14 de maio de 2013

O Lamento de Galadriel

Se você conhece minimamente a obra de J. R. R. Tolkien, o que eu acho muito provável, já deve ter ouvido falar que o cara inventou idiomas inteiros para cada criatura fantástica presente na Terra Média. Uma dessas línguas, possivelmente a mais famosa, é o quenya, um dos idiomas élficos.

Quando Tolkien criou o vocabulário, alfabeto e tudo mais para que os elfos da história pudessem conversar, ele aproveitou para escrever algumas obras literárias em élfico. Afinal, por que desperdiçar um idioma inteiro só com diálogos, né?

Uma dessas peças literárias é o poema “Namárië” (Adeus), também conhecido como “O Lamento de Galadriel”. O poema é o maior texto escrito nessa língua e figura na coleção “The Road Goes Ever On”, uma reunião de canções folclóricas que são entoadas em vários cantos da Terra Média.

Bem, como Tolkien já tinha criado um idioma e escrito obras completas nele, nada mais lógico que recitar a própria poesia. E foi isso mesmo que ele fez. No vídeo abaixo, você ouve o pai de Frodo falando em quenya. Dá até pra imaginar um audiobook da Trilogia do Anel toda em élfico. Ouve aí...


Ficou curioso para saber como seria o texto escrito do poema? Dê uma olhada na primeira estrofe em tengwar e tehtar, os caracteres do alfabeto élfico.

A tradução aproximada para o português ficaria "mais ou menos" assim:

Ah! Como ouro caem as folhas ao vento,
Longos anos inumeráveis como as asas das árvores!
Os longos anos se passaram como goles rápidos do doce hidromel
Em salões altos além do oeste,
Sob as abóbadas azuis de Varda
Onde as estrelas tremem na canção
De sua voz de Santa e Rainha.
Quem agora há de encher-me a taça outra vez?
Pois agora a Inflamadora, Varda, a Rainha das Estrelas,
do Monte Semprebranco, ergueu suas mãos como nuvens
E todos os caminhos mergulharam fundo nas trevas;
E de uma terra cinzenta a escuridão se deita
sobre as ondas espumantes entre nós
E a névoa cobre as jóias de Calacirya para sempre.
Agora perdida, perdida para aqueles do Leste está Valimar!
Adeus! Talvez hajas de encontrar Valimar.
Talvez tu mesmo hajas de encontrá-la. Adeus!

10 de maio de 2013

As Imagens do Espaço no Filme CONTATO


Contato, do diretor Robert Zemeckis, (EUA, 1997), tendo no elenco Jodie Foster, Mathew Macnaughey e James Woods, é um filme de ficção científica. A história foi criada por Carl Sagan e Ann Druyan originalmente como um roteiro cinematográfico em 1980. Somente em 1985 foi publicado como um romance escrito por Sagan.

O enredo é baseado em pesquisas científicas sobre vida extraterrestre inteligente, das quais o próprio Sagan participou, como o SETI , criado na década de 60 por Frank Drake.

Um dos pontos altos do filme, além da interpretação de Jodie Foster, são os efeitos visuais especiais, produzidos pela mesma equipe que trabalhou com Zemeckis em Forest Gump.

Um filme pode ser abordado de muitas formas. E nenhuma delas dará conta de tudo. Escolhemos abordar Contato pela questão do espaço e sua relação com o tempo. Neste filme a idéia de espaço não remete apenas a idéias e conceitos físicos, da astronomia, da cosmologia, da teoria da relatividade geral e restrita, mas a sentimentos, valores, afetividade, memórias. Entre outras coisas, o filme trata de extraterrestres, de viagens através do universo, de representações do universo segundo as teorias físicas atuais, põe em relevo aspectos éticos, morais, psicológicos, inconscientes, dos personagens. Por isso optamos por falar do espaço de forma polissêmica. O espaço interior da personagem Ellie, sua viagem “psicológica”, seu passado, sua história de vida, seus sentimentos, sua memória. O espaço exterior, relacionado ao universo, sua viagem pelas galáxias ao encontro da forma de vida extraterrestre. E a Terra, espaço da única civilização e das únicas formas de vida que conhecemos até o momento.

O filme, portanto nos permite pensar os múltiplos sentidos que a palavra e as imagens do espaço, na tela ou na nossa (in)consciência, sugerem.

(continua...)


Clique aqui para ler a matéria completa.

3 de maio de 2013

Clarice e Chico

"Gosto dos venenos mais lentos!
Das bebidas mais fortes!
Dos cafés mais amargos!
E os delírios mais loucos.
Você pode ate me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: E daí, eu adoro voar!!
Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre.
Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração.
Não me façam ser quem não sou.
Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade.
Não sei viver de mentira.
Não sei voar de pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza, não serei a mesma pra sempre".


Clarice Lispector