15 de dezembro de 2015

Pato Donald e a Sequência de Fibonacci


Desenho do Pato Donald mostrando a Sequência de Fibonacci.
Posted by Universo Racionalista on Quarta, 26 de agosto de 2015

10 de dezembro de 2015

As Dez Estratégias de Manipulação das Massas de Noam Chomsky


1. A estratégia da Distração

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio, ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes.

A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir o público de interessar-se por conhecimentos essenciais, nas áreas da ciência, economia, psicologia, neurobiologia e cibernética.

“Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais“


2. Criar problemas e depois oferecer soluções

Este método também é chamado “problema-reação-solução“. Se cria um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja aceitar.

Por exemplo: Deixar que se desenvolva ou que se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas desfavoráveis à liberdade.

Ou também: Criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos. (qualquer semelhança com a atual situação do Brasil não é mera coincidência).


3. A estratégia da gradualidade

Para fazer que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Foi dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas, neoliberalismo por exemplo, foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estratégia também utilizada por Hitler e por vários líderes comunistas.  E comumente utilizada pelas grandes meios de comunicação.


4. A estratégia de diferir

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como “dolorosa e necessária“, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura.

É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente.

Depois, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “amanhã tudo irá melhorar” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia da mudança e aceitá-la com resignação quando chegue o momento.


5. Dirigir-se ao público como crianças

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse uma criança de pouca idade ou um deficiente mental.

Quanto mais se tenta enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como as de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade.”


6. Utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e finalmente no sentido crítico dos indivíduos.

Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou injetar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos.


7. Manter o público na ignorância e na mediocridade

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão.

“A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores e as classes sociais superiores seja e permaneça impossível de ser revertida por estas classes mais baixas.


8. Estimular o público a ser complacente com a mediocridade

Promover ao público a crer que é moda o ato de ser estúpido, vulgar e inculto.


9. Reforçar a auto-culpabilidade

Fazer com que o indivíduo acredite que somente ele é culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, suas capacidades, ou de seus esforços.

Assim, no lugar de se rebelar contra o sistema econômico, o indivíduo se auto desvaloriza e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de sua ação. E, sem ação, não há questionamento!


10. Conhecer aos indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem

No transcurso dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado uma crescente brecha entre os conhecimentos do público e aqueles possuídos e utilizados pelas elites dominantes.

Graças à biologia, a neurobiologia a psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado sobre a psique do ser humano, tanto em sua forma física como psicologicamente.

O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior que o dos indivíduos sobre si mesmos.

fonte: yogui.co

27 de novembro de 2015

"Seja Água"




1. Aprofunde-se nos fundamentos e os demais caminhos se abrirão

“Definitivamente, no princípio, não tinha nenhuma intenção em absoluto, do que o que estava praticando, e que continuo praticando, conduzisse-me a isso, para começar. Mas as artes marciais têm um significado muito profundo até o ponto em que afetam minha vida porque, como ator, como artista marcial, como ser humano, tudo o que sei aprendi das artes marciais.”

2. Conhece-te a ti próprio

“Qualquer tipo de conhecimento significa, no fim, o conhecimento de si mesmo. Portanto, as pessoas me pedem para que lhes ensine não a defender-se ou a dar surras em alguém. O que querem é aprender a expressar-se através do movimento, seja fúria, determinação, ou o que quisermos”

3. Mantenha a harmonia entre instinto e controle

“Se você se inclina a um extremo você é muito pouco científico; se você se inclina ao outro, se transforma em um autômato, deixará de ser um ser humano”.

4. Abra a mente

“Os estilos tendem a separar as pessoas porque cada um tem sua própria doutrina e essa doutrina se converte em uma verdade inquestionável que não se pode alterar. Mas se você não tem um estilo, diz: ‘aqui estou eu, como ser humano. Como posso expressar-me plena e completamente?’ Dessa forma não se cria um estilo, porque o estilo é uma cristalização. Dessa forma se entra em um processo de crescimento contínuo”

5. Domine a arte de se expressar

“Para mim, a arte marcial consiste em expressar a mim mesmo honestamente, e isso é difícil. Para mim seria muito fácil montar um espetáculo, fingir, inundar-me dessa sensação, me fazer de durão e tudo isso. Ou poderia fazer toda sorte de coisas falsas e deslumbrar com elas. Ou poderia ensinar movimentos muito floridos. Mas conseguir expressar-se honestamente, sem mentir para mim mesmo, expressar-se com toda sinceridade… isso, meu amigo, é muito difícil de fazer. E você tem que treinar. Tem que manter os reflexos em forma para que, quando queira… já esteja lá. Quando quiser mover-se, você se move, e quando faz isso, faz com decisão. Nem uma polegada para um lado, mais ou menos. Se eu quero golpear com o punho, vou fazer isso, cara. E faço!”

6. Seja água

“Esvazie tua mente, não tenha forma, seja moldável, como a água. Se você coloca água em uma xícara, ela se transforma na xícara. Se coloca água em uma garrafa, ela se transforma na garrafa. Se a coloca em um bule, ela se transforma no bule. A água pode fluir ou pode esmagar. Seja como a água, meu amigo”

7. Não vá na onda da opinião pública

“A palavra superestrela me desanima muito porque é uma ilusão. É algo que te chama o público. Você tem que ver a si mesmo como ator, cara. Quero dizer, me sentiria muito satisfeito se alguém me dissesse: ‘cara, você é um super ator!’. Isso é muito melhor que superestrela. Não me vejo como tal.

8. Seja apenas… humano

“Sabe como eu gosto de me considerar? Um ser humano. Só um ser humano. Não quero soar como Confúcio, mas sob o firmamento, sob o céu, não há nada além de apenas uma família. O que acontece é que as pessoas são diferentes”

2 de outubro de 2015

Misty Mountain Hop


Walkin' in the park just the other day, Baby,
What do you, what do you think I saw?
Crowds of people sittin' on the grass with flowers in their hair said,
"Hey, Boy, do you wanna score?"
And you know how it is;
I really don't know what time it was, woh, oh,
So I asked them if I could stay awhile.

I didn't notice but it had got very dark and I was really,
Really out of my mind.
Just then a policeman stepped up to me and asked us said,
"Please, hey, would we care to all get in line,
Get in line."
Well you know, They asked us to stay for tea and have some fun,
Oh, oh, he said that his friends would all drop by, ooh.

Why don't you take a good look at yourself and describe what you see,
And Baby, Baby, Baby, do you like it?
There you sit, sitting spare like a book on a shelf rustin'
Ah, not trying to fight it.
You really don't care if they're coming, oh, oh,
I know that it's all a state of mind, ooh.

If you go down in the streets today, Baby, you better,
You better open your eyes.
Folk down there really don't care, really don't care, don't care, really don't
Which, which way the pressure lies,
So I've decided what I'm gonna do now.
So I'm packing my bags for the Misty Mountains
Where the spirits go now,
Over the hills where the spirits fly, ooh.
I really don't know.

Led Zeppelin IV

18 de setembro de 2015

Como convencer qualquer pessoa a fazer qualquer coisa

por Carol Castro EDITADO POR Karin Hueck


Todo mundo ao seu redor está tentando persuadir você. A marca de molho de tomate no supermercado, o político no horário gratuito, o amigo que chamou você para o bar: todos querem se dar bem à sua custa. Você mal se dá conta, mas suas escolhas (de molho, de candidato, de amigo) se apoiam em ideias pré-fabricadas - por você ou pelos outros - sobre o que é certo ou errado, bonito ou feio, gostoso ou ruim. É completamente irracional. É nesse mundo inconsciente que se esconde a chave da persuasão. O lado consciente do cérebro absorve 40 bits de informação por segundo. Já o inconsciente processa 11 milhões por segundo. Para cada neurônio que trabalha racionalmente, 10 milhões de outros estão na ativa sem você perceber. É por isso que uma simples palavra pode fazer você mudar de ideia. Quer ver? Uma pesquisa da Universidade de Nova York entregou diferentes palavras a voluntários para que formassem frases. Quem havia recebido termos que remetiam à velhice passava a caminhar mais devagar. Quando as expressões se associavam a dinheiro, as pessoas tomavam decisões mais egoístas. Isso acontece porque a mente não dá conta de decidir tudo, o tempo todo, de forma racional. Demandaria muita energia. Para ajudar nessa tarefa, o piloto automático trabalha com atalhos associativos: velhice lembra precaução e lentidão, e assim por diante. Aprenda aqui alguns corta-caminhos da mente para fazer as pessoas caírem no seu papo. (E para você não cair no papo dos outros.)

A espinha ereta

Antes de você abrir a boca, seus gestos falam por você. E influenciam inconscientemente suas decisões. "Alguns nanossegundos antes da decisão racional, você já mostra sinais - e quem está ao seu lado capta isso", explica Nick Morgan, especialista em oratória e autor do livro Power Cues, sem edição em português. Isso porque gestos demonstram emoções. Se você pedir um aumento a seu chefe enquanto estala os dedos, ele entenderá que você está nervoso. Quando sobe ao palco para uma apresentação, seu corpo entra em alerta: batimentos cardíacos aceleram, as pupilas se dilatam etc. O corpo entrega sua apreensão. "Se você sente medo, por exemplo, coloca a mão no estômago, como se estivesse pronto para a briga", conta Morgan. O mesmo vale para braços cruzados, mãos no bolso ou mãos na nuca. A solução? Gestos abertos. Ocupe o maior espaço possível para parecer maior e mais intimidador, como um animal amedrontador. Mãos na cintura e braços para cima ajudam. "Deixe os braços soltos e separados em qualquer situação. Isso irá mostrar abertura para o diálogo", complementa. Você também pode se aproveitar do que diz o corpo das outras pessoas. Se seu parceiro, por exemplo, der um passo para trás enquanto você tenta negociar o próximo destino das férias, é melhor mudar o andamento da conversa. "Quando confiamos e as coisas vão bem, nós nos mantemos perto. Afastamento é um mau sinal", diz Morgan. Outro gesto que funciona é copiar o tom de voz e o ritmo da fala da outra pessoa (funciona com gestos também). Não tenha vergonha: imite mesmo. Se ele tiver o costume de terminar as frases com um "né?", abrace o "né?" você também. Ele vai enxergar em você alguém que pensa parecido e ficar mais aberto para o diálogo.

Me ajuda a te ajudar

Reciprocidade. As pessoas tendem a retribuir o tratamento que recebem. O comportamento é uma herança do passado, de uma época em que a colaboração era essencial para a sobrevivência. Nossos ancestrais só sobreviveram porque se agruparam em sociedades nas quais a troca de favores era rotina (uns cuidavam da caça, outros da agricultura, outros da segurança e por aí vai). Bebês de três meses já têm um primitivo senso de justiça e preferem pessoas que fizeram favores. Ou seja, se quiser algo de alguém, seja generoso também. Mas nunca cobre pelo passado ("Pô, chefe não vai me liberar hoje? Fiquei sexta até às oito da noite aqui!"). Negociações funcionam melhor quando envolvem trocas futuras. "Quando você valoriza as pessoas, é mais fácil persuadi-las", conta Stuart Diamond, professor da Universidade da Pensilvânia. Em certa ocasião, ele precisou de um favor da atendente do guichê de uma companhia aérea, que não parecia disposta a ajudar. Estava claramente cansada e mal-humorada. Diamond percebeu que nenhum dos clientes se importava com a mulher. Aproximou-se e perguntou se ela estava bem. "Ela sabia que eu queria um favor. Mas só eu parei 10 segundos para perguntar como ela se sentia", conta. Ele conseguiu o que queria.

Infle egos

Pessoas adoram ser coerentes e fazem de tudo para não se contradizer. Basta analisar as discussões políticas nessas últimas eleições: no momento mais ferrenho de embate, poucos eleitores já decididos conseguiam ver os pontos positivos do candidato adversário e as deficiências do presidenciável escolhido. Mudar de opinião pareceria incoerente, o que é associado a pessoas fracas ou hipócritas. Já a coerência está ligada à inteligência e pessoas de índole forte. Mas há um jeito de fazer qualquer um mudar de ideia. Basta começar com ideias simples. Ou pedidos pequenos. E criar compromissos. Pesquisadores da Califórnia conseguiram jogar com a busca por coerência e usá-la favoravelmente. Eles pediram a alguns moradores permissão para instalar em frente à casa deles um grande painel publicitário sobre segurança no trânsito. Quase ninguém topou. Tentaram então uma tática diferente. Pediram, primeiro, para que os cidadãos assinassem um abaixo-assinado a favor da manutenção do embelezamento da Califórnia. Duas semanas depois, retornaram e pediram a permissão para o tal painel. O resultado surpreendeu: as chances de conseguir instalar o outdoor cresciam significativamente após terem participado do abaixo-assinado. A petição criou um compromisso: apesar do out-door em si não deixar o estado da Califórnia mais belo, ele refletia o compromisso das pessoas como cidadãos. No abaixo-assinado, as pessoas haviam mudado sua auto-imagem para melhor , como cidadãos com espírito público, que colaboram com as causas da cidade. Então instalar um painel em frente à casa passou a fazer sentido.

Papagueie

Quantas vezes você não comprou algo sem muita vontade, tipo uma cocada na praia, só por ter simpatizado com o vendedor? "As pessoas preferem dizer sim a solicitações se elas gostam de você. Não há surpresa nisso", diz Robert Cialdini, especialista em persuasão. Segundo pesquisa da Universidade da Pensilvânia, menos de 10% dos negócios fechados têm a ver com conteúdo. Mais de 50% têm a ver com vínculo e confiança. Mas como criar esses vínculos? A resposta é fuçar bastante até encontrar pontos de semelhança. Qualquer gosto ou história parecidos vale: uma cidade em comum, a praia preferida, ideologia política, um hobby, religião, um tipo de música. Na década de 1970, quando havia uma clara divisão de estilos entre a galera hippie e os caretas, pesquisadores andaram pelas universidades com roupas parecidas a uma dessas tribos. E paravam alunos para pedir uma moeda para fazer um telefonema. Quando aluno e pesquisador compartilhavam o mesmo estilo visual, o pedido era atendido em mais de dois terços das vezes. Quando isso não acontecia, menos da metade dos alunos dava a moeda. É o que psicólogos chamam de efeito halo. Você, inconscientemente, passa a gostar de (quase) tudo que envolve aquela pessoa. Como faltam dados suficientes para julgar de verdade um produto ou uma pessoa, a mente se apega a um atributo positivo e conclui que todo o resto também é bom.

Todo mundo leu isso

Use e abuse da opinião pública favorável. Sabe aquela ideia de que a fila significa que a balada está boa? É sua mente cortando caminho na opinião da maioria: há uma ideia pronta no inconsciente de que quando a maioria apoia uma ideia é porque ela faz sentido. Também vem dos tempos da sobrevivência: se você visse a sua tribo inteira correndo em pânico, provavelmente havia algum predador vindo em sua direção. É o efeito manada. Assim, quanto mais gente você puder levar para o seu lado, melhor. Por exemplo: ao negociar a escolha do filme do cinema, você pode jogar com os dados de público - "Ah, a estreia atraiu tantos milhões de pessoas no mundo todo!" Ou citar os amigos que já viram. Seguimos a manada com mais afinco quando ela vem junto da opinião de uma autoridade no assunto. "Pessoas serão mais persuadidas quando virem que você tem conhecimento e credibilidade no tema", diz Cialdini. É o que revistas tentam ao buscar fontes renomadas, como estas citados aqui. Funcionou para você? 


fonte: http://super.abril.com.br/comportamento/como-convencer-qualquer-pessoa-a-fazer-qualquer-coisa?utm_source=redesabril_jovem&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_super 

21 de abril de 2015

A Garantia de Uma Boa Colheita


"O Reino que Devemos Buscar Está no Céu, e o Caminho Para Chegar Lá é Interno"

Escolher o caminho da verdade implica enfrentar uma série de desafios. A maior dificuldade é interna. Alguns setores da personalidade lutarão pela sua sobrevivência.

As ideias e as imagens que o buscador constrói acerca de si mesmo são entidades vivas. Quando elas se sentem ameaçadas dão luta. Uma visão honesta sobre nós próprios é muitas vezes dolorosa. Veremos erros e defeitos que tentamos esconder ao longo da nossa existência e, com coragem, aceitaremos a impureza dos outros como sendo também nossa.

O caminho da sabedoria exige constantes exercícios de humildade e desapego do peregrino. A vivência espiritual não corresponde a um mar de rosas como tantos desinformados desejam. Acordar para a realidade do ser é, como a literatura teosófica destaca, nascer de novo. E todo nascimento implica uma dose de sofrimento.

A primeira respiração é dolorosa para o bebê mas, ao mesmo tempo que ocorre o sofrimento, o recém-nascido é acolhido com amor por um novo mundo. Também aquele que nasce para dimensões mais elevadas da vida sofre e é acolhido pelo eu superior, que o guia, ama, protege e educa. À medida que o peregrino entra no mundo divino, ele transcende a dor. Como diz o ditado popular, o que arde cura. E Helena Blavatsky escreveu:

“Toda árvore tem sua sombra; cada sofrimento, sua alegria.” [1]

Podemos sofrer enquanto nos vamos conhecendo com mais profundidade. No entanto, esse tipo de dor é bem diferente daquela que ocorre quando estamos distantes do eu espiritual. Aquele que é insensível para o princípio divino da vida tem no sofrimento um objeto de culto. Aquele que desperta tem no cosmo inteiro o objeto de sua adoração, e dessa forma torna-se maior do que qualquer dor. Sua alma passa a buscar alimento no céu e com isso ele conhece a alegria e a compaixão.

As dificuldades continuarão a existir. Ele se sentirá muitas vezes remando contra a maré, mas isso é um teste para a sua capacidade de agir. Navegar no oceano da vida pode ser surpreendente e quando o buscador está pronto surge a corrente luminosa que o ajuda a avançar e a servir com entusiasmo e eficácia.

A sociedade atual ainda não sabe acolher os que pensam de uma forma diferente da maioria. Os solitários são chamados por alguns de “antissociais”. Os que ignoram os bens materiais, são vistos como “irresponsáveis”. Os que sonham e se esforçam por criar um mundo melhor, são chamados de “infantis” pelos desinformados. Nem todos percebem que no silêncio da solidão nunca se está realmente só. O reino que devemos buscar está no céu e o caminho para chegar lá é interno. A pureza e a alegria das crianças são condições que devemos recuperar. Sonhar é um estágio inicial de toda vivência. Bernard Shaw escreveu:

“O homem razoável adapta-se ao mundo: o não razoável persiste em fazer o mundo adaptar-se a ele. Portanto, todo progresso depende do homem que não é razoável.” [2]

O avanço da humanidade surge do esforço dos pioneiros, daqueles que abrem um caminho novo e tentam revelar que o destino de todos é a paz, a bondade e o contentamento. Os que entram em conformidade com a maioria materialista não podem gerar mudança e progresso. A fricção entre velhos paradigmas e novas formas de olhar para o mundo e de agir nele é um dos movimentos que faz a humanidade progredir.

O peregrino que se esforça por construir uma sociedade justa e honesta sofre muitas injustiças. A própria família e os amigos muitas vezes olharão para ele como um fracassado e ingênuo. De fato, ele não conhecerá o êxito no modelo materialista adotado pela sociedade atual. Nem ele busca esse tipo de sucesso. O peregrino focado em plantar o novo futuro é indiferente a comentários e a visões negativas que os outros possam ter em relação a si. Como Carlos Cardoso Aveline escreveu:

“A coisa correta a fazer é concentrar-nos na ação correta e perseverar. (…) O conforto pessoal deve ser deixado de lado para que a ação solidária aconteça.” [3]

A concentração no plantio é uma das garantias para a boa colheita. A bondade não está em fazer o que os outros esperam que seja feito. Ser solidário implica ouvir a voz da consciência e respeitá-la, fazer o que é correto em todas as situações da vida, nunca desistir de seguir a Mente-Coração e lançar em todos os terrenos as sementes do Amor-Sabedoria.

A força daqueles que temem a mudança não derrubará os que tentam transformar o mundo. Os pioneiros da nova era agem a partir do centro altruísta, o coração. Sua energia é ilimitada, sua criatividade é imensa. Seu poder está na ajuda mútua e seu destino é vencer.


NOTAS:

[1] Do texto “Preceitos e Axiomas do Oriente - 1”, de Helena P. Blavatsky. O artigo está disponível em www.HelenaBlavatsky.net , www.FilosofiaEsoterica.com e seus websites associados.

[2] Palavras citadas na obra “Conversas na Biblioteca”, de Carlos Cardoso Aveline, Edifurb, Blumenau, SC, Brasil, 2007, 169 pp., p.123.

[3] Reproduzido do artigo “Comentários à Escada de Ouro”, de Carlos Cardoso Aveline. O artigo está em www.FilosofiaEsoterica.com e seus websites associados.


Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.