30 de junho de 2010

A Culpa é de Quem?

“Não pergunte pelo que o mundo precisa. Pergunte o que faz você sentir-se cheio de vida, e vá fazer isso. Porque o que o mundo precisa é de pessoas que estão cheias de vida.”
- Howard Thurman
Quando descobrimos alguma coisa errada, temos duas escolhas: Podemos reclamar e culpar ou podemos mudar. Eu aprendi a não me bater mais porque isto é uma vibração negativa, e dando atenção a esses erros, eu puxo mais disso em minha direção, com força magnética. É muito mais produtivo perguntar, “O que eu aprendi? Como posso aplicar isso? O que farei de maneira diferente da próxima vez?” E então seguir em frente.
Agora, isto não significa que eu não me desculpo ou ajusto meu comportamento quando faço algo que magoa alguém. Isto é somente parte do ser responsável pelas suas ações. Parece tão simples, e mesmo assim não é norma para as pessoas tomar responsabilidade pessoal pelos seus resultados e pelas suas ações. Se fosse, o mundo iria mudar, não somente no nível pessoal, mas em todos os níveis, incluindo o governamental. Todos estão sempre colocando a culpa em alguma coisa ou em alguém. Se cada pessoa ao redor do globo praticasse o tomar responsabilidade por suas ações - ser totalmente responsável pelos resultados que obtém - o mundo seria transformado.
Lembre-se, se você pensa que os problemas da sua vida estão lá fora, este mesmo pensamento é o problema pois você está desperdiçando o seu poder. Você está dizendo, “é o meu marido, é a minha esposa, é o meu chefe, é o meu ambiente, é o meu salário, é o meu governo”. É infinito. Ser totalmente responsável não é uma mentalidade popular. Muitas vezes o caminho mais fácil, o caminho da vítima, é a escolha popular. É sempre mais fácil colocar a culpa em algo fora de si. Pelo menos no curto-prazo. À longo-prazo, brincar de vítima é enfraquecedor e o leva a nada no mundo dos resultados. Lembre-se que atenção é igual a amor. Quando você banca a vítima, você alimenta a vítima e o universo envia mais oportunidades para você ser uma.
O autor Wayne Dyer disse uma vez, “Se os nossos problemas fossem causados por outras pessoas, nós gastaríamos uma fortuna mandando-as ao psiquiatra”. Meio bobo, não é? Outro exemplo simples disso é quando você escuta alguém reclamando de outra pessoa. Quem ela está definindo? A outra pessoa? Eu acho que não.
Ser responsável necessita coragem. É necessário coragem para tomar responsabilidade por coisas que acontecem ao seu redor. Vamos falar em ser totalmente responsável por cada coisa em nossas vidas. Sim, você leu certo - tudo - mesmo quando não é nossa culpa. Porque você já deve saber a essa altura que a vida não tem nada a ver com culpa, certo? Tem a ver com resultados. Você sempre irá experienciar os melhores resultados quando se tornar totalmente responsável. Somente quando você se tornar responsável por tudo em sua vida é que você poderá ser responsável para mudar qualquer coisa. Tudo é sua responsabilidade; nada é sua culpa.
retirado do livro Harmonic Wealth (”Prosperidade Harmônica“) de James A. Ray
fonte: inconscientecoletivo.net

28 de junho de 2010

Consciência

“Tudo que está acontecendo para você é o seu passado. O que é bom no passado é bom agora, o que é ruim no passado é ruim agora. Você deve mudar, e essas experiências são uma nova chance para isso. Todo encontro é um encontro com você. Quando você encontra alguma coisa que você não gosta, esse é o momento de se perguntar por que você não gosta. O que você vê de dificuldade em outras pessoas é o espelho das suas inabilidades, da falta do conhecimento de si mesmo. Quando você entende isso, você responde de um forma diferente. Isso requer atenção e treino. Precisamos estimular as pessoas a reconhecer o que é verdadeiro e o que não é. Precisamos viver com mais responsabilidade e honestidade, para com o próximo e para com nós mesmos. Precisamos descobrir que somos divinos.”
(Robert Happé)

22 de junho de 2010

O Simbolismo no Labirinto do Fauno

No pano de fundo da Espanha fascista, em plena Segunda Guerra Mundial, a imaginação de uma menina de dez anos cruza o caminho de um capitão cruel e implacável. O Labirinto do Fauno é uma fábula ao mesmo tempo lírica e violenta, que tematiza as contradições e possibilidades contidas no simbolismo de Peixes, o mais labiríntico de todos os signos.
Magia: uma criança descobre uma borboleta, que pode se transformar em fada, guiando-a para adentrar em fantásticos mundos.
Crueldade: um capitão fascista é implacável na perseguição dos seus inimigos. Desconhece o que são empatia e sentimentos. Mas tem poder, subordinados e armas.

Os caminhos do capitão e da criança irão se cruzar. O que poderá acontecer? Quem irá vencer, a força bruta ou a imaginação infantil?

O que são labirintos?
Todo labirinto tem um local onde se pretende chegar, uma espécie de núcleo. Para alcançá-lo, há várias combinações de caminhos e não é possível saber, de antemão, qual delas irá levar ao objetivo. Isto só seria possível se fosse visto de cima. A lógica e a razão pouco podem fazer nos labirintos. De alguma maneira, é preciso ativar um sentido que não costuma figurar dentre os outros: a intuição, que é a capacidade de colher informações através de uma via não racional. A intuição é simplesmente um saber ou um adivinhar. Algo se agita dentro como se fosse uma certeza, que pode ser acolhido ou não.
Para ingressar em um labirinto, é preciso ter um objetivo, se não o de alcançar algo no interior dele, pelo menos o de conseguir sair. Labirintos podem ser perigosos, pois a possibilidade de se perder é muito maior do que a de se achar. Se forem pequenos, a única perda será a de tempo. Quando grandes, pode-se perder a vida. Além disso, talvez seus corredores tortuosos escondam surpresas.
Labirintos remetem ao signo de Peixes, o mais misterioso dos doze. Peixes é o único a ter a visão total do conjunto, o que tornaria a travessia de um labirinto uma brincadeira de criança. Mas como o ser humano não consegue racionalmente acessar o todo (em geral, é apenas capaz de senti-lo por fugazes momentos), precisa empregar outra ferramenta de Peixes, que é a capacidade intuitiva. Peixes como arquétipo (não como indivíduo) tem acesso a tudo, não existindo, para ele, nenhuma informação secreta. Representa a intuição que irá captar o que não está acessível à razão e também a possibilidade de conexão com o todo.No filme O LABIRINTO DO FAUNO, de Guillermo Del Toro, a menina Ofelia entra e sai do labirinto com a maior facilidade. Ela está muito próxima de atributos piscianos, como imaginação, sensibilidade e também aventura (pelo fato de Peixes ser co-regido pelo planeta Júpiter, significador de expansão). Ofelia viverá uma aventura com destino a sua própria alma. A menina faz, sem o saber, uma busca por significado em um mundo carente de explicações para acontecimentos como perdas, mortes e brutalidades.
Labirintos parecem corresponder à viagem do ser humano para dentro de si mesmo. Há muitos caminhos – religião, psicanálise, arte, ciência – e nenhum deles é absoluto, tampouco garantido. Uma das razões é porque talvez porque haja um labirinto para cada aventureiro, e somente ele possa descobrir seus caminhos.

A aventureira
Ofelia é a protagonista deste filme fantástico, cuja história se desenrola em 1944. Tem dez anos. Nem tão criança que não perceba as verdades – tantas vezes amargas – dos adultos, mas ainda sem ter formado a quase sempre rígida espinha dorsal deles. Está imantada da abundante energia infantil, que ainda acha que tudo seja possível e que se encontra protegida. A fé e a magia de Peixes seguem com ela através de um território cada vez mais rude, inóspito e cruel. Sua essência, porém, não responde à lógica do tempo e da realidade que habita, particularmente a de agir como um tirano ou uma vítima. Ainda que Ofelia seja, na prática, vítima, em nenhum momento se sente, de fato, deste modo. Ela está sempre tentando extrapolar os limites, nunca se vendo contida por eles. Ausência de limites – seja para transcender ou escapulir – é algo pisciano. Mas o que é transcender? Transcender, de algum modo, é superar. Sutilmente, suavemente, mas, sem dúvida, superar. Só pode transcender quem for maior ou mais largo por dentro do que os eventos com os quais se depara fora.
Peixes (e Netuno, seu regente), como arquétipo, não enfrenta nada diretamente e nem tem a pretensão declarada de mudar o que quer que seja. Mas ele em si só já é a mudança. Acaba por mudar ou afetar tudo o que toca. Suaviza, dilui os contornos, altera a forma, rouba algo da rigidez, a qual desgasta, deforma e, ao final, reforma. Ofelia, mesmo que não faça nada e tente ficar somente no seu lugar de fantasia, incomoda ou encanta: é difícil lhe ficar indiferente. Ela invade o espaço em que chega, transformando-o. Revolução igual ocorrerá dentro dela.

O começo
O ingresso definitivo de Ofelia na realidade fantástica ocorre através do encontro com um fauno, uma figura híbrida, meio animal, meio humana, sem correspondência com o que possa haver no reino físico conhecido. O fauno conta que ela é a filha perdida de um rei, que um dia fugiu de casa, partindo o coração do pai, mas que este nunca perdeu a esperança em seu retorno, e que a aguarda, não importa com que forma ela regresse. Órfã de pai e mandada para junto do padrasto brutal, a menina tem seu coração capturado por essa história e dá a ela crédito imediato.
O pai oculto é uma metáfora de Deus. É amoroso, ilimitado e a espera. Ela teve com ele uma história da qual não se lembra, mas na qual acredita. E quando Ofelia se encontrar com seu pai, não saberemos como será o encontro, o que acontecerá, assim como não saberemos como e quando será nosso próprio encontro.
Contrastes e paradoxos
Peixes pertence ao ritmo Mutável, caracterizado pela duplicidade. É o ritmo que encerra os paradoxos, as coisas não resolvidas de uma única maneira. O LABIRINTO DO FAUNO está profundamente estruturado nesta dinâmica. Tem por marca a mistura do mágico e incrível com o grotesco e implacável, tornando natural que lindas fadas possam ser mastigadas e engolidas, e que encantadoras crianças possam ser doentiamente perseguidas. Sua mola propulsora são os contrastes e os paradoxos típicos dos signos mutáveis (Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes). Isto é particularmente visível no fato de que quanto mais Ofelia penetra no fantástico universo paralelo mais densa e insuportável se torna a realidade ao seu redor. Ou seria o contrário?
A realidade pode ser colocada como um princípio pertencente à Virgem, signo oposto e complementar a Peixes. Assim, quanto mais Ofelia fortalece a si mesma e ao seu mundo interno (algo pisciano), mais a sua vida real desmorona, como se suas convivências concomitantes fossem incompatíveis no momento específico que ela vive. Somente Ofelia não percebe que parece haver um fio invisível fazendo com que a roda gire inexoravelmente neste descompasso, tornando impossível unir a magia à integridade física. Ela, tendo a ingenuidade de um representante de Peixes, não nota que quanto mais abissais forem suas descobertas, maiores, aparentemente, serão os preços a serem pagos por elas. E que quanto mais abastecida interiormente ela estiver, mais se aproximará de ter de enfrentar o que mais teme, seu padrasto capitão.
Depois que a pequena borboleta a atrai, não existe mais retorno. A menina será incitada ao movimento por sua própria curiosidade e encantamento. Doce ilusão a de que houve qualquer escolha quando se tratava de uma criatura tão sonhadora. Peixes parece representar as histórias (e até a falta delas) a que estaremos fadados a viver por nosso temperamento.
Como filme pisciano, O LABIRINTO DO FAUNO contém infinitos jogos de espelhos, em que muitas coisas não são o que pareçam, a começar pela abertura, que se assemelha a de tantos outros filmes em que parece ter sido dada a certeza ao espectador de que o protagonista viverá algo mágico, que correrá muitos riscos fictícios, que parecerão bastante reais, mas que no final tudo dará certo. Entretanto, contra esta idéia idílica, soa suspeita a insistência ríspida de uma mãe quase histérica em mostrar a realidade à filha. Esta mãe, que fala de forma amargurada sobre a realidade, não tem o toque cômico e maniqueísta que os adultos de filmes infantis costumam ter. Há realismo demais no seu rosto cansado e na sua gravidez avançada. Ela atravessa uma floresta em tempos difíceis, de guerra, para alcançar um marido que mal conhece.
É neste momento que a protagonista encontra a tal borboleta, um símbolo da transformação que a aguarda. A mãe, Carmen, na condição de grávida e futura esposa de um capitão, também está vivendo uma transformação. Mas, diferente de Ofelia, não está encantada, e sim, fazendo algo que vê como prático: indo ao encontro de um homem para proteger a si mesma, a filha e a criança que nascerá. Enquanto Ofelia teme o destino da viagem, sua mãe anseia por ele, em interpretações diametralmente opostas do que é melhor a ser feito naquela situação. Puro Peixes, posto que este signo representa as múltiplas visões que se pode ter da realidade. Qual estará mais certa? Em um momento de guerra, existe alguma coisa que seja, realmente, mais segura?
Mãe e filha estarão sempre em pólos opostos, sem nunca conseguirem se entender, apesar do amor que as une. A mãe encarna Virgem, signo da realidade, oposto a Peixes, relacionado à fantasia e que representa Ofelia. A realidade tem limites, e Carmen irá vivê-los. A fantasia é ilimitada, e Ofelia irá experimentá-lo. Ambas irão provar até o fim as consequências das suas próprias crenças.
O LABIRINTO DO FAUNO não será um filme fácil. O espectador é conquistado aos poucos, como se a própria Ariadne lhe desse o novelo capaz para entrar no labirinto e conseguir sair dele.

A psicologia de um tirano
O capitão desgosta de Ofelia já na primeira cena em que os dois se encontram. É chocante a forma rude como aperta a mão da enteada, fulminando-a com os olhos. É alarmante que a pouca idade de Ofelia não o comova. Ele a enxerga como um potencial inimigo, como condiz a um tirano pensar.
O capitão fascista é o oposto exato de Ofelia. A menina é toda sentimento e fluidez. Está voltada apenas para o presente, distraindo-se com tudo o que cruza o seu caminho, enquanto o seu opositor é frio e objetivo, para não dizer cruel e implacável, focado em eliminar do seu caminho tudo o que possa ameaçar o seu futuro, o qual deseja que seja triunfante e poderoso. Seu ego distorcido não permite que nada tenha vida ou liberdade ao seu redor, e a menina é plena disso. Ele submete a mãe de Ofelia já no início às suas regras, obrigando-a a locomover-se em uma cadeira de rodas, apesar de a mesma estar apenas grávida e não doente, o que ela ficará com o tempo. O capitão está tomado pelo arquétipo do tirano, cuja maior necessidade é o de apenas ele existir. Seu objetivo é o de tentar transformar a todos ao redor em pálidas sombras rastejantes. Esta é a única maneira de assegurar as ilusões a respeito de si mesmo e a manutenção do poder.
Como o tirano tenta matar as individualidades, também tem a sua própria individualidade esvaziada, e por isto todos os tiranos se parecem imensamente entre si. A filosofia de um déspota é sempre rígida, esquematizada e hierárquica. Além disso, tem dentro dele uma vítima em potencial, pois seus atos convergem em eliminar as supostas ameaças, as prováveis pessoas que tentariam prejudicá-lo. Esforço em vão, pois cedo ou tarde tiranos ou seus descendentes são depostos, submetidos à roda da vida, nem que seja para trocar um grupo por outro.
Como ele não quer que nada exista além de ele mesmo, o tirano devora sistematicamente o que há ao seu redor. Em O LABIRINTO DO FAUNO, haverá um momento em que o capitão sofrerá um feio ferimento na boca, que irá deixá-la descomunal. É a boca insaciável de um gigantesco tirano ameaçado. Ele também guardará grande semelhança com um ser repelente que Ofelia encontrará em uma de suas aventuras, que se alimenta de carne humana. Na realidade, de qualquer coisa, como um tirano. O tirano busca o poder como forma de transcendência da condição frágil de se estar em um corpo humano. É um Deus às avessas, tentando conter e controlar o que não é possível.
Texto da astróloga Vanessa Tuleski.
Fonte: www.deldebbio.com.br

18 de junho de 2010

Lao e o Tao

Baseado na compilação de José Laércio do Egito.
Pouco se sabe com certeza sobre Lao Tsé. Há uma obra chinesa muito antiga chamada Shi Chi (Apontamentos Históricos) que diz que Lao Tsé, cujo nome real era Erh Dan Li, teria nascido no Sul da China numa região chamada Ch'u, em torno do ano 604 a.C. Mas também há os que afirmam que o Tao Te Ching é apenas uma compilação de versos de vários pensadores de escolas de pensamento do 3º século a.C, que genericamente usavam o título de Lao Tsé.
Segundo as tradições, Lao Tsé foi contemporâneo de Kung Fu Tsé (Confúcio), de quem foi discípulo. Tornou-se o guardião dos arquivos do tribunal imperial, e atraiu muitos seguidores com sua sabedoria, embora sempre haja se recusado a fixar suas idéias por escrito, por temer que as palavras pudessem ser convertidas em dogma formal. Lao Tsé desejava que a sua filosofia permanecesse apenas como um modo natural de vida estabelecido sob uma base de bondade, serenidade e respeito. Assim, ele não estabeleceu nenhum código rígido de comportamento, preferindo ensinar que a conduta de uma pessoa deve ser governada pelo instinto e pela consciência. Ensinava que nenhuma tarefa deveria ser apressada, que tudo deve acontecer no seu devido tempo. Acreditava que a simplicidade era a chave para a verdade e a liberdade, e assim encorajava seus seguidores para observarem mais a natureza do que aos ensinamentos de mestres.
Aos 80 anos, desiludido com as pessoas da sua terra - que estavam pouco dispostas a seguirem o caminho da bondade natural - se dirigiu para o Tibet, na fronteira ocidental de China, quando foi reconhecido por um guarda, que lhe lembrou que possivelmente todos os seus ensinamentos logo cairiam no esquecimento se alguma coisa não ficasse gravada, e só permitiu que ele deixasse a China após escrever seus ensinamentos básicos, para que pelo menos parte de seu conhecimento pudesse ser preservada para a posteridade. Atendendo ao pedido do guarda, de uma só vez Lao Tsé redigiu (reza a lenda que escreveu numa grande pedra) a coletânea dos 81 versos que se tornariam a síntese de sua sabedoria (e do pensamento Monista Chinês), que entrou para a história sob o nome de Tao Te Ching.

Há muitos sentidos para o significado do nome Tao Te Ching. Um deles o define como "As Leis da Virtude e seus caminhos". Suas palavras isoladas significam: Tao (Infinito, a Essência, a Consciência Invisível, o Insondável, o como, de como as coisas acontecem.), Te (que significa força, virtude, mas de uma forma não ligada aos nossos valores ocidentais), Ching (livro, escrito, manuscrito). Literalmente, portanto, significa "O livro de como as coisas funcionam" e na realidade é este o seu objetivo, mostrar como as coisas no universo funcionam segundo o Tao. Também significa "O Livro que Revela Deus" e "O livro que leva à Divindade".
Coerentemente com a sua maneira, Lao Tsé não o escreveu por princípios doutrinários, e sim aforismos (versos), de forma tal que pudessem ser adaptados por qualquer pessoa ante diversas situações. Algo aplicável a tudo e a todos; um texto de natureza aberta que não possibilitasse uma forma textual capaz de ser desvirtuado intencionalmente, ou simplesmente ser deformado pelas traduções; uma maneira de aplicação prática de se viver em harmonia, dentro do equilíbrio das polaridades da manifestação do Tao e simbolizada pelo Tei Gi (abaixo).
O Taoísmo baseia-se num dos Princípios Herméticos - o Principio da Polaridade - que diz ser a natureza bipolar, pois tudo nela tem um oposto. Na essência o universo conhecido é composto de componentes opostos; por vezes físicos (claro/escuro), morais (bom/ruim), biológicos (masculino/feminino) etc. Tudo no universo pode ser classificado em duas polaridades: Yang (pronuncia-se "yong") ou Yin.
Uma indagação comumente feita diz respeito à diferença que existe entre o Taoísmo e o Confucionismo. O Taoísmo tem base metafísica e com aplicação prática. Confúcio foi mais um legislador, cujos ensinamentos ser direcionam mais para o aspecto político da vida.

Aquele que conhece o outro é sábio.

Aquele que conhece a si mesmo é iluminado.
Aquele que vence o outro é forte.
Aquele que vence a si mesmo é poderoso.
Aquele que conhece a alegria é rico.
Aquele que conserva o seu caminho tem vontade.

Seja humilde, e permanecerás íntegro.
Curva-te, e permanecerás ereto.
Esvazia-te, e permanecerás repleto.
Gasta-te, e permanecerás novo.

O sábio não se exibe, e por isso brilha.
Ele não se faz notar, e por isso é notado.
Ele não se elogia, e por isso tem mérito.
E, porque não está competindo,
ninguém no mundo pode competir com ele.
(Lao Tsé - Tao Te Ching - verso 22)

14 de junho de 2010

Personagens Históricos III - Rasputin (1869 - 1916)

A trajetória de Grigori Yefimovich Novykhn tem início na década de 1860. Mas há muitas incertezas em relação ao seu nascimento. Especula-se que tenha sido em 23 de janeiro de 1864, na pequena aldeia de Pokrovskoe, Sibéria. Outras fontes afirmam que o ano de seu nascimento está entre 1869 e 1872.
Pobre e parcialmente alfabetizado, o jovem Grigori atravessou sua infância e adolescência na região natal. Provavelmente, ajudando ao pai camponês nas tarefas diárias, e divertindo-se com mulheres, vodka e envolvendo-se em brigas com vizinhos. Por este motivo, logo ganhou o apelido de Rasputinik (Rasputin - equivalente à Pervertido).
Por outro lado, sua terra natal era de religiosidade e misticismo muito intensos. Principalmente porque ali próximo estavam depositados, numa igreja, os restos mortais de São Simão. O jovem Rasputin cresceu influenciado por esta atmosfera. Conta-se que, em sua juventude, já dava alguns sinais de possuir uma percepção especial, ou capacidade de predizer fatos futuros. Certa vez, um político chamado Stolypin passava de carruagem por uma estrada. O jovem Rasputin, que passava ao lado, acenou e gritou ao viajante: "A morte é para você. A morte está se aproximando!". Incrivelmente, no dia seguinte, o político foi ferido por balas e morreu dias depois.
Aos dezoito anos, Grigori Rasputin teve um encontro com o bispo de Barnaull. Em seguida, inesperadamente, passou a interessar-se por religião e decidiu viajar ao mosteiro de Verkhoture. Foi nesta viagem que entrou em contato com uma seita conhecida como Khlysty (Flagelantes), a qual pregava que o ato sexual era uma forma de obter a salvação espiritual. Sua passagem no mosteiro não foi longa, mas o fez entrar em contato com os preceitos e a disciplina religiosa.
Pouco tempo depois retorna à terra natal e casa-se com uma jovem chamada Praskovia Fyodorovna. Este matrimônio rendeu três filhos ao casal: Dimitri, Maria e Varvara, nascidos em 1897, 1898 e 1900, respectivamente (outras fontes especulam quatro filhos do casal). Porém, o casamento foi breve e Rasputin abandonou o lar. Quando conheceu um místico conhecido por Makaria, decidiu vagar pelo mundo. Em suas andanças, visitava preferencialmente, locais de peregrinação religiosa, como o Monte Athos, Grécia e Jerusalém. Paralelamente, ao longo de suas caminhadas, espalhavam-se as lendas de que aquele jovem possuía poderes especiais e era capaz de curar enfermos e prever o futuro. Mesmo que, em sua passagem pelo mosteiro de Verkhoture, não tenha recebido nenhum tipo de treinamento espiritual e tampouco tenha sido ordenado monge, muitas pessoas, desconhecendo seu passado conturbado, passaram a considerá-lo um sábio religioso.
Os habitantes das regiões por onde Rasputin passava, o procuravam em busca de suas bênçãos; em troca, ofereciam-lhe comida, roupas e dinheiro. Em pouco tempo, ganhou a condição de "homem santo" e sua fama disseminou-se nas aldeias da Europa Central. Rasputin contava que, um dia, arando as terras, recebeu uma revelação divina. Surgiu-lhe um anjo que entoou um canto místico e lhe atribuiu a missão espiritual de ajudar os necessitados.
De volta à terra natal, Rasputin é recebido pelo bispo Theophan e ganha notoriedade entre os religiosos da região; mas sua presença também gera desconforto em alguns. O Monge Iliodor era um de seus opositores. Conta-se que este monge, certa vez, enviou à casa de Rasputin, uma mulher para seduzi-lo e depois esfaqueá-lo. Rasputin foi esfaqueado mas sobreviveu.

O Bruxo dos czares
Em 1902, Rasputin desloca-se para a cidade de São Petersburgo e Kazan, onde agregou alguns discípulos e criou um grupo místico denominado Polite Society, baseado nos princípios da Khlysty. Sua imagem de camponês simples e sem ambição foi significativa para que conquistasse confiança e simpatia junto aos moradores da região. A influência que a Polite Society exercia e o poder de persuasão de Rasputin, amenizavam a fama que seu envolvimento com prostitutas e bebidas lhe atribuía.
Nesse mesmo momento, as autoridades clericais da Rússia procuravam por um líder que transitasse entre a alta classe da sociedade, a nobreza e as classes inferiores, e pudesse reunir todas sob a influência da Igreja. Rasputin trazia todas essas características. Mas sua fama junto aos czares teve início em 1905, quando Anya Vyrubova, amiga próxima da czarina Alexandra Fedorovna, entrou em coma após ferir-se gravemente quando o trem em que viajava descarrilou. Os médicos já haviam perdido a esperança de curá-la quando Rasputin foi chamado. O místico, ajoelhado ao lado da cama da vítima, segurou sua mão e chamou-a pelo nome. Assim continuou por horas seguidas; até que a vítima, de forma inexplicável, despertou. Rasputin, com as roupas umedecidas de suor, desmaiou exausto.
Totalmente recuperada, Anya narrava à czarina as proezas curativas do místico. Quando a doença de Tsarevich Alexei Romanov se agravava, Rasputin era imediatamente solicitado e ajoelhava-se ao lado do leito da criança, por várias horas se necessário, pronunciando em profusão uma espécie de oração em um idioma desconhecido e a saúde de Alexei era restabelecida.
Desse modo, o "bruxo" ganhou confiança e credibilidade entre os czares. Porém, Nicolas, sentindo-se desconfortável com a presença de um "monge devasso" em seu palácio e com o grau de intimidade que ele desfrutava com a czarina Alexandra, despachou o místico para a Sibéria. Por outro lado, a czarina, sensibilizada pela doença e pelo sofrimento do filho hemofílico nascido em 1904, passava a considerar a hipótese de recorrer novamente a Rasputin pela saúde da criança, caso fosse necessário.
Numa noite de outubro de 1912, Alexei sofria intensamente pela dor causada pela hemorragia hemofílica. Desesperada, a czarina enviou um telegrama solicitando o auxílio de Rasputin. O místico respondeu imediatamente, dizendo que Alexei não ia morrer e o sangramento ia cessar. Conta-se que, assim que o telegrama de Rasputin chegou às mãos da czarina, Alexei obteve uma melhora súbita. A czarina Alexandra atribuiu este fato aos poderes de Rasputin, passando a exigir sua presença constantemente no palácio, como se a saúde do herdeiro dependesse deste fato. Sensibilizado e agradecido, o czar Nicolas II não apenas aceitou a presença de Rasputin no palácio, como passou a respeita-lo como um "líder extra-oficial", ou um sábio conselheiro do trono.
Desse modo, o "médico Rasputin" restabeleceu em si a confiança da alta cúpula russa e passou a atender também os cidadãos comuns que almejavam uma consulta, realizando "pequenos milagres" e promovendo algumas curas prodigiosas. Ao mesmo tempo em que Rasputin ganhava fama com as mulheres, principalmente da alta sociedade, conquistava também trânsito livre no palácio dos Romanov, como um chefe de estado ou um primeiro-ministro. Por outro lado, a inveja do príncipe Felix Yussupov e de outros líderes russos, crescia na mesma proporção que se desenvolvia a influência de Rasputin entre os Romanov.
O Bruxo e a Dinastia em declínio
Em setembro de 1915, quando as tropas russas estavam em desvantagem na I Guerra, Nicolas abandonou o trono temporariamente para liderar o exército. Rasputin já havia manifestado sua oposição com o fato da Rússia combater o império Austro-húngaro e alemão. A ausência do czar no palácio deu mais liberdade a Rasputin, que passou a influenciar ativamente nas decisões políticas do país.
Conta-se que certa vez, embriagado, Rasputin declarou na presença de muitas pessoas que era ele quem mandava na Rússia e que a czarina estava aos seus pés. Ainda, Alexandra Fedorovna não era de nacionalidade russa, e sim austríaca; sendo a Áustria uma das nações inimigas da Rússia. Isto levou a uma onda de suposições de que a czarina traía os ideais russos e sua aproximação com Rasputin, gerou também, boatos sobre uma suposta relação extra-conjugal da czarina.
Quando Nicolas retornou ao seu país, encontrou a população faminta e flagelada, a dinastia Romanov, seu trono e sua hombridade, sob contestação popular. Rasputin e Alexandra foram considerados pelo povo os maiores responsáveis por esta situação caótica. Aos olhos do povo, o místico era quem havia enfeitiçado e ludibriado os governantes visando apenas conforto social e poder político; a czarina era a traidora austríaca que levara ao declínio a nação que a acolheu.
Um paliativo para esta situação seria eliminar a presença de Rasputin, não apenas do palácio, mas de toda a Rússia. Desse modo, sem que Nicolas soubesse, foi engendrado pelos comandantes russos um meio de assassinar Rasputin. Participaram desta armação, o príncipe Felix Yussupov, um deputado de extrema-direita chamado Purishkevitch, o oficial Sukhotin, o médico Lazovert, e o grão-duque Dmitri, da própria família real.

O Assassinato
O plano consistia num convite do príncipe Felix Yussupov ao místico para que o visitasse em sua residência, sobre o canal do Mojka, um dos condutos que levava ao Rio Neva, em São Petersburgo. Nesta ocasião seria servido um jantar a Rasputin. Um dos argumentos era de que a esposa do príncipe, a bela Irene Alexandrovna, necessitava consultar-se com o sábio.
Atendendo ao convite, na noite de 16 de dezembro de 1916, Rasputin foi visitar Yussupov. O místico foi levado ao porão da mansão, onde lhe serviram o jantar, sob a alegação de que Irene logo iria vê-lo. Após uma série de brindes com vinho envenenado, o bruxo não suportou e caiu sobre um sofá e deslizou para o chão do aposento. Youssoupov, vendo Rasputin caído e supondo que estava morto, chamou os comparsas que aguardavam no andar de cima. Entretanto, mesmo após uma ingestão incrivelmente alta de veneno, o místico levantou-se do chão. Youssoupov disparou duas vezes contra Rasputin; Purishkevitch entrou no aposento e descarregou sua arma de fogo sobre o corpo do bruxo que ainda tentou estrangular o príncipe e fugir em seguida. Mas não suportou e sucumbiu. O corpo imóvel do bruxo foi amarrado e castrado; em seguida, jogado nas águas frias do Rio Neva, sendo encontrado três dias depois e enterrado. Em fevereiro do ano seguinte, o corpo foi exumado e queimado pela multidão. Dias depois, numa autópsia, o coração de Rasputin foi retirado e guardado na Academia Militar de Medicina. Em 1930, o coração sumiu misteriosamente.
Na ocasião de seu assassinato, o veneno não surtiu o efeito desejado, provavelmente, devido a uma cirrose que "filtrou" a substância e atenuou seu efeito no organismo. Na véspera do Natal de 1916, a czarina prestou-lhe uma homenagem fúnebre. Nos autos legais, o óbito foi citado como morte acidental.
Ainda, conta-se que Rasputin teria previsto sua morte e profetizado uma tragédia. Numa carta enviada ao czar, o bruxo dizia que se Nicolas ou algum de seus familiares tivesse a intenção de assassiná-lo, nem o czar nem ninguém de sua família viveria por mais de dois anos. O fato é que dezenove meses após a morte do místico, o czar e toda sua família foram executados por revolucionários bolchevistas.

Rasputin em um século
O homem chamado Grigori Yefimovich Novykhn, que assumiu, de forma irônica e desafiadora, o apelido pejorativo que lhe foi dado; foi um camponês que, sem cultura, poder político ou financeiro, alcançou um dos mais altos postos do governo russo.
Não é possível afirmar que realmente possuía "dons especiais" ou era apenas um hábil hipnotizador. Desde a data exata de seu nascimento, seu nível de instrução, ascensão e queda política, e até sua morte, são alvos de especulações. Mesmo se fosse um místico, ou um ser espiritualmente elevado, não deixou um tratado ou um livro referencial. Algumas fontes cogitam que Rasputin possuía um comportamento rude e pernicioso; mas era extremamente hábil em suas palavras e argumentos, fato que certamente foi um dos principais trunfos de sua vida.
Ainda, especula-se que chegou a conhecer pessoalmente o mago inglês Aleister Crowley (fundador da doutrina Thelema). Hipóteses menos confiáveis afirmam que o bruxo ainda vive e teria sido fotografado. Outro fato curioso é que o pênis de Rasputin, conservado em substâncias químicas, encontra-se exposto atualmente num museu erótico na cidade de São Petersburgo. Numa publicação recente, o livro "Rasputin: a última palavra", do historiador russo Edvard Radzinski, desmente alguns mitos, mas reafirma que houve um caso amoroso com Alexandra.
De qualquer forma, toda sua biografia é repleta de lacunas que dão vazão à divagações de estudiosos e de meros curiosos. Mas, certamente, são essas incertezas que fazem de Rasputin um dos personagens mais intrigantes e misteriosos da história recente da humanidade.

2 de junho de 2010

A Jabuticabeira

Um senhor idoso estava cuidando de uma planta com todo o carinho. Um jovem se aproximou e perguntou:
- Que planta é esta que o senhor está cuidando?
- É uma jabuticabeira, meu jovem.
- E quanto tempo ela demora para dar frutos? (perguntou o jovem ansioso)
- Pelo menos uns quinze anos!
- E o senhor espera viver tanto tempo assim? - perguntou com ironia o rapaz.
- Não, não creio que viva mais tanto tempo, pois já estou no fim da minha jornada! - disse o ancião.
- Então, que vantagem você leva com isso? Vai demorar 15 anos para dar frutos, o senhor nem vai apreciar o gosto da jabuticaba. Você está todo sujo, cansado e ainda terá que regar e cuidar de uma planta da qual nunca verá os frutos! Que vantagem você tem nisso?
- Nenhuma, a não ser a vantagem de saber que ninguém colheria jabuticabas e nem saberia como são saborosas se todos pensassem como você...
O jovem se retirou muito envergonhado, refletindo seriamente naquelas palavras.

E quanto a nós? Escutamos o dito popular: Vamos viver hoje, porque amanhã...
É claro que não nos devemos nos preocupar com o futuro, pois pertence somente a Deus, mas se tudo o que fizermos for para servir somente para nós, sem que nos preocupemos em nada com as futuras gerações, então continuaremos a destruir o ecossistema, e, consequentemente, a nós mesmos. Além de destruirmos a sociedade onde vivemos, através das nossas relações cada vez mais individualistas.
Não importa se teremos tempo suficiente para ver mudado as coisas e as pessoas, mas façamos a nossa parte, para que tudo se transforme a seu tempo, pois com certeza nem tudo o que estamos plantando hoje teremos a oportunidade de colher amanhã; talvez sejam nossos filhos, netos...
fonte: www.saindodamatrix.com.br