18 de fevereiro de 2010

William Crookes: Espiritismo & Parapsicologia - Parte II

As investigações seguintes foram com a médium Kate Fox, e os resultados foram publicados no Quarterly Journal of Science, em 1871, resultando numa série de cartas e artigos atacando seu trabalho, os quais ele refutou ponto por ponto.

As ectoplasmias de Katie King estão entre as pesquisas mais importantes e conhecidas de Crookes. Envolveram a médium Florence Cook (1856-1904) e renderam uma série de fotografias obtidas numa sessão realizada em 1874.

Na época em que entrou em contato com Crookes, a médium já era conhecida por materializar o espírito de Katie King, pseudônimo adotado pelo espírito de Annie Owen Morgan, e que era o espírito-guia de Florence.

A jovem procurou Crookes e pediu que ele investigasse sua mediunidade após um incidente ocorrido durante uma sessão de materialização. Ela se encontrava dentro de uma cabine, amarrada, e com um lacre impresso com o sinete do anel do conde de Caithness, um dos que acompanharam a sessão. Quando Katie King surgiu, um dos presentes, W. Volckman, desconfiou de fraude e avançou contra Katie, agarrando uma de suas mãos e prendendo-a pela cintura. Volckman disse que Katie se libertou com violência, enquanto um advogado que também acompanhava o evento disse que ela escapuliu sem deixar qualquer traço de sua existência corporal, inclusive dos véus brancos que a envolviam. Depois de se restabelecer a calma no aposento, abriram a cabine e encontraram Florence do mesmo jeito em que estava antes, inclusive com o lacre nas amarras que a envolviam. Diz-se que, como resultado desse incidente, a jovem adoeceu.

As primeiras experiências apresentaram uma ectoplasmia em que Katie King se assemelhava um pouco à própria Florence Cook.

Posteriormente, as sessões foram organizadas no laboratório de Crookes, e foi nesse local que ocorreram as melhores ectoplasmias; as fotografias obtidas mostravam, ao mesmo tempo, a materialização e a médium. Na narração de Crookes: “[...1 Voltando ao meu posto de observação, Katie apareceu de novo e disse que pensava poder mostrar-se a mim ao mesmo tempo que a sua médium. Abaixou-se o gás e ela pediu-me a lâmpada fluorescente. Depois de ter se mostrado à claridade durante alguns segundos, restitui-me, dizendo: ‘Agora entre e venha ver a minha médium’. Acompanhei-a de perto à minha biblioteca e, à claridade da lâmpada, vi a srta. Cook estendida no canapé, exatamente como eu a tinha deixado; olhei em tomo de mim para ver Katie, porém ela havia desaparecido...”

Em outra ocasião, ele também teve oportunidade de ver a materialização e a médium ao mesmo tempo, e teve permissão para abraçar Katie King. Ao escrever sobre esse momento no The Spiritualist, Crookes disse que “[...] O sr. Volckman ficará satisfeito ao saber que posso corroborar a sua asserção de que o ´fantasma´ (que, afinal, não fez nenhuma resistência) era um ser tão material quanto a própria srta. Cook”.

Nenhum ataque que Crookes sofreu ao longo de sua vida resultou em qualquer alteração em seus pontos de vista, uma vez que ele estava certo de ter realizado as experiências com a abordagem e os controles científicos corretos. Em 1898, ele escreveu que, apesar de terem se passado trinta anos desde que realizou e publicou os resultados de suas primeiras experiências, ele não tinha nada de que se retratar, e nada que alterar.

Hernani Guimarães deu mostra do reconhecimento que Crookes recebe hoje em dia ao dizer que “[...] após mais de um século, a extraordinária figura de William Crookes emerge límpida e majestosa, desafiando serenamente aqueles que ainda tentam, em vão, enlamear-lhe a imagem. A obra deste sábio extraordinário tem resistido aos embates do tempo e aos ataques mesquinhos de seus adversários gratuitos, unicamente porque é toda ela límpida e cristalinamente apoiada sobre uma granítica base de fatos. Quem estuda, sem má-fé e sem preconceitos, os trabalhos de William Crookes, impressiona-se pela pureza, simplicidade e clareza meridiana de seus relatórios. Dos seus trabalhos, transpiram a sinceridade, a firme convicção e a serenidade de um sábio que tranqüilamente proclama a verdade, sem inquietar-se com o julgamento dos demais, por achar-se seguro de que o erro está com aqueles que negam a evidência dos fatos”.

A tenacidade com que Crookes perseguiu e se dedicou ao método cientifico de experimentação dos fenômenos que assombravam o mundo na época abriu caminho para outros cientistas. Para muitos dos que, hoje, se dedicam a essas pesquisas, ele foi um dos responsáveis, e talvez o grande responsável, pelo desenvolvimento da metapsíquica, que posteriormente resultou na parapsicologia.

William Crookes acreditava que existia uma “força”, exercida por uma inteligência diferente da inteligência comum “dos mortais, e que o conhecimento cientifico não conseguia perceber. Em um de seus importantes textos a respeito dos fenômenos que estudou, Crookes disse ser “[...] absolutamente verdadeiro que uma conexão foi estabelecida entre este mundo e o outro”.

O que se espera é que os atuais pesquisadores sigam o exemplo do cientista, pesquisando sem preconceitos, mas ao mesmo tempo obedecendo aos critérios necessários para as experiências. E sempre considerando que é absolutamente necessário estar com a mente aberta para receber os resultados das investigações, quaisquer que eles sejam.
Notas: (Revista Espiritismo e Ciência, Ano 2, número 8: Páginas 38-44)

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