25 de fevereiro de 2012

The Prestige

"Todo grande truque de mágica consiste em três atos. O primeiro ato é chamado “A Promessa”: O mágico mostra à platéia alguma coisa ordinária. Um maço de cartas, um pássaro ou um homem. Ele mostra um objeto, talvez peça que o inspecionem e vejam que é de verdade, mas que naturalmente não o é.

O segundo ato é chamado “A Virada”: O mágico transforma essa coisa ordinária em algo extraordinário. Agora, você está procurando pelo segredo, mas não o encontrará. Porque não está realmente olhando. Vocês não querem realmente saber. Vocês querem ser enganados.

Mas ainda não aplaudem, porque fazer algo desaparecer não é o suficiente. É preciso trazê-lo de volta. Por isso todo truque mágico tem um terceiro ato. A parte mais difícil. A parte que chamamos de “O Grande Truque”.

Esta é a parte das reviravoltas, onde as vidas ficam suspensas e você vê algo chocante que nunca havia visto antes...”

Cutter (Michael Caine) em “O Grande Truque”

15 de fevereiro de 2012

10 Formas Distintas de Manipulação Midiática

Noam Chomsky elaborou a lista das “10 Estratégias de Manipulação” através da mídia. Em seu livro “Armas Silenciosas para Guerras Tranqüilas”, ele faz referência a esse escrito em seu decálogo das “Estratégias de Manipulação”.

1 – A Estratégia da Distração.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças que são decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes.

A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir o público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais na área da ciência, economia, psicologia, neurobiologia ou cibernética.

“Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais” (citação do texto ‘Armas Silenciosas para Guerras Tranquilas’).

2 – Criar problemas e depois oferecer soluções.

Este método também se denomina “Problema-Reação-Solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que seja este quem exija medidas que se deseja fazer com que aceitem. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja quem demande leis de segurança e políticas de cerceamento da liberdade.

Ou também: criar uma crise econômica para fazer com que aceitem como males necessários o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3 – A Estratégia da Gradualidade.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradualmente, com conta-gotas, por anos consecutivos. Dessa maneira as condições sócio-econômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990.

Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego massivo, salários que já não asseguram rendas decentes, tantas mudanças que provocariam uma revolução se fossem aplicadas de uma vez só.

4 – A Estratégia de Diferir.

Outra maneira de fazer com que se aceite uma decisão impopular é a de apresentá-la como “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato.

Primeiro porque o esforço não é empregado imediatamente. Logo, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para se acostumar com a idéia da mudança e aceitá-la com resignação quando chegar o momento.

5 – Dirigir-se ao público como a criaturas de pouca idade.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse uma criatura de pouca idade ou um deficiente mental.

Quanto mais se pretende enganar o espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por que? “Se alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

6 – Utilizar o aspecto emocional muito mais que a reflexão.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto-curcuito na análise racional, e, finalmente, no sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou injetar ideias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos.

7 – Manter o público na ignorância e na mediocridade.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância planejada entre as classes inferiores e as classes sociais superiores seja e permaneça impossível de ser alcançada para as classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

8 – Estimular o público a ser complacente com a mediocridade.

Promover a crença do público de que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto.

9 – Reforçar a auto-culpabilidade.

Fazer crer ao indivíduo que somente ele é culpado por sua própria desgraça devido à insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, em vez de se rebelar contra o sistema econômico, o indivíduo se menospreza e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição da ação do indivíduo. E sem ação não há revolução!

10 – Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem.

No decurso dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência geraram uma crescente brecha entre os conhecimentos do público e aqueles que possuem e utilizam as elites dominantes.

Graças à biologia, à neurobiologia e a psicologia aplicada, o “sistema” desfrutou de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicológica. O sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que este conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior que o dos indivíduos sobre si mesmos.

Noam Chomsky. Filósofo, ativista, autor e analista político estadunidense. É professor emérito de Lingüística no MIT e uma das figuras mais destacadas desta ciência no século XX. Reconhecido na comunidade científica e acadêmica por seus importantes trabalhos em teoria lingüística e ciência cognitiva.

9 de fevereiro de 2012

Cultivando a Mediocridade

“Não faças nunca depender a tua felicidade de algo que não dependa de ti.”
Huberto Rohden


Meu ignoto amigo. Se quiseres ser impenitente cultor da rotina e mediocridade, guia-te pelas normas seguintes:

Antes de pensar, informa-te sempre o que deve ser pensado, a fim de não introduzir no mundo o contrabando de ideias novas.

Não penses nunca com o próprio cérebro — mas sempre com a cabeça dos outros.

Dize sempre sim quando os outros dizem sim — e não quando os outros dizem não.

Lê cada manhã, ao café, o teu jornal, para saberes o que deve ser pensado naquelas 24 horas.

Quando vier alguém com ideias novas, evita-o como um perigo social e tem-no em conta de herege e demolidor.

Não te exponhas ao perigo de fazer o que o vizinho não faz — mas lembra-te da comprovada sapiência burguesa: o seguro morreu de velho.

Sê amigo dedicado da tua tépida poltrona — e não te exponhas a vertigens de vastos horizontes.

Prefere sempre as paredes maciças dum cárcere e as grades duma gaiola às incertezas dum vôo estratosférico.

Não abras nunca portas fechadas — abre tão somente portas abertas.

Não explores caminhos novos, como os bandeirantes — anda sempre por estradas batidas e sobre trilhos previamente alinhados.

Vai sempre com o grosso do rebanho, como os bons carneiros — e não procures caminho à margem da rotina geral.

Em suma, meu insigne cultor da mediocridade: Deixa tudo como está para ver como fica.

Destarte, conservarás a saúde e a tranqüilidade dos nervos e poderás tomar, cada dia, com sossego, teu chope ou coquetel — e passar por homem de bem.

* * *

Se, porém, resolveres, um dia, sair da rotina tradicional e expor-te ao perigo mortífero dum ideal superior, então lê com atenção o que te diz um homem que conhece a vida:

Vai às margens do Ganges e pede ao mais robusto dos elefantes que te ceda a sua pele paquidérmica, para com ela revestires a tua alma.

Vai as praias do Nilo e arranca ao mais velho dos crocodilos a sua impenetrável couraça e faze dela o invólucro do teu coração.

Senta-te aos pés de mestre Zenon, rei dos Estóicos, e pede que te ensine à filosofia de ser pedra in bloco de gelo, cadáver ambulante, indiferença absoluta.

E, depois de assim encouraçares a tua alma, sai por este mundo afora e dize aos homens da honesta mediocridade que vives por um ideal que não está no estômago, nem nos nervos nem no sangue — e verás que eles te declararão guerra de morte.

Pois, deves saber, meu amigo, que o mundo não sacrifica um só ídolo por um ideal.

Desde que o mais arrojado idealista da história foi crucificado, morto e sepultado — são todos os idealistas crucificados pelos culto da mediocridade.

Nada de grande acontece no mundo sem que o mundo se revolte.

Tudo que é belo e grande — acaba fatalmente entre os braços da cruz.

É esta a gloriosa tragédia dos homens superiores.

Retirado do livro: De alma para alma

6 de fevereiro de 2012

Coisas chocantes que podemos aprender com Stephen Hawking

Para o físico de 70 anos, Deus não criou o universo e o teorema de Pitágoras não foi criado por Pitágoras

Se você não sabe quem é Stephen Hawking, meu caro, tenho a seguinte pergunta: em que mundo você vive? O cara, além de físico teórico e cosmólogo britânico, é um dos mais consagrados cientistas da geração atual. Além disso, ocupou o posto de professor lucasiano de matemática na Universidade de Cambridge (que antes era de Isaac Newton). Até aí, todos podem observá-lo como mais um na multidão de pesquisadores, não fosse por um detalhe: Hawking sofre de uma esclerose lateral amiotrófica (ELA), que o impede de fazer as atividades de que sempre gostou.

Mesmo bastante paralisado, o físico não deixou de atuar: resolveu dedicar-se à escrita. Seus principais campos de pesquisa são a cosmologia teórica e a gravidade quântica, através de obras como "Uma Breve História do Tempo: do Big Bang aos Buracos Negros" e "O Universo numa Casca de Noz".

Agora, após completar 70 anos de idade e há quase cinco sem publicar um livro, Stephen Hawking rompeu o silêncio e lançou em 2010 o título "The Grand Design" ("O Grande Projeto", que chegou ao Brasil no ano passado), em parceria com o também físico Leonard Mlodinow. O livro propõe novas perspectivas sobre o universo, que pode não ser apenas um, e sim vários. Com isso, deu-se início a uma discussão entre os cientistas sobre alguns ensinamentos da obra. Veja alguns deles nos tópicos abaixo.

Observação: o livro "O Grande Projeto" está disponível nas principais lojas de varejo do Brasil.

1. O universo criou a si mesmo

Esta foi, sem dúvida, a maior polêmica levantada por Hawking em "O Grande Projeto": a ideia de que o universo pode ter sido perfeitamente criado por si próprio, sem a necessidade da figura de Deus para explicar seu surgimento. Os dois cientistas garantem que essa hipótese é fisicamente justificável, já que o universo possa ter surgido a partir de um estado onde nada existia, ou seja, do zero. Devido a leis como gravidade, conforme eles explicam, podemos supor que as galáxias são capazes de regular seus mecanismos de forma independente.

2. Quarks nunca estão sozinhos

Os quarks, bem como os léptons, são as partículas mais básicas do universo, pois constituem a matéria. O quark é o único, dentre essas partículas, que interage através de todas as quatro forças fundamentais (gravidade, electromagnetismo, força nuclear fraca e força forte), além de dois de seus seis tipos serem formadores de prótons e neutrons. Hawking e Mlodinow sugerem que a atração entre os quarks funciona da seguinte maneira: quanto maior a distância entre dois quarks, mais cresce a força que os mantém unidos. Logo, estão sempre juntos, e não existem quarks livres na natureza.

3. O teorema de Pitágoras não é de Pitágoras

Quem estudou matemática no colégio, sabe que essa foi uma das noções mais básicas do aprendizado criada por Pitágoras acerca dos lados de um triângulo, afirmando que a² + b² = c². Contudo, Hawking e Mlodinow sugerem que não foi Pitágoras o autor dessas fórmulas sobre catetos e hipotenusas. Segundo os físicos, os antigos babilônios já aplicavam estas noções matemáticas séculos antes de Pitágoras nascer, em 570 a. C.

4. Teoria do peixe no aquário redondo

Há alguns anos, as autoridades de Monza (Itália) proibiram toda a população de criar peixes em aquários, pois era qualificado como prejudicial aos animais, que teriam uma visão distorcida da realidade devido à curvatura do vidro. Sobre isso, os físicos lançaram a seguinte questão: como é que podemos saber qual é a verdadeira visão da realidade? Como podemos garantir que não estamos nós mesmos vendo o mundo através de algo como um aquário curvo, que distorce permanentemente o que consideramos "real"?

5. Relatividade geral

Hawking e Mlodinow fizeram uma releitura de alguns pontos da velha teoria da relatividade, formulada por Albert Einstein. Ela explica como a matéria e a energia influenciam o meio e causam curvaturas no espaço-tempo (o que origina, por exemplo, a gravidade e os buracos negros). Entre outras características, a teoria afirma que o tempo flui mais lentamente quando nos aproximamos de um corpo de grande massa, como um planeta ou estrela. Na época em que a lei se espalhou pelo meio científico, ficou a ideia de que ela se aplica apenas a grandes eventos no universo, como os buracos negros, por exemplo. Porém, os físicos explicam que a lei é automaticamente levada para qualquer sistema de medição de tempo e espaço - tal como um GPS - e, sem a relatividade geral, as medições dariam resultados imprecisos por quilômetros de distância.

6. Teoria do todo

Uma teoria do todo, conforme sugere o nome, é qualquer uma que unifique todos os fenômenos físicos do universo sob um único padrão matemático. De acordo com Hawking e Mlodinow, a única teoria do todo válida para explicar nosso meio seria a Teoria M. A ideia diz que o universo seria composto de cordas que vibram em diferentes frequências e determinam as dimensões em que as galáxias se posicionam. Com essa teoria, haveria não três, mas onze dimensões existentes, o que dá origem a mais de um universo.

7. O passado é uma possibilidade

Se podemos apenas saber que uma partícula viajou de um ponto A a um ponto B, mas não observamos o caminho que ela fez para chegar ao seu destino, é possível concluir que ela, simultaneamente, fez todos os trajetos possíveis para construir a trajetória. Esse é um princípio da mecânica quântica, que explica: se qualquer evento no passado não foi observado e registrado, ele é tão indefinido quanto um evento futuro. Dessa forma, não se pode dizer que ele aconteceu de determinada maneira, e sim de todas as maneiras possíveis ao mesmo tempo. Loucura, não?

8. A força da luz

A cada segundo, uma lâmpada incandescente comum, de 1 watt, emite um quintilhão de fótons , a partícula elementar da luz. Pode-se dizer, de maneira primária, que os fótons são como pequenos pacotes dentro dos quais a luz é emitida. Os cientistas ainda investigam a fundo as propriedades de um fóton, que se comporta simultaneamente como partícula e como onda.

via olhardigital.com.br