26 de fevereiro de 2010

O Poder do Agora

A identificação do leitor com a sua mente cria uma divisão opaca de conceitos, rótulos, imagens, palavras, juízos e definições, que bloqueia todo o relacionamento verdadeiro. Interpõe-se entre o próprio leitor, entre o leitor e o próximo, entre o leitor e a sua natureza, entre o leitor e Deus.
É esta divisória de pensamento que gera a ilusão de afastamento, a ilusão de que há o leitor e um «outro» completamente distinto. Nessa altura, o leitor esquece o fato essencial de que, sob o nível da aparência física e das formas separadas, o leitor é uno com tudo o que existe.
A mente é um instrumento maravilhoso se usado adequadamente. No entanto, quando utilizada de forma errada, torna-se muito destrutiva. Para ser mais preciso, não se trata tanto de o leitor usar a mente de forma errada; em geral, o leitor nem sequer a utiliza. Ela é que o usa a si. É esta a doença. O leitor acredita que é a sua mente. É esse o engano. O instrumento apoderou-se de si.
A liberdade começa com a confirmação de que não se é o «pensador».
No momento em que a pessoa começa a observar o pensador, desperta um nível superior de consciência. Nessa altura, começa a perceber que existe um vasto domínio de inteligência além do pensamento, que este é apenas um ínfimo aspecto dessa inteligência.
A pessoa entende ainda que todas as coisas que realmente importam (a beleza, o amor, a criatividade, a alegria, a paz interior) nascem de além da mente. A pessoa começa a despertar.”

“O INÍCIO DA LIBERDADE é a percepção de que o leitor não é a entidade que possui – o pensador. Sabê-lo permite-lhe observar a entidade. Na altura em que o leitor começar a observar o pensador, desperta um nível superior de consciência.”

"Nada seria sem espaço e, no entanto, o espaço nada é. Antes do universo ter entrado em existência, antes do "big-bang" se preferires, não havia um vasto espaço vazio à espera de ser preenchido. Havia apenas o Não-Manifesto - o Um. Quando o Um se tornou nas "dez mil coisas", foi como se de repente o espaço estivesse ali e permitisse que a multiplicidade fosse. De onde veio o espaço? Terá sido criado por Deus para acomodar o Universo? É claro que não. O espaço é coisa nenhuma, portanto, nunca foi criado.
Sai para a rua numa noite límpida e olha para o céu. Os milhares de estrelas que podes enxergar a olho nu não passam de uma simples fração centesimal do que existe nele. Mil milhões de galáxias já podem ser detectadas por meio dos mais poderosos telescópios, cada galáxia é um "universo ilha" contendo milhares de milhões de estrelas. E, no entanto, o que é ainda mais assombroso é a infinidade do próprio espaço, a profundidade e a quietude que permite que toda essa magnificência seja. Nada é mais assombroso e majestoso do que a vastidão e a quietude inconcebível do espaço e, no entanto, o que é ele? Vacuidade, vasta vacuidade.
O que nos aparece como espaço no nosso Universo percebido através da mente e dos sentidos é o próprio Não-Manifesto exteriorizado. É o "corpo" de Deus. E o maior milagre é este: essa quietude e vastidão que permite ao Universo ser não está apenas lá fora no espaço - está também dentro de ti."

"A maior parte da dor humana é desnecessária. Cria-se a si própria enquanto for a mente inobservada a dirigir a vida. A dor que tu criares agora será sempre uma certa forma de não aceitação, uma certa forma de resistência inconsciente àquilo que é. Ao nível emocional, é uma certa forma de negatividade. A intensidade da dor depende do grau de resistência ao momento presente, e esta por seu lado depende de quão fortemente estiveres identificado com a tua mente. A mente procura sempre recusar o Agora e escapar dele. Por outras palavras, quando mais identificado estiveres com a tua mente, mais sofrerás. Ou poderás colocar a questão deste modo: quando mais honrares e aceitares o Agora, mais livre estarás da dor, do sofrimento - e livre da mente egoística.
Porque é que a mente recusa ou resiste habitualmente ao Agora? Porque ela não consegue nem funcionar nem ficar no comando sem tempo, que é passado e futuro, e por conseguinte para ela o Agora representa uma ameaça. De fato, o tempo e a mente são inseparáveis. (...) A mente para garantir que continua no comando, procura constantemente a encobrir o momento presente com o passado e o futuro e, assim, ao mesmo tempo que a vitalidade e o infinito potencial criativo do Ser, que é inseparável do Agora, começam a ficar pelo tempo, também a tua verdadeira natureza começa a ficar encoberta pela mente.
Um fardo de tempo, cada vez mais pesado, tem vindo a acumular-se na mente humana. Todos os indivíduos sofrem sob esse fardo, mas também continuam a somar-lhe todos os momentos, sempre que ignoram ou recusam esse precioso Agora ou o reduzem a um meio para alcançarem um determinado momento futuro, o qual só existe na mente e nunca na atualidade. A acumulação de tempo na mente humana, coletiva e individual, contém igualmente uma enorme quantidade de dor residual que vem do passado."

excertos de "O Poder do Agora" e "A Prática do Poder do Agora" de Eckhart Tolle

23 de fevereiro de 2010

A Minha Sede de Infinito

Eu não sou católica, como não sou protestante nem budista, maometana ou teosofista. Não sou nada. E nem sequer poderá servir-me o preceito divino: «Aquele que me procura, já me encontrou», porque eu não procuro... O meu racionalismo à Hegel, apoiado numa espé­cie de filosofia à Nietzche, chegou-me por muito tempo. Hoje... a minha sede de infinito é maior do que eu, do que o mundo, do que tudo, e o meu espiritualismo ultrapassa o céu. Nada me chega, nada me convence, nada me enche. Sou um pobre que nenhum tesouro acha digno das suas mãos vazias. A morte, talvez... esse infinito, esse total e profundo repouso; não me queira tirar a certeza de que ela é tudo isto: seria uma maldade, quase um crime. Pense bem: eu, que não sei o que é dormir uma noite inteira, dormir muitas, dormir todas e todos os dias e todos os anos, pelos séculos dos séculos! Só esta idéia me faz sorrir. Deve ser tão bom!
Florbela Espanca, in "Correspondência (1930)"

19 de fevereiro de 2010

O Experimento Filadélfia ou Projeto Filadélfia: História e Mito

A história que é conhecida sob o título de "O Experimento Filadélfia", surgiu através de uma série de eventos estranhos, com uma figura verdadeiramente misteriosa como estrela principal. Em 1955 um livro intitulado "The expanding case for the UFO" foi publicado. Este livro não iria ser tão conhecido por seu conteúdo, mas por causa dos eventos que se seguiram.

O autor era Morris K Jessup, um astrônomo formado pela Universidade de Michigan, onde ele também palestrou por um tempo. Mas Jessup também era um apaixonado investigador OVNI. Depois de publicar seu livro ele começou uma série de conferências públicas para promover sua publicação. Em janeiro de 1956 Jessup recebeu uma carta de alguém que obviamente assistiu a pelo menos uma de suas conferências e também leu seu livro. A carta comentava sobre o que Jessup escrevera sobre os OVNIs e em certo ponto havia uma referência a um incidente incomum.

De acordo com a carta, em outubro de 1943 um experimento ultra-secreto foi conduzido pela Marinha dos EUA. O resultado da experiência foi a invisibilidade e teleporte de um destróier dos EUA, enquanto no mar.

A carta era assinada por um certo Carl Allen, que também usou o pseudônimo de Carlos Miguel Allende. De acordo com Allen o Experimento era de fato uma aplicação prática da Teoria de Campo Unificado de Einstein.

Clique aqui para ver o texto completo.

18 de fevereiro de 2010

William Crookes: Espiritismo & Parapsicologia - Parte II

As investigações seguintes foram com a médium Kate Fox, e os resultados foram publicados no Quarterly Journal of Science, em 1871, resultando numa série de cartas e artigos atacando seu trabalho, os quais ele refutou ponto por ponto.

As ectoplasmias de Katie King estão entre as pesquisas mais importantes e conhecidas de Crookes. Envolveram a médium Florence Cook (1856-1904) e renderam uma série de fotografias obtidas numa sessão realizada em 1874.

Na época em que entrou em contato com Crookes, a médium já era conhecida por materializar o espírito de Katie King, pseudônimo adotado pelo espírito de Annie Owen Morgan, e que era o espírito-guia de Florence.

A jovem procurou Crookes e pediu que ele investigasse sua mediunidade após um incidente ocorrido durante uma sessão de materialização. Ela se encontrava dentro de uma cabine, amarrada, e com um lacre impresso com o sinete do anel do conde de Caithness, um dos que acompanharam a sessão. Quando Katie King surgiu, um dos presentes, W. Volckman, desconfiou de fraude e avançou contra Katie, agarrando uma de suas mãos e prendendo-a pela cintura. Volckman disse que Katie se libertou com violência, enquanto um advogado que também acompanhava o evento disse que ela escapuliu sem deixar qualquer traço de sua existência corporal, inclusive dos véus brancos que a envolviam. Depois de se restabelecer a calma no aposento, abriram a cabine e encontraram Florence do mesmo jeito em que estava antes, inclusive com o lacre nas amarras que a envolviam. Diz-se que, como resultado desse incidente, a jovem adoeceu.

As primeiras experiências apresentaram uma ectoplasmia em que Katie King se assemelhava um pouco à própria Florence Cook.

Posteriormente, as sessões foram organizadas no laboratório de Crookes, e foi nesse local que ocorreram as melhores ectoplasmias; as fotografias obtidas mostravam, ao mesmo tempo, a materialização e a médium. Na narração de Crookes: “[...1 Voltando ao meu posto de observação, Katie apareceu de novo e disse que pensava poder mostrar-se a mim ao mesmo tempo que a sua médium. Abaixou-se o gás e ela pediu-me a lâmpada fluorescente. Depois de ter se mostrado à claridade durante alguns segundos, restitui-me, dizendo: ‘Agora entre e venha ver a minha médium’. Acompanhei-a de perto à minha biblioteca e, à claridade da lâmpada, vi a srta. Cook estendida no canapé, exatamente como eu a tinha deixado; olhei em tomo de mim para ver Katie, porém ela havia desaparecido...”

Em outra ocasião, ele também teve oportunidade de ver a materialização e a médium ao mesmo tempo, e teve permissão para abraçar Katie King. Ao escrever sobre esse momento no The Spiritualist, Crookes disse que “[...] O sr. Volckman ficará satisfeito ao saber que posso corroborar a sua asserção de que o ´fantasma´ (que, afinal, não fez nenhuma resistência) era um ser tão material quanto a própria srta. Cook”.

Nenhum ataque que Crookes sofreu ao longo de sua vida resultou em qualquer alteração em seus pontos de vista, uma vez que ele estava certo de ter realizado as experiências com a abordagem e os controles científicos corretos. Em 1898, ele escreveu que, apesar de terem se passado trinta anos desde que realizou e publicou os resultados de suas primeiras experiências, ele não tinha nada de que se retratar, e nada que alterar.

Hernani Guimarães deu mostra do reconhecimento que Crookes recebe hoje em dia ao dizer que “[...] após mais de um século, a extraordinária figura de William Crookes emerge límpida e majestosa, desafiando serenamente aqueles que ainda tentam, em vão, enlamear-lhe a imagem. A obra deste sábio extraordinário tem resistido aos embates do tempo e aos ataques mesquinhos de seus adversários gratuitos, unicamente porque é toda ela límpida e cristalinamente apoiada sobre uma granítica base de fatos. Quem estuda, sem má-fé e sem preconceitos, os trabalhos de William Crookes, impressiona-se pela pureza, simplicidade e clareza meridiana de seus relatórios. Dos seus trabalhos, transpiram a sinceridade, a firme convicção e a serenidade de um sábio que tranqüilamente proclama a verdade, sem inquietar-se com o julgamento dos demais, por achar-se seguro de que o erro está com aqueles que negam a evidência dos fatos”.

A tenacidade com que Crookes perseguiu e se dedicou ao método cientifico de experimentação dos fenômenos que assombravam o mundo na época abriu caminho para outros cientistas. Para muitos dos que, hoje, se dedicam a essas pesquisas, ele foi um dos responsáveis, e talvez o grande responsável, pelo desenvolvimento da metapsíquica, que posteriormente resultou na parapsicologia.

William Crookes acreditava que existia uma “força”, exercida por uma inteligência diferente da inteligência comum “dos mortais, e que o conhecimento cientifico não conseguia perceber. Em um de seus importantes textos a respeito dos fenômenos que estudou, Crookes disse ser “[...] absolutamente verdadeiro que uma conexão foi estabelecida entre este mundo e o outro”.

O que se espera é que os atuais pesquisadores sigam o exemplo do cientista, pesquisando sem preconceitos, mas ao mesmo tempo obedecendo aos critérios necessários para as experiências. E sempre considerando que é absolutamente necessário estar com a mente aberta para receber os resultados das investigações, quaisquer que eles sejam.
Notas: (Revista Espiritismo e Ciência, Ano 2, número 8: Páginas 38-44)

17 de fevereiro de 2010

William Crookes: Espiritismo & Parapsicologia - Parte I

William Crookes (1832-1919) já foi considerado entre os mais importantes cientistas do século 19, tanto no campo da física quanto da química. Além disso, teve um papel fundamental no desenvolvimento das pesquisas científicas relativas aos fenômenos psíquicos, ou paranormais. O que se diz é que, juntamente com Charles Richet, ele iniciou o período científico da metapsíquica, que posteriormente passou a ser chamada de parapsicologia.

O cientista brasileiro Hernâni Guimarães Andrade disse que nenhum cientista levantou tanta celeuma com as afirmações sobre os fenômenos que estudou, nenhum teve sua reputação tão atacada e nenhum foi tão firmemente honesto em suas convicções científicas quanto ele.

A partir de 1856, Crookes se dedicou totalmente ao trabalho cientifico, utilizando seu laboratório particular. Ele começou a estudar no Royal College of Chemistry com 15 anos, e herdou uma grande fortuna de seu pai, o que certamente lhe deu grande liberdade para pesquisar. Em 1861, descobriu o elemento químico tálio que, indiretamente, o levou à invenção do radíômetro (instrumento para medir a intensidade dos raios luminosos e caloríficos), em 1875. Posteriormente, ele desenvolveu um tubo de vácuo, que foi o precursor do tubo de raios X, e seus estudos sobre os raios catódicos foram fundamentais para o desenvolvimento da física atômica.

O chamado “tubo de Crookes”, que ele desenvolveu em 1878, foi pioneiro no estudo das descargas elétricas no vácuo, e ainda é utilizado hoje em dia, praticamente em sua forma original, para estudar a passagem de uma corrente elétrica através de gases, como o ar.

Quando os chamados “fenômenos espiritualistas” ganharam evidência no mundo, após os acontecimentos com as irmãs Fox, em 1854, vários médiuns começaram a demonstrar inúmeros fenômenos como levitação, materializações e muitos outros. Assim, já carregando uma reputação internacional, Crookes resolveu investigar o espiritualismo. A história diz que, a princípio, ele se mostrava muito cético, mas afirmava que era o dever dos homens de ciência – que aprenderam as formas corretas de trabalhar e pesquisar – examinar fenômenos que atraíam a atenção do público, para confirmar se eram genuínos ou, se possível, explicar as ilusões e os truques realizados por aqueles que pretendiam enganar as pessoas.

O ceticismo começou a desaparecer quando ele realizou experiências com Daniel Dunglas Home, um dos mais famosos médiuns da época, convencendo-se de que ele possuía uma força psíquica poderosa. Claro que essa “conversão” teve seu preço: a comunidade cientifica estava esperando que Crookes rejeitasse a realidade dos fenômenos, e sua manifestação a favor chocou seus colegas.

As experiências mais famosas foram as com a médium Florence Cook, que dizia materializar um espírito que chamava de Katie King. Crookes obteve um total de 44 fotografias do espírito. Se as experiências anteriores chocaram a comunidade científica, essas despertaram uma verdadeira hostilidade, e ele chegou a ser acusado de agir em cumplicidade com Florence Cook.

O interesse do cientista pelos fenômenos começou depois de ter assistido a uma sessão com a médium Mary Marshall (18421884), em julho de 1869, na qual ocorriam fenômenos como raps, movimentos e levitação de mesa, escrita direta em quadros-negros, etc. Em dezembro do mesmo ano, ele assistiu a sessões do sensitivo J.J. Morse (1848-1919), considerado o maior médium psicofônico da época. E, em julho de 1870, depois que Henry Slade chegou a Londres, Crookes anunciou sua decisão de investigar os fenômenos através do artigo chamado Spiritualism Viewed by the Light of Modern Science (O Espiritualismo Visto à Luz da Ciência Moderna), publicado no Quarterly Journal of Science. Ele declarava que não tinha opiniões preconcebidas a respeito do assunto, e que a investigação tinha sido sugerida “por um eminente homem que exercia grande influência no pensamento do país”. Ele ainda escreveu que “[...] O crescente emprego dos métodos científicos produzirá uma geração de observadores que lançará o resíduo imprestável do espiritualismo, de uma vez por todas, ao limbo desconhecido da magia e da necromancia”.

Esse artigo fez com que a imprensa e os cientistas tivessem uma idéia errada a respeito do que Crookes pretendia fazer, entendendo que o resultado das experiências e pesquisas seria, inevitavelmente, contrário à existência dos fenômenos e ao espiritualismo em geral. Hemâni Guimarães Andrade entendeu que essa aversão ao espiritualismo na época podia ser por influência da filosofia positivista, bastante presente nas elites culturais da Europa.

Da mesma forma, o relatório publicado pela London Dialectical Society, em 1870 – e que concluía que os fenômenos ligados ao espiritualismo eram verdadeiros – teve uma péssima repercussão, tanto na imprensa quanto entre cientistas, apesar de apresentar experiências realizadas por pessoas acima de qualquer suspeita.

As investigações do Crookes, realizadas entre 1869 e 1875, envolveram vários médiuns famosos, como Daniel Dunglas Home, Kate Fox, Charles Edwards Williams, Florence Cook, Annie Eva Fay, Stainton Moses e outros.

Alguns pesquisadores entendem que as experiências realizadas com D.D. Home foram as que tiveram o melhor controle científico, e constam dos arquivos da Society for Psychical Research. Apresentaram fenômenos de efeitos físicos como a movimentação de corpos pesados, sem contato e sem esforço mecânico do médium. Crookes chegou a construir aparelhos para medir os fenômenos, como alavancas, dinamômetros e aparelhos para registros gráficos.
Home ficou mais conhecido pelo fenômeno da levitação, e Crookes disse que “[...] Há pelo menos 100 casos bem verificados de elevação do Sr. Home, produzidos em presença de muitas pessoas diferentes”. O cientista também citou outros fenômenos, como os luminosos e de materialização parcial. “Em plena luz”, relatou Crookes, “vi uma nuvem luminosa pairar sobre um heliotrópio colocado em cima de uma mesa, ao nosso lado, quebrar-lhe um galho, e trazê-lo a uma senhora; e, em algumas ocasiões, percebi uma nuvem semelhante condensar-se sob nossos olhos, tomando uma forma de mão, e transportar pequenos objetos”.

Ele também citou casos de materialização parcial, como a em que uma mão se formou, elevou-se de uma mesa e deu uma flor a Crookes. Algumas vezes, ele informou, os membros materializados tinham a aparência de uma nuvem vaporosa e, quando tocadas, às vezes davam a sensação de serem frias como gelo, outras vezes quentes e vivas, chegando a cumprimentar o investigador. Em outra oportunidade, Crookes tentou segurar a mão, e ela simplesmente se desmaterializou.
(continua...)

9 de fevereiro de 2010

A Essência das Coisas

Nunca me conformei com um conceito puramente científico da Existência, ou aritmético-geométrico, quantitativo-extensivo. A existência não cabe numa balança ou entre os ponteiros dum compasso. Pesar e medir é muito pouco; e esse pouco é ainda uma ilusão. O pesado é feito de imponderáveis, e a extensão de pontos inextensos, como a vida é feita de mortes.
A realidade não está nas aparências transitórias, reflexos palpitantes, simulacros luminosos, um aflorar de quimeras materiais. Nem é sólida, nem líquida, nem gasosa, nem electromagnética, palavras com o mesmo significado nulo. Foge a todos os cálculos e a todos os olhos de vidro, por mais longe que eles vejam, ou se trate dum núcleo atómico perdido no infinitamente pequeno, ou da nebulosa Andrómeda, a seiscentos mil anos de luz da minha aldeia!

A essência das coisas, essa verdade oculta na mentira, é de natureza poética e não científica. Aparece ao luar da inspiração e não à claridade fria da razão. Esta apenas descobre um simples jogo de forças repetido ou modificado lentamente, gestos insubstanciais, formas ocas, a casca de um fruto proibido.
Mas o miolo é do poeta. Só ele saboreia a vida até ao mais íntimo do seu gosto amargoso, e se embrenha nela até ao mais profundo das suas sensações e sentimentos. É o ser interior a tudo. Para ele, a realidade não é um conceito abstrato, ideia pura, imagem linear; é uma concepção essencial, imagem hipostasiada, possuída em alma e corpo, nupcialmente, dramaticamente, à São Paulo ou Shakespeare.
Teixeira de Pascoaes, in "O Homem Universal"

1 de fevereiro de 2010

O Homem Interior

O problema por conseguinte, é este: para que o homem possa transformar-se radicalmente, fundamentalmente, torna-se necessária uma mutação nas próprias células cerebrais de sua mente. Dizem-nos que devemos mudar, que devemos agir, que devemos transformar nossa mente, nosso coração, tornar-nos uma coisa totalmente diferente. Isso vem sendo pregado há milhares de anos por homens muito sérios, muito ardorosos, e também por charlatães interessados em explorar o povo. Mas, agora, chegamos ao ponto em que não há mais tempo a perder.
Compreendei isto por favor. Não dispomos de tempo para efetuar gradualmente tal transformação. Os intelectuais de todo o mundo estão reconhecendo que o homem se acha à beira de um abismo, na iminência de destruir a si próprio. Nem religiões, nem deuses, nem salvadores, nem mestres, nem as lenga-lengas dos gurus, poderão impedi-los. Dizem os intelectuais ser necessário inventar uma nova droga, uma 'pílula dourada' capaz de produzir uma completa transformação química; e os cientistas provavelmente descobrirão esta droga. Não sei se estais bem a par dessas coisas. Ora conquanto o organismo físico seja um produto bioquímico, pode uma droga, uma superdroga fazer-vos amar, tornar-vos bondosos, generosos, delicados, não violentos?

Não o creio; nenhum preparado químico pode fazer os homens amarem-se uns aos outros. O amor não é um produto do pensamento; também não é cultivável, como a flor que cultivamos em nosso jardim. O amor não pode ser comprado numa drogaria, e o amor é a única coisa que poderá salvar o homem - e não os artifícios das religiões, nem seus ritos, nem todos os exércitos do mundo. Podemos fugir, assistindo a concertos, visitando museus, entregando-nos a divertimentos de toda ordem - debalde! - porque o homem se acha hoje em dia em presença de um tremendo problema: se tem a possibilidade de transformar-se radicalmente, de efetuar uma total mutação de sua consciência, não amanhã, nem daqui a alguns anos, mas agora! Eis o problema principal: se o homem, em qualquer país que viva, com todas as suas belezas naturais, é capaz de operar uma mutação radical em seu interior, imediatamente. E não podeis resolvê-lo com vossas crenças, vossas ideologias, vossos deuses, salvadores, sacerdotes e rituais. Essas coisas já não tem o menor significado.

“Nisso não há professor, não há aluno, não há líder, não há guru, não há mestre, não há salvador. Você mesmo é o professor, o aluno, você é o mestre, você é o guru, você é o líder, você é tudo.”
Jiddu Krishnamurti