidiu publicar esse livro?' Eu respondi que tinha sido eu. O erro foi meu. Não preciso mentir.
ISTO É - Como as pessoas podem se livrar dessa tirania da aparência?
Shinyashiki -- O primeiro passo é pensar nas coisas que fazem as pessoas cederem a essa tirania e tentar evitá-las. São três fraquezas: A primeira é precisar de aplauso, a segunda é precisar se sentir amada e a terceira é buscar segurança. Os Beatles foram recusados por gravadoras e nem por isso desistiram. Hoje, o erro das escolas de música é definir o estilo do aluno. Elas ensinam a tocar como o Steve Vai, o B. B. King ou o Keith Richards. Os MBAs têm o mesmo problema: ensinam os alunos a serem covers do Bill Gates. O que as escolas deveriam fazer é ajudar o aluno a desenvolver suas próprias potencialidades.
ISTO É -- Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus?
Shinyashiki -- A sociedade quer definir o que é certo. São quatro loucuras da sociedade.. A primeira é: instituir que todos têm de ter sucesso, como se eles não tivessem significados individuais. A segunda loucura é: Você tem de estar feliz todos os dias. A terceira é: Você tem que comprar tudo o que puder. O resultado é esse consumismo absurdo. Por fim, a quarta loucura: Você tem de fazer as coisas do jeito certo. Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz que não será feliz, enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento. Você pode ser feliz tomando sorvete, ficando em casa com a família ou com amigos verdadeiros, levando os filhos para brincar ou indo à praia ou ao cinema.. Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa e diz: 'Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei à vida inteira, agora eu quero aproveitá-la e ser feliz'. Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis ou ações, mas sim de ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidades para aproveitar a vida.

15 de setembro de 2008

Coisas Frágeis

- O tempo é fluído por aqui – disse o demônio.
Ele soube que era um demônio no momento em que o viu. Assim como soube que ali era o inferno. Não havia nada mais que um ou o outro pudessem ser.
A sala era comprida, e do outro lado o demônio o esperava ao lado de um braseiro fumegante. Uma grande variedade de objetos pendia das paredes cinzentas, cor de pedra, do tipo que não parecia sensato ou reconfortante inspecionar muito de perto. O pé-direito era baixo, e o chão, estranhamente diáfano.
- Chegue mais perto – ordenou o demônio, e ele se aproximou.
O demônio era esquelético e estava nu. Tinha cicatrizes profundas, que pareciam ser fruto de um açoite ocorrido num passado distante. Não tinha orelhas nem sexo. Os lábios eram finos e ascéticos, e os olhos eram condizentes com os de um demônio: haviam ido longe demais e visto mais do que deveriam. Sob aquele olhar, ele se sentia menos importante do que uma mosca.
- O que acontece agora? – ele perguntou.
- Agora – disse o demônio com uma voz que não demonstrava sofrimento nem deleite, somente uma horripilante e neutra resignação – você será torturado.
- Por quanto tempo?
O demônio balançou a cabeça e não respondeu. Ele percorreu lentamente a parede, examinando um a um os instrumentos ali pendurados. Na outra extremidade, perto da porta fechada, havia um açoite feito de arame farpado. O demônio o apanhou com uma de suas mãos de três dedos e o carregou com reverência até o outro lado da sala. Pôs as pontas de arame sobre o braseiro e observou enquanto se aqueciam.
- Isso é desumano.
- Sim.
As pontas do açoite ganharam um baço brilho alaranjado.
- No futuro, você vai sentir saudade desse momento.
- Você é um mentiroso.
- Não – respondeu o demônio. – A próxima parte é ainda pior – explicou pouco antes de descer o açoite.
As pontas do açoite atingiram nas costas do homem com um estalo e um chiado, rasgando as roupas caras. Elas queimavam, cortavam e estralhaçavam tudo o que tocavam. Não pela última vez naquele lugar, ele gritou.
Havia duzentos e onze instrumentos nas paredes da sala, e com o tempo, ele iria experimentar cada um deles.
Por fim, a Filha do Lazareno, que ele acabou conhecendo intimamente, foi limpa e recolocada na parede na duocentésima décima primeira posição. Nesse momento, por entre os lábios rachados, ele soluçou:
- E agora?
- Agora começa a dor de verdade – informou o demônio.
E começou mesmo.
Cada coisa que ele fizera que teria sido melhor não ter feito. Cada mentira que ele contara – a si mesmo ou aos outros. Cada pequena mágoa, e todas as grandes mágoas. Cada uma dessas coisas foi arrancada dele, detalhe por detalhe, centímetro por centímetro. O demônio descascava a crosta do esquecimento, tirava tudo até sobrar somente a verdade, e isso doía mais que qualquer outra coisa.
- Conte o que você pensou quando a viu indo embora – exigiu o demônio.
- Pensei que meu coração ia se partir.
- Não, não pensou – contestou o demônio, sem ódio. Dirigiu seu olhar sem expressão para o homem, que se viu forçado a desviar os olhos.
- Pensei: agora ela nunca vai ficar sabendo que eu dormia com a irmã dela.
O demônio desconstruiu a vida do homem, momento por momento, um instante medonho após o outro. Isso levou cem anos ou talvez mil – eles tinham todo o tempo do universo naquela sala cinzenta. Lá pelo final, ele percebeu queo demônio tinha razão. Aquilo era pior que a tortura física.
Mas acabou.
Só que, quando acabou, começou de novo. E com uma consciência de si mesmo que ele não tinha da primeira vez, o que de certa forma tornava tudo ainda pior.
Agora, enquanto falava, se odiava. Não havia mentiras nem evasivas, nem espaço para nada que não fosse dor e ressentimento.
Ele falava. Não chorava mais. E, quando terminou, mil anos depois, rezou para que o demônio fosse até a parede e pegasse a faca de escalpelar, ou o sufocador, ou a morsa.
- De novo – ordenou o demônio.
Ele começou a gritar. Gritou durante muito tempo.
- De novo – ordenou o demônio quando ele se calou, como se nada houvesse sido dito até então.
Era como descascar uma cebola. Dessa vez, ao repassar sua vida, ele aprendeu sobre as conseqüências. Percebeu os resultados das coisas que fizera; notou que estava cego quando tomou certas atitudes; tomou conhecimento das maneiras como inflingira mágoas ao mundo; dos danos que causara a pessoas que mais conhecera, encontrara ou vira. Foi a lição mais difícil até aquele momento.
- De novo – ordenou o demônio, mil anos depois.
Ele agachou no chão, ao lado do braseiro, balançando o corpo de leve, com os olhos fechados, e contou a história de sua vida, revivendo-a enquanto contava, do nascimento até a morte, sem mudar nada, sem omitir nada, enfrentando tudo. Abriu seu coração.
Quando acabou, ficou sentado ali, de olhos fechados, esperando que a voz dissesse: “de novo”. Porém, nada foi dito. Ele abriu os olhos.
Lentamente, ficou de pé. Estava sozinho.
Na outra ponta da sala havia uma porta, que, enquanto ele olhava, se abriu.
Um homem entrou. Havia terror em seu rosto, e também arrogância e orgulho. O homem, que usava roupas caras, deu alguns passos hesitantes pela sala e parou.
Ao ver o homem, ele entendeu.
- O tempo é fluído por aqui – disse ao recém-chegado.


Neil Gaiman - Coisas Frágeis

18 de agosto de 2008

HQ & Caos

O mundo é caos!
Há algum tempo, os cientistas descobriram a entropia, um princípio universal que estaria levando o universo inexoravelmente ao caos. A entropia é a perda de energia, ou informação. O caos está à nossa volta. Uma xícara de café que esfria é um exemplo de como ela está até onde menos imaginamos.
Depois os cientistas descobriram os atratores estranhos, os fractais, o efeito borboleta. Tudo isso, mais a entropia, forma a Teoria do Caos...
Mas o que tudo isso tem a ver com os quadrinhos? Simples, os quadrinhos foram a principal mídia a se apropriar desse discurso caótico. Sem se dar conta, os roteiristas formaram um batalhão para divulgar a nova teoria e convencer todo mundo de que o caos nos rodeia. Nesse artigo, vamos conhecer algumas dessas histórias baseadas, de uma maneira ou de outra, nessa teoria.

O ARTISTA E OS FRACTAIS
O exemplo mais óbvio é o roteirista inglês Grant Morrison. Ele falou do assunto abertamente em suas HQs. Numa das histórias do Homem-Animal, a Terra vai ser invadida pelos Tanagharianos (lembram? Aquele pessoal de asas do planeta do Gavião Negro...). E, para executar o primeiro passo do plano adivinhem quem eles convocam? Um artista especializados em geometria fractal. Fractais são imagens de computador formadas a partir de fórmulas matemáticas. Elas formam imagens muito bonitas e o mais interessante é: se você ampliar uma parte do desenho, ele será muito semelhantes à imagem maior. Você pode passar a vida inteira ampliando um fractal e ele vai aparecer sempre com a mesma imagem auto-semelhante.
Lá pelo meio da história, o extraterrestre diz: “Talvez você esteja familiarizado com os conceitos da geometria fractal. Uma forma fractal é aquela que revela mais detalhes quando examinada de perto. Pode ser ampliada indefinidamente e ainda revela novas complexidades. Ocorreu-me que a vida em si pode ser entendida como tendo uma forma fractal! Noção interessante, não acha? Então fiz esta bomba!”.
A artefato ia bombardear todos os humanos com uma torrentes de lembranças caóticas do próprio artista.

O CAOS DO DIA A DIA
Em outra história de Grant Morrison, Asilo Arkham, que ficou famosa por causa da cena em que o Coringa passava a mão na bunda do Batman, também há referências à teoria.
Uma psicóloga explica a personalidade do Coringa usando a Teoria do Caos. Segundo ela, o vilão era, num dia, um palhaço inocente e, no outro, um assassino perigoso. Tudo isso, porque não conseguia lidar com o caos de informações que recebemos dia após dia, instante após instante. Ao contrário de nós, ele não selecionava as informações que chegam e, para lidar com isso, tinha diversas personalidades. Em outra seqüência, o Chapeleiro Louco é visto numa sala de espelhos em que sua imagem se repete ao infinito.

QUEM VIGIA AS BORBOLETAS
Mas a obra definitiva sobre o caos publicada em quadrinhos é Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons. Watchmen mostra um mundo modificado pelo surgimento dos super-heróis. Alan Moore baseou-se no princípio do efeito borboleta, segundo o qual pequenas modificações podem provocar grandes mudanças.
Na trama, há vários efeitos borboleta, ou seja, inúmeros pequenos eventos que acabam provocando grandes mudanças. Começa com algo que parece simples: o assassinato de um diplomata. Quando se descobre que a vítima era o herói Comediante, Rorschach inicia uma investigação a respeito de um matador de mascarados. As conseqüências dessa investigação acabam sendo imprevisíveis e o futuro da humanidade pode depender dos resultados da mesma.
O próprio mundo está a caminho do caos, já que os EUA e a Rússia estão a um passo da guerra nuclear. E o único que pode impedir a catástrofe é Dr. Manhattan, um super-herói com jeito de Deus que se diverte construindo castelos fractais em Marte.
Mas a grande questão de Watchmen é: se o mundo é governado por pequenos eventos que têm grandes conseqüências, alguém poderia controlar o destino da humanidade por meio de sua manipulação? É possível ditar o que as pessoas desejam, seus ideais, o seu futuro? Só o caos, meus senhores... só o caos sabe a resposta.


Teoria do Caos

A teoria estabelece que uma pequena mudança ocorrida no início de um evento qualquer pode ter conseqüências desconhecidas no futuro. Isto é, se você realizar uma ação nesse exato momento, essa terá um resultado amanhã, embora desconhecido. O meteorologista norte-americano Edward Lorenz descobriu, no início da década de 1960, que acontecimentos simples tinham um comportamento tão desordenado quanto à vida. Ele chegou a essa conclusão após testar um programa de computador que simulava o movimento de massas de ar.
Em busca de uma resposta Lorenz teclou um dos números que alimentavam os cálculos da máquina com algumas casas decimais a menos, na expectativa de que o resultado tivesse poucas mudanças. No entanto, a pequena alteração transformou completamente o padrão das massas de ar. Segundo ele seria como se o bater das asas de uma borboleta no Brasil causasse, tempos depois, um tornado no Texas. Fundamentado em seus estudos, ele formulou equações que demonstravam o “efeito borboleta”. Origina-se assim a Teoria do Caos. Alguns cientistas concluíram também que a mesma imprevisibilidade aparecia em quase tudo, do número de vezes que o olho pisca até a cotação da Bolsa de Valores. Para reforçar essa teoria, na década de 1970 o matemático polonês Benoit Mandelbrot notou que as equações de Lorenz coincidiram com as que ele próprio havia feito quando desenvolveu os fractais (figuras geradas a partir de fórmulas que retratam matematicamente a geometria da natureza, como o relevo do colo, etc.). A junção do experimento de Lorenz com a matemática de Mandelbrot indica que a Teoria do Caos está na essência de tudo, dando forma ao universo.


Por Eliene Percília
Equipe Brasil Escola

12 de agosto de 2008

Vencerás

Não desanimes.
Persiste mais um tanto.
Não cultives pessimismo.
Centraliza-te no bem a fazer.
Esquece as sugestões do medo destrutivo.
Segue adiante, mesmo varando a sombra dos próprios erros.
Avança ainda que seja por entre lágrimas.
Trabalha constantemente.
Edifica sempre.
Não consintas que o gelo do desencanto te entorpeça o coração.
Não te impressiones à dificuldade.
Convence-te de que a vitória espiritual é construção para o dia a dia.
Não desistas da paciência.
Não creias em realização sem esforço.
Silêncio para injúria.
Olvido para o mal.
Perdão às ofensas.
Recorda que os agressores são doentes.
Não permitas que os irmãos desequilibrados te destruam o trabalho ou te apaguem a esperança.
Não menosprezes o dever que a consciência te impõe.
Se te enganaste em algum trecho do caminho, reajusta a própria visão e procura o rumo certo.
Não contes vantagens nem fracassos.
Estuda buscando aprender.
Não te voltes contra ninguém.
Não dramatizes provocações ou problemas.
Convoca o hábito da oração para quem se te faz a luz na vida íntima.
Resguarda-te em Deus e persevera no trabalho que Deus te confiou.
Ama sempre, fazendo pelos outros o melhor que possas realizar.
Age auxiliando.
Sem apego. E assim vencerás.


EMMANUEL
(Psicografado por F. C. Xavier, do livro ASTRONAUTAS DO ALÉM, GEEM)

11 de agosto de 2008

O homem que sonhava

Um homem andava pela rua. Andava e sonhava.

Sonhava que era uma borboleta e voava levemente pairando no ar com suas asas coloridas. E a borboleta sonhava que era uma árvore, cujas raízes sugavam o néctar da terra e as respiravam a luz do sol. E a árvore sonhava que era um homem, que caminhava imponente pela rua e que tudo se curvava perante sua passagem.

O este homem, que sonhava que era uma borboleta, que sonhava que era uma árvore, que sonhava que era um homem, não sabia era que olhos o observavam. Estes olhos sonhavam com o mar. Não o mar azul-esverdeado de água salgada, mas um mar vermelho, um mar de sangue.

E neste mar fluía tudo o que era bom e mau, misturando-se entre si e transformando-se em uma única coisa.

E do mar de sangue surgiu a vida.


"reflexões de um passado distante em um momento desperto"

7 de agosto de 2008

Palavras que Transformam

(...) Sharawa aceitou Chekawa como discípulo e o instruiu durante anos nessa prática que era a sua principal, denominada "Os Oito Versos que Transformam a Mente" (ou "Os Oito Versos de Langri Thangpa"). Após 6 anos de treinamento constante, o discípulo se realizou, eliminando todo e qualquer traço de egoísmo.
Os oito versos são:
1. Com a determinação de alcançar o bem supremo em benefício de todos os seres sencientes, mais preciosos do que uma jóia mágica que realiza desejos, vou aprender a prezá-los e estimá-los no mais alto grau.
2. Sempre que estiver na companhia de outras pessoas, vou aprender a pensar em minha pessoa como a mais insignificante dentre elas, e, com todo respeito, considerá-las supremas, do fundo do meu coração.
3. Em todos os meus atos, vou aprender a examinar a minha mente e, sempre que surgir uma emoção negativa, pondo em risco a mim mesmo e aos outros, vou, com firmeza, enfrentá-la e evitá-la.
4. Vou prezar os seres que têm natureza perversaE aqueles sobre os quais pesam fortes negatividades e sofrimentos, como se eu tivesse encontrado um tesouro precioso, muito difícil de achar.
5. Quando os outros, por inveja, maltratarem a minha pessoa, ou a insultarem e caluniarem, vou aprender a aceitar a derrota, e a eles oferecer a vitória.
6. Quando alguém a quem ajudei com grande esperança magoar ou ferir a minha pessoa, mesmo sem motivo, vou aprender a ver essa outra pessoa como um excelente guia espiritual.
7. Em suma, vou aprender a oferecer a todos, sem exceção, toda a ajuda e felicidade, por meios diretos e indiretos, e a tomar sobre mim, em sigilo, todos os males e sofrimentos daqueles que foram minhas mães.
8. Vou aprender a manter estas práticasIsentas das máculas das oito preocupações mundanas, e, ao compreender todos os fenômenos como ilusórios, serei libertado da escravidão do apego.

Sobre Religião...

Minha religião consiste em humilde admiração do espírito superior e ilimitado que se revela nos menores detalhes que podemos perceber com os nossos espíritos frágeis e duvidosos. Essa convicção profundamente emocional na presença de um poder de raciocínio superior, que se revela no incompreensível universo, é a idéia que faço de Deus.

Albert Einstein