18 de maio de 2009

Tradução Mística do Filme Matrix Pt.2

Esses processos personalísticos que nos prendem a ilusão, são representados no filme pelos agentes da Matrix, programas sencientes que entram e saem em qualquer software conectado ao sistema deles. Fazendo eco as palavras dos sábios nos Vedas, Morfeu diz, que “Qualquer um ainda não libertado, é um agente em potencial da Matrix. Eles são todos e não são ninguém”. Os processos personalísticos, relacionam-se aos sete pecados capitais, “… eles são os porteiros, protegem todas as portas e tem todas as chaves.”. Às vezes, os seres humanos são vencidos por esses agentes da Matrix, alguns até pactuam com eles, como é o caso de Cypher. Ele é aquele viu a verdade, despertou para a realidade mais prefere a ilusão e a mentira. Ele, Cypher, diz ter percebido após nove anos (número equivalente aos degraus da escada de Jacó, que simbolicamente leva o homem do mundo terreno ao mundo espiritual), que “A ignorância é maravilhosa”. Dessa forma, pensam os magos negros, aqueles que fazem opção por Avidya, pela ignorância, que voltam as costas à Luz e mergulham
voluntariamente na escuridão.
Os que assim procedem, sempre acusam aos que lhes mostraram o caminho, de fraquezas e incapacidade, que eles mesmos possuem. Corroídos pelo ódio, pela luxúria e pela inveja, afirmam terem sido enganados, por seus Mestres, que quando fazem realmente jus a esse nome, tentaram sempre, guia-los na Boa Senda. Cypher, representa o traidor, que trai a sua própria natureza humana, ao submeter-se ao domínio das máquinas. Ele oferece a si mesmo, como pasto para as forças negativas que passa a servir, em troca de prazeres ilusórios. Age assim no intuito de satisfazer seus impulsos baixos, suas Nidhanas.
O iniciado, seguidor dos Mestres da Grande Fraternidade Branca, até que se torne verdadeiramente um Adepto, enquanto estiver encarnado, sentirá os apelos de seus veículos inferiores. Isso ocorre porque nesse estado, ainda possui elementos básicos em sua composição ainda por equilibrar e que por isso mesmo exigem satisfação. Apesar disso ele não os nega, mas os transmuta, canalizando-os para realizações reais que o libertem cada vez mais da ilusão da Maya, tornando-os elementos impulsionadores de sua evolução. Num determinado ponto do filme, inclusive, um dos membros da tripulação Mouse, fala com Neo sobre isso, dizendo-lhe, que “Negar os nossos impulsos é negar aquilo que faz de nós humanos”. Ciente disso, o verdadeiro iniciado é extremamente consciente de seus impulsos, não os recalcando hipocritamente para as regiões do subconsciente, onde irão se acumulando, como esqueletos no armário, de onde continuarão a atuar sem nenhum controle, disciplina ou educação, até invadirem como uma enchente de um rio bravio, a consciência, dominando-a e arrastando-a as maiores perversões. Por isso o verdadeiro iniciado, sabe que deve vigiar seus sentidos, para através de um sistema iniciático sério, de uma disciplina superior, não recalcar, mas trabalhar, transformar suas Nidhanas, ou tendências negativas, em Skandhas, ou características positivas.
Num determinado nível dessa etapa da iniciação de Neo, Morfeu o conduz até o Oráculo. Vemos que a entrada do elevador é guardada por um cego, que vê. Ele, o cego, que responde ao sinal que Morfeu lhe faz com a cabeça, representa os iniciados, guardiões da Luz, cegos para o mundo ilusório, mas iluminado para a realidade. Já dentro do elevador o Mestre diz então a Neo, para tentar “Não pensar em termos de certo e errado.”, pois para os que chegam ao Oráculo, certo e errado, bem e mal, feio e bonito, todos os pares de opostos se anulam. Às portas do Oráculo, Morfeu, o Mestre diz ao seu discípulo, “Só posso te mostrar a porta. Você tem de atravessá-la”, indicando assim que cada passo do discípulo em prova é dado por sua própria conta, pois na Senda da Iluminação ninguém caminhará, ou tomará as decisões por ele.
Porém, quando Neo coloca a mão na maçaneta da porta, esta lhe é aberta, mais uma vez por uma sacerdotisa. Essa atuação constante do elemento feminino, demonstra a necessidade da interação dinâmica de ambas as polaridades humanas, de acordo com certas regras esotéricas..
Assim macho e fêmea, interagem ciclicamente no processo iniciático de crescimento espiritual, através do entrelaçamento das forças de Fohat e Kundalini. Ao integrarem-se dessa forma, ambas as energias dão origem ao Andrógino Divino, um ser verdadeiramente equilibrado, mas que conserva as características do corpo que ocupa, se masculino, vive e relaciona-se como homem, se feminino, vive e relaciona-se como mulher, podendo em alguns casos fazer opção pelo Brahmacharya, ou voto de castidade. O resultado da integração dinâmica das polaridades cósmicas, é totalmente diferente das expressões caóticas homossexuais ou bissexuais, dois tipos que representam seres decaídos, em oposição ao Andrógino Divino, que é a perfeição evolutiva humana. Já dentro da sala do Oráculo, Neo encontra várias crianças, especialmente um menino, uma espécie de pequeno monge, do qual aprende alguns mistérios, sobre esse mundo ilusório, num episódio que lembra bem aquela passagem bíblica, onde o Cristo bíblico, ensina que aquele que não se tornar como estas crianças, não entrará no reino dos céus. Dentro do Oráculo, uma cozinha, onde a Pitonisa, ou profetisa (novamente uma mulher), manipulando um forno moderno, quebra as expectativas do discípulo. A cozinha nos faz lembrar o laboratório dos alquimistas e o forno o Athanor, ou forno utilizado pelos alquimistas, Adeptos da Arte Real.
Num determinado ponto de sua conversa ela, a Pitonisa, cita-lhe o celebre axioma socrático, “Conhece-te a ti mesmo”, que via-se as portas do oráculo de Delfos, o qual essa etapa do filme representa. Só que as portas do Oráculo de Delfos, as palavras citadas no filme, estavam escritas em grego e de forma mais integral exortavam, “Homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses.”.
A mulher que representa a Pitonisa do Oráculo, lhe afirma de forma metafórica, que “Ser o escolhido é como estar apaixonado. Ninguém pode te dizer se você está. Você simplesmente sabe. Não tem dúvida, nenhuma”. Assim ao lhe falar sobre o escolhido, ela descreve o processo de iluminação avatárica, pois este não é uma coisa que se busca e que se consegue, ou que fica-se esperando, ele simplesmente é, como algo que simplesmente acontece, e nesse ponto do filme, Neo, não é o escolhido. A Pitonisa, afirma que ele tem o dom, isso diríamos nós todos temos, mas ele parece que “está esperando por algo”. Quando Neo lhe indaga, a respeito do que poderia estar esperando ela lhe responde ” Sua próxima vida talvez”. Dessa forma, Neo age como a maioria das pessoas, que iniciam-se na Senda, e que protela para a próxima vida a iluminação, esperando, pensando que; Afinal ela não é para agora, quem sabe mais tarde…
Ao sair do Oráculo, Neo, encontra-se com Morfeu e este lhe adverte, “Que o que foi dito era para você e apenas para você”, assim é com tudo que é comunicado nas verdadeiras iniciações Assúricas, com aquilo que é falado do iniciador para o iniciando, de boca-para-ouvido, de maneira sutil e discreta, quase que imperceptivelmente.
Quando porém, os agentes de Matrix capturam Morfeu, um representante dos processos internos personalísticos, intelectualiza a existência humana e de forma convincente, compara o seu desenvolvimento humano sobre a terra, que na maioria das vezes, foi totalmente controlado pela personalidade caótica, ou seja por esses mesmos processos internos, ao o de um vírus. Dessa maneira, o agente se coloca como a cura para o mal, que segundo ele é representado pela maior de todas as criações de Deus na Terra, o Ser Humano, ignorando em seu discurso, o desenvolvimento do Espirito Humano, capaz dos maiores gestos de sacrifício, altruísmo e fraternidade, única esperança para o planeta. Esse Espirito Humano, quando plenamente desenvolvido, subjuga a natureza animal e mecânica e converte o Homem, na expressão de Deus na face da Terra. Esse espírito humano, quer o chamemos, Deus, Bramam, Ala, Jeová, Tao, opõe-se aos processos mecânicos, instintivos e animalescos, que controlam os seres ainda inconscientes, atuando de forma a libertar a Centelha Divina, promovendo o nascimento do Avatar, ou como é expresso no filme do Escolhido. Vemos isso, quando Neo toma a decisão de sacrificar-se, dando-se em holocausto pelo seu amigo e Mestre Morfeu.
Apesar de conhecermos intelectualmente o exposto acima, as esclarecedoras palavras de Morfeu, após ser resgatado devem ser consideradas; “Cedo ou tarde, você vai perceber, como eu, que há uma diferença entre conhecer o caminho e percorrer o caminho“.
Num determinado ponto do fim do filme a personagem Trinity, reproduz um dos mais antigos mitos da humanidade, ao trazer Neo de volta a vida, fazendo com que ele obtenha sucesso na última e derradeira iniciação conhecida por nós como Morte.
Quase no final do filme, vemos através das palavras do personagem principal, que o Avatar não significa um fim, mas um começo, de algo novo, ilimitado, sem fronteiras, um novo ciclo, livre de Maya, sem ilusão, onde tudo é possível ao ser desperto. Ele dirigi-se a Matrix, a estrutura geradora da ilusão, declarando-se decidido a “…mostrar a essas pessoas o que [Matrix] não quer que elas vejam. Vou mostrar a elas um mundo sem você. Um mundo sem regras, sem controles. Um mundo onde tudo é possível.”.
Sua última frase, dirigida a Matrix, a Maya, a Ilusão, ou melhor dizendo, dirigindo-se aquilo que torna possível esse processo de auto-hipnose, nossa personalidade, pode ser considerada como dirigida a cada um de nós. Ele fala calmamente sobre a decisão que deixa a cada um dos espectadores, “Para onde vamos daqui, é uma escolha que deixo para você.”.
O filme termina, com Neo saindo do chão e voando, reproduzindo o arquétipo da ascensão, ou da subida aos céus, que simboliza a realização plena do iniciado, já tornado um verdadeiro Adepto, fazendo parte agora de outro processo evolutivo, relativo ao desenvolvimento dos deuses.

"O ser humano vivencia a si mesmo, os seus pensamentos, como algo separado do resto do universo, numa espécie de ilusão de óptica da sua consciência.
E essa ilusão é uma espécie de prisão que nos restringe aos nossos desejos pessoais, conceitos e ao afeto por pessoas mais próximas.
A nossa principal tarefa é a de nos livrarmos dessa prisão, ampliando o nosso círculo de compaixão para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza.
Ninguém conseguirá alcançar completamente esse objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte da nossa liberação e o alicerce da nossa segurança interior".

(Albert Einstein)

14 de maio de 2009

Tradução Mística do Filme Matrix Pt.1

“O que é real? Como define real? Se você está falando do que pode ser cheirado, provado e visto, então real é simplesmente um sinal elétrico interpretado pelo seu cérebro”.
(Morpheus)
Esse filme é o que se pode chamar de uma revelação, no sentido de re-velar, ou seja velar de novo, apresentando antigos ensinamentos numa linguagem nova, utilizando para isso, com uma certa mistificação, o elemento tecnológico do mundo moderno, a Internet.
Dessa forma, através de uma nova contextualização, o filme resgata para nossa civilização, de uma forma alegorizada, verdades universais contidas no Tao Te King; Bhagavad-Gita, em todos os Vedas, enfim, verdades que de outro modo se perderão, se não encontrarmos uma linguagem que nos permita comunica-las às novas gerações.
Nele fica nítido que um dos arquétipos do herói mitológico, muito utilizado na época do Jesus bíblico, geralmente associado a determinados imperadores, heróis, ou semideuses, permeia toda a trama, no caso em questão, o arquétipo utilizado é o do messias, ou ungido, que podemos resumir da seguinte forma: Um redentor esperado, de nascimento virginal, a traição por parte de um de seus companheiros, a luta contra as forças do mal, a morte e a ressurreição, e finalmente a ascensão aos céus.
O filme, analisado hoje, começa com Trinity, a iniciadora em conexão com o mundo real através de uma linha telefônica, no Heart O’ The City Hotel. Essa linha do ponto de vista simbólico, equivale a vibração do Anahata, ou Chacra Cardíaco, que permite-nos, uma vez ativado, sintonizar nossa consciência com nosso átomo primordial. No atual estado evolutivo da humanidade, esse chacra só pode ser dinamizada pelo elemento feminino.
O número que vemos em exposição na tela do console manipulado pelo personagem Trinity, é 506, equivale ao Arcano 11, (5+0+6= 11), ou seja a lâmina da força. Nesta lâmina do Tarô, vemos uma mulher abrindo com as mãos nuas, a boca de um leão. No filme, Trinity representa a Shakti, a força que penetrando no Chacra Cardíaco do iniciado, promove a consciência.
O ser que está na Senda Iniciática, representado pelo personagem principal, utiliza um pseudônimo, o equivalente ao nome secreto empregado em algumas escolas. Neo, lido anagramaticamente, equivale a Noé, One (um), ou Eon, que em grego significa ciclo, era ou período, simbolizando a ligação desse personagem com um novo começo, algo novo, uma nova era.
Ele, Neo, recebe a primeira instrução de sua iniciadora, Trinity, que lhe diz como se estalasse os dedos, “Acorde, Neo”, da mesma maneira que os iniciadores repetem isso aos discípulos, durante toda a sua jornada na Senda.
O personagem principal do filme, como todos os outros que se iluminaram antes dele, procurava a resposta para nas palavras de Trinity, “A pergunta que nos impulsiona”.
Quando finalmente trava contato, com Morfeu, seu Mestre, este diz a Neo, que “há duas formas de sair daí, uma é pelo andaime, outra é levado por eles”, ou seja uma vez que o indivíduo, desperta para as Leis ocultas que determinam os acontecimentos nos planos da manifestação, elevando sua consciência a um nível superior as pessoas comuns, só há duas maneiras dele continuar seu desenvolvimento, uma é subindo, outra é capturado pelas forças, que representam os processos personalísticos que nos controlam.
Neo hesita, devido a seu medo e desconfiança, gerados pelo sentimento de auto-preservação e acaba capturado pelos elementos personalísticos.
Mas tarde, vemos Neo, de volta a sua vida comum, supostamente liberto, sendo levado ao encontro de Morfeu, para sua iniciação. Porém, antes dele entrar no vestíbulo onde o Mestre o espera, Trinity a iniciada que o guia, como uma Ariadne que guiou Teseu no labirinto de Creta, lhe dá um conselho semelhante ao que é dado a todo discípulo em prova; “Seja sincero. Ele sabe mais do que você imagina.”. Só então, ela lhe abre a porta da sala onde o Mestre lhe espera.
Durante o diálogo que se segue, Morfeu observa que ele, Neo, é; “Um homem que aceita o que vê”. Entendemos melhor essa afirmação quando consideramos que o nome “real” do personagem Neo no filme, é Thomas A. Anderson, Thomas é equivalente a Tomás ou Tomé, demonstrando o relacionamento do personagem a São Tomé, o apóstolo que precisava ver para crer. Vale notar, que o sistema iniciático adotado por Morfeu, relaciona-se, na sua forma extremamente simples e objetiva, a iniciação mental, praticada nas escolas em sintonia com o atual estado de consciência da humanidade, focado mental concreto, e que portanto não trabalham mais com o sistema de iniciação astral, ou fenomênico, utilizada em escolas mais primitivas.
Morfeu, ensina sobre A Matrix - (Ma = m = Maya, que significa ilusão em sânscrito e Trix = Tri = Três). Matrix, tem o mesmo significado das tradicionais Três Mayas, Três Véus, ou Três Ilusões, a ilusão física, a ilusão psíquica e a ilusão espiritual, que segundo o hinduismo ocultam a realidade.
Ele, o Mestre, apresenta seus ensinamentos na forma de questões do tipo “Você deseja saber o que ela é ?”, ao receber resposta afirmativa de Neo, continua “A Matrix, está em todo lugar. A nossa volta. Mesmo agora, nesta sala. Você pode vê-la quando olha pela janela, ou quando liga sua televisão. Você a sente quando vai para o trabalho, quando vai a igreja, quando paga seus impostos. É o mundo colocado diante dos seus olhos para que não veja a verdade”.
Ao questionamento seguinte do discípulo (Neo), sobre o que é a verdade, ele continua implacavelmente, dizendo que a verdade é “Que você é um escravo. Como todo mundo, você nasceu num cativeiro, nasceu numa prisão que não consegue sentir ou tocar. Uma prisão para sua mente. Infelizmente é impossível dizer o que é a Matrix (ou a Maya). Você tem de ver por si mesmo.”, nesse momento então ele oferece a Neo, uma pílula azul, para conservar o sonho, a Maya, e outra vermelha para mudar sua percepção da realidade. A cor da primeira pílula, o azul é associada ao conservadorismo,no mesmo sentido do sangue real, ou azul das antigas monarquias européias. A cor da segunda é vermelha, relacionado as transformação revolucionárias violentas, associado a mudanças radicais. Morfeu, o Mestre, tem a chave que abre as portas para o real, mas Neo, o discípulo, tem que fazer a escolha.
Durante a iniciação ele morrerá para um mundo de sonhos e nascerá para o mundo real, despertando plenamente para a verdadeira natureza, do mundo físico, do mundo psíquico e do mundo espiritual, compreendendo dessa forma a tríplice natureza unitária da realidade. Para entendermos melhor o que ocorre com Neo a partir daí, é importante considerarmos o que é dito no Bhagvad-gita, por Sri Krisna, quando se dirige a seu discípulo Arjuna e lhe diz “Ó Arjuna, o Senhor Supremo está situado no coração de todo mundo, e dirige as divagação (os sonhos) de todas as entidades vivas, que estão sentadas como numa máquina, feita de energia material”. (Bhagavad-Gita - Como Ele É, texto 61, capítulo 18, pág. 706. - A.C. B. Swami Prabhupada).
No filme, já no mundo real, a bordo do Nabucondonossor, observamos a analogia da lei que afirma que são necessários sete discípulos, para formar um Mestre, temos os personagens; Trinity, Apoc, Switch, Dozer, Tank, Mouse e Cypher, como os sete discípulos, tendo como representante da consciência do Mestre, a figura do líder Morfeu, ou Morpheus (Personagem mitológico, deus do sono grego).
Na nave, ou arca, chamada no filme de Nabucondonosor, percebemos referência o ano 2069 (2+0+6+9 = 17), correspondente ao Arcano 17, a Estrela, símbolo relacionado a egrégora da Obra, em que estão empenhados esses divinos rebeldes. Avançando um pouco mais, vemos que na segunda parte da iniciação de Neo, Morfeu lhe informa que no começo do século 21, número que no Tarô iniciático de JHS, corresponde a lâmina do Louco, os homens criaram a I.A. (Inteligência Artificial), um tipo de consciência singular, que gerou uma raça inteira de máquinas, ou de seres mecanizados. Bem semelhante ao que acontece em nossos dias, onde os seres humanos vão sendo “robotizados”, num processo de massificação que antigamente era chamado costume, mas que na atualidade tem o nome de moda. Tornando-se cada vez mais inconscientes, num mundo dominado por padrões de comportamento.
Segundo Morfeu, encantados com sua própria grandeza, os homens celebravam sua realização, porém na guerra que adveio após tal sucesso, eles queimarão o céu, ou seja, fecharão as portas para as energias solares, positivas, transformando o mundo num deserto tecnológico de trevas, sem Deus, onde os seres mecânicos se tornaram os senhores. Da era de ouro porém, só restou Sião, “a última cidade humana”, Sião ou Sinai, é na tradição israelita o Monte sagrado onde Moisés teria recebido as Tábuas da Lei do próprio Deus.
Segundo o personagem Tank, Sião fica localizada nas entranhas da Terra, próximo ao seu núcleo incandescente, o Sol Central do planeta. Relacionando-se claramente assim, aos mistérios dos Mundos Subterrâneos, especificamente a cidade subterrânea de Shamballa (Sião = S = Shangrilla, Shamballa das tradições transhimalaianas). Shamballa, é um núcleo de integração de consciências espirituais elevadíssimas, que vibra no interior da terra, representado alegoricamente como uma cidade. Dessa forma, Sião representaria o lugar onde realmente somos o que somos e do qual fomos enviados a face da terra, onde conforme diz o personagem Tank, será festejado o fim da guerra maniqueísta entre os filhos da Luz e os filhos das trevas, representados pelos homens e pelas máquinas.
Só o líder, ou o Mestre, de cada nave, ou Arca, recebe as senhas, ou as chaves, para penetrar em Sião, assim Morfeu, é também um pontífice (Pontifex = construtor de ponte), construindo a ponte entre o mundo ilusório e o mundo real, entre Matrix e Sião.
Já na terceira fase do processo iniciático (treinamento) que Morfeu submete seu discípulo, ele declara a Neo, “Quero libertar sua mente, Neo. Mas só posso te mostrar a porta. Você tem de atravessa-la”.
Apesar do personagem de Morfeu declarar no filme, que os seres humanos não estão prontos para “acordar”, isso não faz das pessoas adormecidas inimigas. Suas palavras contundentes, expõem o que é dito nos Vedas, quando os sábios afirmam que todos; pais, mães, irmãos, avôs, avós, amigos, namorados, cônjuges, etc. são “soldados ilusórios”, que promovem nosso apego a Maya, pois enquanto adormecidos, os seres humanos fazem parte do “sistema ilusório”, portanto possuem em sua estrutura processos personalísticos que eles mesmos desconhecem, mas que tomam conta de sua consciência em algumas ocasiões, para defender seus preconceitos e manter sua existência ilusória.
(continua no próximo post...)

8 de maio de 2009

Consciência e Realidade

E a consciência, o fato fundamental de nossa própria existência, que vai conosco aonde vamos? Para fazer qualquer coisa, para pensar, sonhar, criar, perceber, temos de estar conscientes. Isso não é parte da realidade? mas onde está ela? De que ela é feita? Aocontrário do que acontece com os objetos materiais, fenômenos intangíveis como a consciência não podem ser medidos, mas issso não sginifica que eles não sejam "reais", não é mesmo?Muitos cientistas estão numa saia-justa nesse caso. Se a consciência for real, então sua realidade pode ser examinada; se não for real, então eles nunca terão de procurá-la e assim nunca saberemos se ela é real.Então, "o que é real?" - possivelmente nossa pergunta mais freqüente - não é fácil de responder. E no entanto, quem somos, o que é a vida, o que é possível e o que não é, tudo isso se baseia no que pensamos ser real.
Will
Nunca questionei a realidade. Por que faria uma coisa tão idiota? Então, a realidade em que eu vivia virou uma bagunça e comecei a questioná-la - não necessariamente as mesas e cadeiras, mas a minha percepção da realidade. Quando me convenci de que a minha realidade era apenas o produto de minhas limitações, percebi que precisava sonhar fora delas. O que eu verdadeiramente desejo e não acredito que possa ter ou me tornar? A única coisa "sólida" na minha realidade é a percepção que tenho dela. Se eu me dispuser a abrir os olhos a novas possibilidades, minha realidade poderá mudar?
Betsy
Observei que algumas pessoas às vezes acham que não faz sentido perguntar coisas como "o que é a realidade?" Que isso não tem relação om as realidades do cotidiano. Mas vamos supor por um momento que o mundo "lá fora" seja construído por nossa percepção. Como podemos alterar os fundamentos que criam esse mundo? Alterando o que está "lá fora" no mundo? Bem, isso é o que a maioria de nós insiste em fazer e nunca dá certo. Alguma vez você já tentou fugir de uma situação e descobriu que seus problemas o seguiram? É claro que eles seguiram. Isso acontece proque não é possível deixar o sistema nervoso para trás. Você continua a reagir da mesma forma aos mesmos estímulos. Sendo assim, qual a melhor forma? Fique sabendo: a realidade tem tudo a ver conosco.
Mark
"A mente fornece a referência, o conhecimento específico e as premissas específicas para que os olhos vejam. A mente forma o universo que o olho então vê. Em outras palavras, nossa mente está estruturada em nossos olhos."
Henryk Skolimowski
Trechos do livro: "Quem Somos Nós"

6 de maio de 2009

A Era de Kali Krishna

No hinduísmo o tempo se desdobra em um padrão cíclico, indo de uma era dourada até uma era de trevas e ressurgindo em uma nova era dourada. Essas eras são chamadas Yugas e tem um caráter de ligação, atrelando os seres à Roda do Tempo (Kalachackra).
As quatro eras são:
1. Satya-Yuga: Era da Verdade. Também conhecida Krita-Yuga, pois nela tudo é bem feito.
2. Treta-Yuga: Onde a Verdade e a virtude são reduzidas.
3. Dvapara-Yuga: Onde a Verdade e a virtude são ainda mais reduzidas.
4. Kali-Yuga: Onde a Verdade e a Lei (dharma) foram perdidas por completo.
Assim como o ano é dividido em quatro estações, sendo cada uma delas portadoras de características próprias, as yugas ou eras também possuem características particulares. O conjunto de 4 yugas é conhecido como Chaturyuga e compreende um período de quatro milhões e trezentos e vinte mil anos (4.320.000). Essas características próprias de cada yuga são chamadas em sânscrito de Yugadharma onde yuga é ‘era’ e dharma é ‘lei’, ‘ação correta’. Segundo a tradição hindu, cada yuga apresenta 5 yugacharyas, que são seres de altíssima elevação, destinados a manter a prática do Dharma ou Lei Divina na humanidade. Cada yugacharya por sua vez envia à humanidade outros seres (santos, profetas, sábios e gurus) para verterem a Luz da Consciência sobre a humanidade e dar continuidade na manutenção do Dharma. De forma sucinta, descrevo abaixo as características de cada uma das eras:
• Satya Yuga
Toda Chaturyuga ou período de quatro eras tem seu início na Satya Yuga. Na Satya Yuga a Luz da Consciência é auto-manifesta. Assim, todos os seres podem ver a presença divina sem esforço, todos vivem em paz nessa época de pouco ou nenhum sofrimento. Porém, nessa época os níveis de conquistas espirituais eram quase nulos, pois todos já possuíam um grau semelhante de desenvolvimento. Não havia intermediários entre Deus e os homens e as práticas eram basicamente constituídas de mediações ou Dhyana. Apenas por uma afirmação mental, clara e lúcida (chamada sankalpa em sânscrito) entravamos em contato com a Luz da Consciência e, através dessa Luz, tudo se revelada. Num ambiente como esse, a iluminação e sabedoria eram o estado natural de todos e é por isso que havia pouco ou quase nenhum desnível espiritual.
• Treta e Dwapara Yuga
Podemos colocar essas duas eras em patamares similares, pois em ambas temos como características a eminência de intermediários na nossa relação com a Luz da Consciência, como santos, anjos, deuses, etc. Nessas eras, a Luz da Consciência ainda está presente de forma intensa, mas já há o desenvolvimento de outros métodos de interação com o divino, como os mantras, mandalas, rituais e sacrifícios. Na Treta Yuga essas ferramentas eram simples e sua execução também. Na Dwapara Yuga os rituais ficam mais complexos e a estruturação do conhecimento ganha mais força. Na Treta Yuga a visão da Luz da Consciência estava intimamente relacionada à visão ou darshan de sua deidade pessoal, do guru ou de um santo ou sábio. Assim, o enfoque para a realização divina estava começando a se direcionar para o aspecto pessoal, ou seja, o mais almejado era se tornar sábio, santo ou profeta, visto que o ideal da integração divina estava cada vez mais difícil.
• Kali Yuga
Apesar de muitos dizerem que a Kali Yuga é a idade negra, onde o sofrimento é brutal e a ignorância é a base, é nela que a possibilidade da liberação se estabelece. Nas eras precedentes, as experiências eram números menores, pois as variações emocionais também eram. Tudo era mais ordenado, portanto não havia tanta necessidade de “movimento”. Já na Kali Yuga, a Luz da Consciência se tornou difusa. Apesar de ela ainda estar presente de forma intensa, ela se apresenta a nós de forma “nublada”. Na era de Kali o nosso relacionamento com a Luz da Consciência se tornou tão confuso, tão irregular que a presença de um guru ou mestre espiritual se fez essencial. No entanto, até mesmo essa presença se tornou rara, visto que muitos dos pretensos mestres também estavam confusos em suas percepções divinas. Pela diversidade de experiências, surgiu também a diversidade de abordagens na percepção do divino. Isso de fato é algo positivo, pois foi por conseqüência deste fato que os grandes mestres passaram a pregar a realização direta, o contato direto com o divino. Assim, paradoxalmente, a era de maior confusão é aquela onde a realização direta é mais pregada e difundida, pois na Satya Yuga esse contato direto era natural, não havendo uma sistematização ou busca para esse contato. Do ponto de vista evolutivo, é na Kali Yuga que estão as melhores chances, as melhores oportunidades de crescimento. Krishna é considerado um dos Yugacharyas da era de Dwapara. No entanto, ele foi o responsável pela transição entre Dwapara e Kali Yuga. Krishna veio para manter a prática do Dharma na era de Kali, dando um novo ânimo para a espiritualidade.
Segundo a tradição, Krishna viveu cerca de 4.300 anos atrás. Sua morte é tida como o início da Kali Yuga. Rama é um dos Yugacharyas da Treta Yuga. Enquanto Rama pregava a ordem e o cumprimento irrestrito do dever, Krishna veio nos mostrar a necessidade da ponderação, pois no início da Kali Yuga as coisas não eram tão claras e certas como em Treta Yuga.
Rama jamais fez uma mulher chorar, Krishna fez várias chorarem. Rama nunca ia para a guerra sem motivo. Krishna provocava a guerra. Enquanto Rama é o veículo da virtude, Krishna é a expressão da ação. Rama era sereno. Krishna por várias vezes mostrava um temperamento explosivo e às vezes sagaz.
Com esses exemplos fica fácil perceber a fluidez do dharma em cada era. Enquanto que em Tetra Yuga o Dharma estava claro, límpido, na era de Kali Krishna precisava “movimentar” as energias espirituais nas pessoas, para que cada uma pudesse ver o Dharma por si só.


por Eiki - Instituto de Pesquisas Psíquicas Imagick

4 de maio de 2009

Mais um Dia

Ao meu filho,
Apenas nesta manhã, eu vou sorrir quando vir o seu rosto, e rir mesmo sentindo vontade de chorar.
Apenas nesta manhã, eu vou deixar você escolher o que vai vestir, e sorrir e dizer o quanto você está ótimo.
Apenas nesta manhã, eu vou deixar a roupa para lavar de lado, pegar você elevá-lo ao parque para brincar.
Apenas nesta manhã, eu vou deixar a louça na pia e deixar você me ensinar a montar seu quebra-cabeças.
Apenas nesta tarde, eu vou desligar o telefone, manter o computador fora do ar e sentar-me com você no quintal e soltar bolhas de sabão.
Apenas nesta tarde, eu não vou gritar nenhuma vez, nem mesmo resmungar, quando você gritar e acenar para o carrinho de sorvetes, e vou comprar um se ele passar.
Apenas nesta tarde, eu não vou me preocupar com o que você vai ser quando crescer.
Apenas nesta tarde, eu vou deixar você ajudar-me a assar biscoitos e não vou ficar atrás de você tentando consertá-los.
Apenas nesta tarde, vamos ao McDonald's e comprar dois Mc Lanche Feliz, para que você possa ganhar dois brinquedos.
Apenas nesta noite, vou segurá-lo em meus braços e contar-lhe uma história sobre como você nasceu e como eu amo você.
Apenas nesta noite, eu vou deixar você espirrar a água do banho e não ficar nervoso.
Apenas nesta noite, vou deixar você ficar acordado até tarde, enquanto ficamos sentados na soleira, contando todas as estrelas.
Apenas nesta noite eu vou me aconchegar ao seu lado por horas e perder meus shows favoritos na TV.
Apenas nesta noite, enquanto eu passar meus dedos entre seus cabelos, enquanto você reza, eu vou simplesmente ser grato a Deus por ter me dado o maior presente do mundo.
Eu vou pensar nas mães e pais que procuram por seus filhos perdidos, nas mães e pais que visitam a sepultura de seus filhos ao invés de suas camas, nas mães e pais que estão em hospitais vendo seus filhos sofrerem sem que isto tenha sentido e gritando por dentro que não podem mais suportar isto.
E, quando eu te der um beijo de boa noite, eu vou te segurar um pouquinho mais forte por um pouquinho mais de tempo.
E é então que eu vou agradecer a Deus por você e não pedir nada a Ele, exceto mais um dia.