20 de outubro de 2013

Os 10 Melhores Vídeos Motivacionais

Você está precisando de incentivos para seguir em frente? Aqui estão algumas palavras de inspiração que podem ajudar
Estar pronto para uma grande tarefa não é apenas ligar um interruptor interno. Muitas vezes, é preciso um certo impulso extra, um pouco de inspiração ou um lembrete de que o fracasso não é uma opção.
Se você precisa de algum incentivo para isso, separamos os 10 melhores vídeos para motivá-lo e fazer com que você comece a semana ciente do que precisa fazer para chegar onde quer chegar.

#10. Por que caímos

A dor é temporária. Ela pode durar 1 minuto, 1 hora ou 1 dia. Ou pode durar até mesmo 1 ano. Mas, eventualmente ela vai diminuir, e outra coisa tomará o seu lugar.
No entanto, se você desistir, a dor vai durar pra sempre.


#9. A definição de um campeão

Em algum momento, você vai enfrentar seus medos e admitir que não há problema em falhar. Você sabe que ficará tudo bem. Mas, o verdadeiro fracasso está em evitar o confronto ou desafio.


#8. Um dos melhores

Se você nunca falhou, você nunca viveu.


#7. Persiga o seu sonho

A grandeza não é uma característica maravilhosa e esotérica semelhante a um Deus em que nenhum de nós vai provar. É algo que realmente existe dentro de cada um de nós.


#6. Eu sou o primeiro, não o segundo

- Toc, toc.
- Quem é?
- O cara que ficou em segundo lugar.
- O cara que ficou em que?
- Exatamente.
As pessoas não se lembram dos segundos colocados.


#5. Levante-se e brilhe

Você está no seu caminho, mas agora não é hora de se debruçar sobre de onde viemos. Você está em luta com um adversário que não pode ver, mas que sabe que ele está lá.
Sabem quem é o seu adversário? Você mesmo. Seus medos, suas dúvidas e seguranças alinhadas como um pelotão de fuzilamento pronto para atirar em você.


#4. Seja destemido

Não importa o quão boa é a sua ideia ou quanto trabalho você está disposto a realizar, sempre haverão assassinos para o seu sonho.
Sempre vão existir aquelas pessoas que dizem que isso ou aquilo não pode ser feito. Mas o único que pode provar que você está certo ou errado é você mesmo.


#3. Steve Jobs: se hoje fosse o último dia da minha vida

Nos últimos 33 anos eu me olhei no espelho todas as manhãs e me perguntei: se hoje fosse o último dia da minha vida, eu ia querer fazer o que estou fazendo hoje?
E sempre que a resposta tem sido não por muitos dias seguidos, eu sabia que precisava de uma mudança.


#2. Quão grande eu sou

O melhor momento de qualquer homem, o maior cumprimento de tudo o que ele tem de mais valioso é o momento em que ele trabalha com o coração em uma boa causa, e mesmo exausto continua se sentindo vitorioso.


#1. Qual é o seu propósito?

Faça a sua escolha.



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Este artigo foi adaptado do original, “The 10 Best Motivational Videos On YouTube That Will Inspire You Beyond Belief”, do Elite Daily.

fonte: www.jornaldoempreendedor.com.br

8 de julho de 2013

O enigma dos 4 livros

por Texto José Francisco Botelho
  
Em um monastério medieval, um homem está escrevendo. Seus instrumentos: um pergaminho de pele de ovelha e uma pluma. O resultado de seu trabalho será um objeto único e precioso, um tesouro digno de ser guardado a sete chaves e contemplado com espanto e admiração por gerações de estudiosos. Um livro.

Essa cena se repetiu inúmeras vezes ao longo dos séculos. Nos primórdios, em vez de pergaminhos usava-se argila ou tábuas de madeira com cera. No lugar da pluma, um estilete. Mas o resultado era o mesmo: uma obra literária de personalidade única. A realidade mudou apenas em 1498, quando o alemão Johannes Gutenberg inventou o tipo móvel. Mudou, mas pouco. As obras surgidas na infância da tipografia estavam longe de ser itens populares. Eram vendidas por fortunas a aristocratas bibliófilos e ricos membros da Igreja.

Foi apenas no século 19, após a Revolução Industrial, que o livro se incorporou ao dia-a-dia. Antes disso, durante milênios e milênios, cada livro era considerado uma relíquia. Não é por acaso, portanto, que algumas obras mantenham até hoje a aura de mistério. A SUPER tirou da estante esses livros misteriosos, excêntricos e cheios de segredos.

1. Os Livros do Destino

Eram os últimos anos do século 6 a.C. quando uma viajante entrou pelos portões de Roma e pediu uma audiência com Tarquínio, governante da cidade. A estrangeira trazia 9 livros que continham “revelações divinas”. Pediu 300 peças de ouro pelo lote, provavelmente escrito em folhas de palmeira ou papiro, já que não havia pergaminhos na época. Tarquínio recusou. Irritada, a desconhecida queimou 3 livros e ofereceu os restantes pelo mesmo preço. Proposta negada, ela destruiu outras 3 obras e repetiu a pedida. Impressionado, Tarquínio consultou seus sacerdotes e comprou os livros sobreviventes. Em seguida encerrou os volumes numa cripta subterrânea sob o Templo de Júpiter Capitolino – o mais importante da cidade.

Esse relato foi narrado por diversos historiadores antigos. Lactâncio, que viveu no século 3 d.C., afirmou que a desconhecida era Sibila de Cumas, sacerdotisa do deus Apolo, que tinha o dom da clarividência. Seus livros estariam repletos de profecias. Hoje, sabe-se que a maior parte da história não passa de lenda. O que não resolve o mistério. Por exemplo: havia, de fato, uma coleção de obras misteriosas nos subterrâneos do Templo de Júpiter. Era conhecida como Libri Fatales, os “Livros do Destino”, ou Libri Sibillini, os “Livros da Sibila”.

Escritos em grego, os volumes só podiam ser manuseados por sacerdotes conhecidos como quindecemviri, ou “os quinze homens”, e sob ordem expressa do Senado. Revelar seu conteúdo rendia a pena de morte. Os livros eram consultados sempre que uma calamidade se aproximava. Interpretando os versos, os sacerdotes encontravam a solução para o problema e prescreviam construções de templos, orações ou sacrifícios humanos. A enigmática coleção foi destruída em 83 a.C., quando o Templo de Júpiter ardeu em chamas. De seu conteúdo, restaram apenas alguns poucos versos.

A origem dos Libri até hoje intriga historiadores. Para o francês Raymond Bloch, as obras foram escritas pelos etruscos – povo que habitava a Itália antes de Roma ser fundada – e traduzidas para o grego. Há quem opine que tudo não passava de embuste. “Os livros podem ter sido forjados pelo próprio Tarquínio, que usaria as profecias para justificar suas decisões”, escreveu a espanhola Concha de Salamanca no Dicionário del Mundo Clásico.

A história dos Libri não acabou com o incêndio do templo. Até o século 4, escritores forjaram cópias da coleção para propagandear o cristianismo: os versos traziam previsões, “escritas séculos antes do nascimento de Jesus”, que falavam sobre a vinda do Messias. As farsas circularam pela Europa durante séculos e foram reunidas num único volume pelo editor Servatius Gallaeus, na Holanda. Isso em1689.

2. Delírios de São Tomás

Um casal de gêmeos siameses é embalado por um pássaro azul gigante. Enquanto isso, dois cavaleiros cruzam lanças montados em feras monstruosas: o primeiro usa um elmo feito de raios de sol, o segundo tem 3 rostos semelhantes às fases lunares. Mais adiante, uma criança nua, com a cabeça estraçalhada, arranca pedaços do tórax e os oferece a um companheiro. Sob as asas negras de um corvo, um macaco sorridente toca violino.

Não, leitor, essas cenas não estão em um quadro de Salvador Dali. As imagens acima fazem parte dos tesouros gráficos do Aurora Consurgens – em latim, “Aurora que Surge”, escrito entre os séculos 13 e 15, um dos livros mais obscuros da Idade Média. Grande parte do seu mistério gira em torno do nome do autor. De acordo com tradições medievais, esse seria o último livro escrito por são Tomás de Aquino, um dos maiores pensadores do cristianismo.

Considerado incompreensível pela maioria dos estudiosos, Aurora pertence a um gênero há muito desaparecido: o tratado alquímico. A alquimia era uma espécie de ciência primitiva, que misturava química, filosofia, astrologia e misticismo. Seus praticantes dedicavam-se a uma tarefa digna de contos fantásticos: encontrar a fórmula da “pedra filosofal”, substância capaz de converter metais em ouro e de prolongar a vida. As imagens podem ser vistas como metáforas para os processos de transformação – um animal macho e um animal fêmea juntos, por exemplo, poderiam simbolizar a união do enxofre com o mercúrio, substâncias que os alquimistas consideravam opostas.

Durante centenas de anos, o Aurora foi uma das obras mais raras do mundo ocidental. Suas cópias limitavam-se a manuscritos esparsos. Até que no início do século 20 uma reprodução foi casualmente descoberta por um bibliófilo famoso: o psicólogo suíço Carl J. Jung, que ficou hipnotizado pelas imagens fantasmagóricas e interpretou os símbolos alquímicos do Aurora como alegorias do inconsciente humano. Jung levava a sério a versão que atribuía a obra a são Tomás. Para ele, o livro era uma transcrição das últimas palavras do filósofo, pronunciadas em seu leito de morte no mosteiro de Santa Maria della Fossa-Nuova, na Itália. A hipótese é apoiada nos relatos de alguns biógrafos que afirmam que o santo morreu em estado de perturbação mental, assombrado por delírios místicos e visões do além. “À primeira vista, o Aurora parece um texto esquizofrênico, com múltiplos sentidos divergentes”, diz Gelson Luis Roberto, presidente do Instituto Junguiano do Rio Grande do Sul. “Mas um olhar mais cuidadoso revela que, talvez, trate-se dos últimos estertores de uma mente brilhante.”

3. O Enigma de Veneza

Os livros impressos no século 15 são conhecidos como incunabula – de incunabulum, em latim, “berço” ou “princípio”. Raros, frágeis e belos, são objeto de desejo de qualquer bibliófilo. Em dezembro de 1499, chegou às estantes de Veneza um dos incunabula mais estranhos e controvertidos. A obra tem biografia tão intrigante quanto o título da capa: Hypnerotomachia Poliphili, que numa tradução aproximada do grego significa “A Luta Amorosa de Poliphilo em um Sonho”. A autoria é desconhecida – apenas o editor é conhecido: Aldus Manutius, o primeiro impressor profissional da Itália.

O Hypnerotomachia tem uma característica célebre: as magníficas ilustrações em litogravura. “O livro representa uma revolução na história da tipografia. É uma obra de arte”, diz o empresário e bibliófilo José Mindlin, um dos poucos sul-americanos que contam com um exemplar na prateleira. Mas o que fez mesmo a fama do livro é o fato de ser um dos mais complicados de todos os tempos. Escrito numa mistura de latim, italiano, grego, hebraico, árabe e imitações de hieróglifos egípcios, a narrativa mistura pesadelos sanguinolentos, aventuras intricadas e devaneios eróticos, entremeados por comentários sobre literatura, arte e música. O enredo é um labirinto: durante um sonho, Poliphilo parte em busca de sua amada, Polia, atravessando bosques, ruínas e cidades bizarras. Nesse cenário delirante, depara com deuses, ninfas e dragões. Um texto do século 16 sugeriu que a narrativa obscura e as ilustrações enigmáticas eram partes de um código alquímico. No best seller O Enigma do Quatro, publicado no Brasil em 2005, os autores tentam encontrar significados ocultos nos jogos de palavras do livro. Sobre a misteriosa identidade do autor, existem apenas pistas. Por exemplo: alinhadas, as letras iniciais de cada um dos 38 capítulos formam a frase “Poliam Frater Franciscus Colonna Peramavit” – em latim, “O irmão Francisco Colona amava Polia loucamente”. Sabe-se que na época havia dois Franciscos Colonna: um aristocrata romano e um monge dominicano – este, o maior suspeito. De acordo com os anais dominicanos, por volta de 1500 ele solicitou um empréstimo para ajudar na publicação de um livro. Na década de 1990, a estudiosa francesa Liane Lefaivre sugeriu nova hipótese: o autor seria Leon Battista Alberti, espécie de artista multimídia do Renascimento, que era pintor, músico, arquiteto, filósofo, poeta e lingüista. Com um currículo desse calibre, Alberti bem que poderia ter escrito o livro mais complicado da literatura ocidental.

4. O Doutor Fantástico

A aura de mistério que cerca os Libri Fatales ou o Aurora Consurgens é alimentada pelo anonimato. Já as Opera Omnia Paracelsi (“Obras Completas de Paracelso”) entraram para o panteão dos enigmas pelo motivo oposto: as lendas e controvérsias que cercam a figura de seu autor. O suíço Theophrastus Philipus Aureolus Bombastus, mais conhecido como Paracelso, é um dos autores mais esquisitos na história. Era médico, químico e astrólogo; baixinho, enfezado e beberrão. Viajou com uma pequena trouxa de roupa pela França, Suécia, Rússia. Há quem diga que ele foi até a China, que estudou os segredos dos sábios de Constantinopla.

Paracelso fez fama transcrevendo suas experiências. Para ele, o Universo tinha demônios, espíritos e bruxas. Magia e ciência se cruzavam. E o mundo guardava uma doutrina secreta, passada a cada geração por magos persas, sacerdotes egípcios e alquimistas medievais, que ensinava a transformar metais, prever o futuro e tratar doenças incuráveis. Os inimigos esbravejavam, mas não conseguiam resolver a contradição: parecia inexplicável que a ciência maluca de Paracelso funcionasse tão bem – ele conseguia curar mais gente do que seus críticos.

A maior parte dos seus escritos foi reunida na coleção Omnia Opera, publicada no século 16. Desde então, sua fama oscila de louco a visionário. “Ele é uma figura controvertida, no limite entre a ciência e o obscurantismo”, diz Jorge de Carvalho, antropólogo da Universidade Nacional de Brasília. Essa combinação de cientista moderno e feiticeiro medieval ainda é um enigma – e as páginas de seus tratados continuam tão intrigantes e perturbadoras quanto 5 séculos atrás.

fonte: http://super.abril.com.br

27 de junho de 2013

Afinal, o que é Inteligência?

(por Isaac Asimov)

Quando eu estava no exército, fiz um teste de aptidão, solicitado a todos os soldados, e consegui 160 pontos.

A média era 100.

Ninguém na base tinha visto uma nota dessas e durante duas horas eu fui o assunto principal.

(Não significou nada – no dia seguinte eu ainda era um soldado raso da KP – Kitchen Police)

Durante toda minha vida consegui notas como essa, o que sempre me deu uma ideia de que eu era realmente muito inteligente. E eu imaginava que as outras pessoas também achavam isso.

Porém, na verdade, será que essas notas não significam apenas que eu sou muito bom para responder um tipo específico de perguntas acadêmicas, consideradas pertinentes pelas pessoas que formularam esses testes de inteligência, e que provavelmente têm uma habilidade intelectual parecida com a minha?

Por exemplo, eu conhecia um mecânico que jamais conseguiria passar em um teste desses, acho que não chegaria a fazer 80 pontos. Portanto, sempre me considerei muito mais inteligente que ele.

Mas, quando acontecia alguma coisa com o meu carro e eu precisava de alguém para dar um jeito rápido, era ele que eu procurava. Observava como ele investigava a situação enquanto fazia seus pronunciamentos sábios e profundos, como se fossem oráculos divinos.
No fim, ele sempre consertava meu carro.

Então imagine se esses testes de inteligência fossem preparados pelo meu mecânico.

Ou por um carpinteiro, ou um fazendeiro, ou qualquer outro que não fosse um acadêmico.

Em qualquer desses testes eu comprovaria minha total ignorância e estupidez. Na verdade, seria mesmo considerado um ignorante, um estúpido.

Em um mundo onde eu não pudesse me valer do meu treinamento acadêmico ou do meu talento com as palavras e tivesse que fazer algum trabalho com as minhas mãos ou desembaraçar alguma coisa complicada eu me daria muito mal.

A minha inteligência, portanto, não é algo absoluto mas sim algo imposto como tal, por uma pequena parcela da sociedade em que vivo.

Vamos considerar o meu mecânico, mais uma vez.

Ele adorava contar piadas.

Certa vez ele levantou sua cabeça por cima do capô do meu carro e me perguntou:

“Doutor, um surdo-mudo entrou numa loja de construção para comprar uns pregos. Ele colocou dois dedos no balcão como se estivesse segurando um prego invisível e com a outra mão, imitou umas marteladas. O balconista trouxe então um martelo. Ele balançou a cabeça de um lado para o outro negativamente e apontou para os dedos no balcão. Dessa vez o balconista trouxe vários pregos, ele escolheu o tamanho que queria e foi embora. O cliente seguinte era um cego. Ele queria comprar uma tesoura. Como o senhor acha que ele fez?”

Eu levantei minha mão e “cortei o ar” com dois dedos, como uma tesoura.

“Mas você é muito burro mesmo! Ele simplesmente abriu a boca e usou a voz para pedir”

Enquanto meu mecânico gargalhava, ele ainda falou:

“Tô fazendo essa pegadinha com todos os clientes hoje.”
“E muitos caíram?” perguntei esperançoso.
“Alguns. Mas com você eu tinha certeza absoluta que ia funcionar”.
“Ah é? Por quê?”
“Porque você tem muito estudo doutor, sabia que não seria muito esperto”

E algo dentro de mim dizia que ele tinha alguma razão nisso tudo.

(tradução livre do original “What is inteligence, anyway?”)
fonte: www.updateordie.com

18 de junho de 2013

Lola e o Existencialismo

Corra, Lola, Corra” (Lola Rennt) é um filme alemão de 1998, dirigido por Tom Tywker. Conta a história de Manni, que esquece uma sacola com 100.000 marcos alemães no metrô, tendo somente 20 minutos para recuperá-la, já que pertence a um perigoso contrabandista para o qual ele está trabalhando. Desesperado, liga para sua namorada, Lola, que sai correndo pelas ruas para ajudá-lo.

Quando o filme foi lançado, além de todo o visual clubber da personagem, ainda contou com a música techno, que inclusive foi gravada pela intérprete de Lola, Franka Potente. Ele chamou atenção por mostrar três desfechos diferentes para os personagens, possibilitando uma série de interpretações por parte de quem assiste. Com essa descrição, o filme parece ser voltado para intelectuais, difícil e tudo mais. Mas não! É bem divertido de ser assistido e tem boas doses de ação.

O interessante é que, ao longo dos três desfechos, são mostradas as conseqüências de pequenos atos de Lola às pessoas a sua volta. Se ela chega um segundo mais cedo em um local, isso muda toda a vida de várias personagens. É como se cada ato pequeno, minúsculo e simples de nosso dia a dia tivesse conseqüências gigantescas na vida de todos a nossa volta. Daí surge a questão: seríamos responsáveis pelas conseqüências destes pequenos atos? Será que nossa liberdade de agir implica na responsabilidade por estes atos? Parece ser a linha de pensamento desenvolvida pelo filme.

Jean-Paul Sartre (1905-1980), filósofo francês do século XX, pai do Existencialismo, propõe uma leitura do ser humano partindo de Heidegger, Husserl, Hegel, entre outros: o ser humano como um nada que se projeta no mundo. O autor propõe que não há nada que nos pré-determine, como um Deus criador, destino, inconsciente, nosso corpo, ou qualquer outra coisa. Para Sartre, somos tão livres que, mesmo que o meio em que nascemos nos leve a uma trajetória existencial, somos nós que escolhemos trilhá-la ou não. Isso faz com que sejamos completamente responsáveis por nós mesmos em todos os aspectos de nossa existência.

Poderíamos perguntar ao autor: e naqueles momentos em que não decidimos, simplesmente deixamos as coisas seguirem? Ele nos responderia: não decidir já é uma escolha, portanto você é plenamente responsável por ela e por todas as suas conseqüências. Ao tratar, por exemplo, de uma pessoa covarde, ele diria que ela é covarde por escolher ser assim. Não foi o meio, os pais, o corpo, a sociedade, ou o que mais seja, que o tornou o que ele é. Você só é um covarde por escolher ser um covarde.

É dentro desta perspectiva, de que somos seres vazios que passamos a existir, e então nos projetamos através de nossas escolhas existenciais, que surge sua famosa frase: “A existência precede a existência”. Isso quer dizer que primeiro surgimos no mundo, depois definimos aquilo que realmente somos. O que vai implicar em “o homem está condenado a ser livre”, já que não há meios de se fugir dessa liberdade. Isso levou o autor a compreender a existência como angústia, por sermos fadados a liberdade, e como a náusea, que é a sensação advinda dessa liberdade e responsabilidade existencial.

Sartre foi criticado com o argumento de que, se somos fadados a sermos livres, sendo de nossa própria responsabilidade cada um de nossos atos, não haveria responsabilidade nas relações com outros humanos. Seria como projetar a existência tendo somente o horizonte da própria individualidade, desconsiderando os outros indivíduos. Sartre nega esse argumento: “quando dizemos que o homem é responsável por si próprio, não queremos dizer que o homem é responsável pela sua restrita individualidade, mas é responsável por todos os homens”. Como nossas escolhas refletem-se nos outros, ou por incluí-los, ou pelo fato de estarmos todos inseridos num mundo comum, então somos condenados a assumir a responsabilidade por cada uma de nossas escolhas, das menores às mais complexas.

Pensemos em algo simples, como a relação de um casal dentro da perspectiva de Sartre. São as grandes escolhas e atos que determinam o caminhar da relação, ou são as pequenas coisas do dia a dia que vão acumulando-se e gerando a própria relação? O conflito de casais não advém da responsabilidade individual de cada pequena ação, como um gesto, um olhar, uma palavra, e cada um é plenamente responsável por ele? Não é essa tônica que encaminha uma discussão em casal? Por estas e outras coisas que a perspectiva sartreana o levará a dizer que o “inferno são os outros”, já que o peso de nossa responsabilidade com o outro é angustiante e nauseante.

Imaginemos nossa responsabilidade individual num esbarrão ao caminhar ou uma distração causada à outra pessoa. O que isso pode gerar na vida do outro? O filme trabalha com essa perspectiva sem a angústia nauseante com que Sartre trata do tema, mas permite-nos refletir o quanto cada pequeno ato nosso influi no mundo, e sobre nossa responsabilidade sobre esse ato. Apesar de não ser exatamente sartreano, ele nos permite compreender melhor a maneira como Sartre vê a responsabilidade individual e a relação com os outros. Recomendo assisti-lo, se divertir e depois refletir um pouco.

Fontes de aprofundamento: O Existencialismo é um Humanismo, Jean-Paul Sartre.
Fonte: randomcast.com.br/nerdices-filosoficas-corra-lola-corra-e-o-existencialismo/

5 de junho de 2013

Eu Creio

Eu creio em mim mesmo. Creio nos que trabalham comigo, creio nos meus amigos e creio na minha família. Creio que Deus me emprestará tudo que necessito para triunfar, contanto que eu me esforce para alcançar com meios lícitos e honestos. Creio nas orações e nunca fecharei meus olhos para dormir, sem pedir antes a devida orientação a fim de ser paciente com os outros e tolerante com os que não acreditam no que eu acredito. Creio que o triunfo é resultado de esforço inteligente, que não depende da sorte, da magia, de amigos, companheiros duvidosos ou de meu chefe. Creio que tirarei da vida exatamente o que nela colocar. Serei cauteloso quando tratar os outros, como quero que eles sejam comigo. Não caluniarei aqueles que não gosto. Não diminuirei meu trabalho por ver que os outros o fazem. Prestarei o melhor serviço de que sou capaz, porque jurei a mim mesmo triunfar na vida, e sei que o triunfo é sempre resultado do esforço consciente e eficaz. Finalmente, perdoarei os que me ofendem, porque compreendo que às vezes ofendo os outros e necessito de perdão.

Mahatma Gandhi

14 de maio de 2013

O Lamento de Galadriel

Se você conhece minimamente a obra de J. R. R. Tolkien, o que eu acho muito provável, já deve ter ouvido falar que o cara inventou idiomas inteiros para cada criatura fantástica presente na Terra Média. Uma dessas línguas, possivelmente a mais famosa, é o quenya, um dos idiomas élficos.

Quando Tolkien criou o vocabulário, alfabeto e tudo mais para que os elfos da história pudessem conversar, ele aproveitou para escrever algumas obras literárias em élfico. Afinal, por que desperdiçar um idioma inteiro só com diálogos, né?

Uma dessas peças literárias é o poema “Namárië” (Adeus), também conhecido como “O Lamento de Galadriel”. O poema é o maior texto escrito nessa língua e figura na coleção “The Road Goes Ever On”, uma reunião de canções folclóricas que são entoadas em vários cantos da Terra Média.

Bem, como Tolkien já tinha criado um idioma e escrito obras completas nele, nada mais lógico que recitar a própria poesia. E foi isso mesmo que ele fez. No vídeo abaixo, você ouve o pai de Frodo falando em quenya. Dá até pra imaginar um audiobook da Trilogia do Anel toda em élfico. Ouve aí...


Ficou curioso para saber como seria o texto escrito do poema? Dê uma olhada na primeira estrofe em tengwar e tehtar, os caracteres do alfabeto élfico.

A tradução aproximada para o português ficaria "mais ou menos" assim:

Ah! Como ouro caem as folhas ao vento,
Longos anos inumeráveis como as asas das árvores!
Os longos anos se passaram como goles rápidos do doce hidromel
Em salões altos além do oeste,
Sob as abóbadas azuis de Varda
Onde as estrelas tremem na canção
De sua voz de Santa e Rainha.
Quem agora há de encher-me a taça outra vez?
Pois agora a Inflamadora, Varda, a Rainha das Estrelas,
do Monte Semprebranco, ergueu suas mãos como nuvens
E todos os caminhos mergulharam fundo nas trevas;
E de uma terra cinzenta a escuridão se deita
sobre as ondas espumantes entre nós
E a névoa cobre as jóias de Calacirya para sempre.
Agora perdida, perdida para aqueles do Leste está Valimar!
Adeus! Talvez hajas de encontrar Valimar.
Talvez tu mesmo hajas de encontrá-la. Adeus!

10 de maio de 2013

As Imagens do Espaço no Filme CONTATO


Contato, do diretor Robert Zemeckis, (EUA, 1997), tendo no elenco Jodie Foster, Mathew Macnaughey e James Woods, é um filme de ficção científica. A história foi criada por Carl Sagan e Ann Druyan originalmente como um roteiro cinematográfico em 1980. Somente em 1985 foi publicado como um romance escrito por Sagan.

O enredo é baseado em pesquisas científicas sobre vida extraterrestre inteligente, das quais o próprio Sagan participou, como o SETI , criado na década de 60 por Frank Drake.

Um dos pontos altos do filme, além da interpretação de Jodie Foster, são os efeitos visuais especiais, produzidos pela mesma equipe que trabalhou com Zemeckis em Forest Gump.

Um filme pode ser abordado de muitas formas. E nenhuma delas dará conta de tudo. Escolhemos abordar Contato pela questão do espaço e sua relação com o tempo. Neste filme a idéia de espaço não remete apenas a idéias e conceitos físicos, da astronomia, da cosmologia, da teoria da relatividade geral e restrita, mas a sentimentos, valores, afetividade, memórias. Entre outras coisas, o filme trata de extraterrestres, de viagens através do universo, de representações do universo segundo as teorias físicas atuais, põe em relevo aspectos éticos, morais, psicológicos, inconscientes, dos personagens. Por isso optamos por falar do espaço de forma polissêmica. O espaço interior da personagem Ellie, sua viagem “psicológica”, seu passado, sua história de vida, seus sentimentos, sua memória. O espaço exterior, relacionado ao universo, sua viagem pelas galáxias ao encontro da forma de vida extraterrestre. E a Terra, espaço da única civilização e das únicas formas de vida que conhecemos até o momento.

O filme, portanto nos permite pensar os múltiplos sentidos que a palavra e as imagens do espaço, na tela ou na nossa (in)consciência, sugerem.

(continua...)


Clique aqui para ler a matéria completa.

3 de maio de 2013

Clarice e Chico

"Gosto dos venenos mais lentos!
Das bebidas mais fortes!
Dos cafés mais amargos!
E os delírios mais loucos.
Você pode ate me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: E daí, eu adoro voar!!
Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre.
Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração.
Não me façam ser quem não sou.
Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade.
Não sei viver de mentira.
Não sei voar de pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza, não serei a mesma pra sempre".


Clarice Lispector

6 de abril de 2013

Não custa nada Lembrar...

Um dia você vai aprender que nem todo mundo que te elogia quer teu bem e que nem todo aquele que te critica quer teu mal. Vai entender que aqueles que te odeiam muitas vezes o fazem por desejarem estar no seu lugar.

Vai perceber que a bondade não está apenas nas palavras, mas principalmente nos atos. Que solidariedade é diferente de caridade que é diferente de exibicionismo. Que espiritualidade não precisa de religião.

Vai aprender que um amor não se molda, se vive. Que só fazem conosco o que permitimos. Que perdoar não é esquecer e sim aceitar as desculpas e deixar que a ferida cicatrize sem precisar mostrá-la. Contudo aprenderá que insistir no erro é escolha.

Que ser determinado é diferente de ser inconveniente. Que ter disciplina é fundamental para desfrutar da liberdade. Que ninguém é totalmente bom e nem totalmente mau.

Vai perceber que todo mundo tem um preço, mas que nem todos estão a venda. Vai notar que aquele que muito se faz de humilde não sabe o que de fato seja humildade. Que quem muito ostenta é porque pouco tem para mostrar. Que maturidade é olhar para si sem ignorar o outro. É aceitar também que os estejam próximos tenham diversos defeitos assim como nós e que a amizade está em conviver com isso sem deixar de celebrar as qualidades.

Um dia você aprenderá que os jornais mentem. Que a televisão está a serviço apenas dos comerciais, que a vida das celebridades não é realmente como na revista e que todo mundo solta pum.

Que ler ajuda a escrever, que o mundo não começou no dia que você nasceu, que existem pessoas com conhecimento e outras apenas com informação.

Vai notar que sabedoria é mais do que ter cultura e que tem mais gente culta do que Sábia. Que ser inteligente é diferente de ser esperto, e que para ser esperto não é preciso enganar os outros.

Vai notar que há quem fale bonito e não tenha nada a dizer e há quem não saiba conjugar um verbo corretamente mas consiga expressar o que é preciso, na hora em que é preciso.

Vai perceber que é preciso ouvir, mas que ficar sempre calado é omissão.

Poder ser que entenda que liberdade de expressão não significa agredir sem consequências, que democracia só existe onde todos que façam parte dela tenham consciência do que seja uma democracia e que o Estado não está nos fazendo favor. Nós pagamos impostos.

Vai notar que numa sociedade somos sócios e que existem problemas que são comuns a todos nós e que se não nos unirmos para resolvê-los mais cedo ou mais tarde eles nos atingirão.

Vai descobrir que o atraso na educação facilita a manipulação das massas. Que autoridades não gostam de ser questionadas. Que tem muita gente que trabalha para manter a calamidade sem saber e ainda acha graça e faz piada disso.

Vai entender que existe limite para tudo e que para saber qual será o seu limite terá que ultrapassá-lo, contudo tendo consciência de que existem consequências e algumas sem volta. Que é no equilíbrio que se encontra a harmonia e que para chegar a este estágio será preciso bem mais do que apenas citá-lo.

Entenderá que é mais interessante nos ver brigando uns com os outros do que unidos em prol do crescimento coletivo. Que nos dividiram por classes, cor, credo e raças porque fica mais simples de controlar.

Um dia você vai aprender que tem tanta coisa para aprender por aqui e que essa é nossa função nessa existência que então perceberá o quão pequeno é perto do universo que existe ao redor. E quando tiveres a consciência de que tudo que acontece na sua vida seja fruto apenas de suas escolhas, então não apontarás mais o dedo para culpar ninguém pelo que não conquistou. E muito menos colocará a responsabilidade da sua felicidade em outro que não em ti mesmo.

Que cada um usa as armas que tem, mas que é preciso responsabilidade e respeito aos que estão próximo para que estas armas não sejam usadas para prejudicar os outros e consequentemente a você. Que todos temos um dom, uma capacidade e o direito de optar por ser apenas mais um ou deixar sua própria história marcada.

Nesse dia você aprenderá, que ainda não sabe de nada.

Então começará uma nova busca...

Tico Santa Cruz

6 de março de 2013

O Poder do Magnetismo - Um Caminho Para Obter Paz e Confiança

por Carlos Cardoso Aveline
Foi a partir da província de Magnésia, na Grécia clássica, que o mundo ocidental começou a falar de fenômenos magnéticos - e desde então não parou mais.  Ali, 600 anos antes da era cristã, as pessoas perceberam que certas pedras tinham a misteriosa propriedade de atrair metais. Batizadas de magnetitas, as pedras magnéticas transformaram-se em atração em todo o mundo antigo. Certos sábios consideravam que elas tinham poderes curativos e efeitos milagrosos.   

É claro que, desde então, o conceito de magnetismo mudou radicalmente. Já não se trata apenas de um efeito de atração limitado, produzido por pedras feitas de óxidos de ferro e que constituem ímãs naturais.  Sabe-se hoje que o magnetismo é um fenômeno literalmente onipresente: está atuante no espaço diminuto de cada átomo do universo, mas rege ao mesmo tempo o funcionamento de vastas galáxias.  No mundo especificamente humano, há um magnetismo sutil que influencia as emoções e os pensamentos, e tem relação direta até com as nossas motivações mais secretas. 

Sem dúvida, é magnética a força dos elétrons que giram em torno do núcleo de cada átomo. Além disso, toda luz é uma onda eletromagnética, e isso significa que, se não houvesse magnetismo, os sóis e estrelas da nossa galáxia se apagariam. A própria Terra é um grande circuito magnético e faz parte de conexões magnéticas ainda maiores. Em nosso planeta, animais como as pombas, as lagostas e as tartarugas marinhas têm a habilidade de entrar em contato com o campo magnético terrestre e de orientar-se por esse meio em suas longas viagens.  Helena Blavatsky escreveu no século 19:

“A Terra é um corpo magnético. De fato, muitos cientistas constataram que ela é um enorme ímã, como Paracelso afirmou há cerca de 300 anos. A Terra está carregada com uma espécie de eletricidade - chamemo-la positiva - que ela produz continuamente por uma ação espontânea em seu interior ou centro de movimento. Os corpos humanos, assim como todas as outras formas de matéria, estão carregados com a forma oposta de eletricidade - negativa.”[1]

Naturalmente, o magnetismo vai muito além do plano físico. A realidade tem  níveis variados de sutileza e densidade, e há vários tipos de magnetismo para cada um deles.  Existe um magnetismo vital, por exemplo, e quando ele está concentrado e harmonizado temos boa saúde, mas quando o desperdiçamos ficamos vulneráveis.

Há um magnetismo emocional, e por isso certas pessoas exercem atração tão poderosa sobre outras. Há um magnetismo mental, e nesse plano as pessoas são inspiradas por idéias, ou lançam pensamentos cujo poder magnético atrai milhões.

O magnetismo próprio do plano espiritual  é o mais sutil e, também, o mais durável. Armados apenas com a energia impessoal do seu ensinamento elevado, os grandes sábios e pensadores da história da humanidade têm sido capazes de imantar e magnetizar corações e mentes durante milênios, colocando-os no caminho da auto-libertação. 

O poder magnético da alma imortal, quando desperto, purifica todos os níveis de magnetismo da aura individual, eleva o foco de consciência até o plano da vida eterna e influencia e acelera, ao mesmo tempo, o despertar de outros indivíduos. Por isso não importa a quantidade de magnetismo que alguém possui. Interessa saber se o magnetismo é correto e elevado, ou se é nocivo. Um egoísta só cria mais problemas para si e para os outros se tiver o seu magnetismo intensificado. Por outro lado, o magnetismo da sabedoria e da verdade geralmente provoca alguns obstáculos de curto prazo, porque deve desafiar as rotinas de ilusão organizada, mas produz efeitos benéficos a médio e longo prazo. Embora o magnetismo compatível com a verdade e a ética cresça muitas vezes devagar e com dificuldades, é o único que deve ser buscado intensamente. Ele pode ser encontrado em todos os níveis de consciência e ação. Ele conecta e dá coerência aos diferentes aspectos da vida.

O processo do magnetismo está ligado a um certo alinhamento das energias sutis. A ciência convencional ensina que as substâncias ferromagnéticas, isto é, sensíveis à ação de um ímã, têm diferentes grupos de átomos, chamados domínios. Dentro de cada domínio, os pólos dos átomos apontam para o mesmo lado, mas, normalmente, os diferentes domínios apontam para diferentes lados. Desse modo, suas forças magnéticas anulam umas às outras, e o objeto de ferro ou níquel que eles compõem não tem poder magnético. Porém, quando o objeto é colocado em contato com um ímã, os diferentes domínios ou grupos de átomos passam a apontar todos para a mesma direção - e, graças a esse alinhamento, o objeto todo adquire propriedades magnéticas. O sistema vital e emocional de uma pessoa funciona de modo semelhante.

O cidadão que não tem uma vontade forte alimenta desejos que apontam para lados e objetivos diferentes e contraditórios entre si.  Assim, seus desejos anulam uns aos outros. O resultado disso é uma pessoa sem rumo certo, cuja dispersão magnética provoca uma perda de energia vital. Mas o cidadão magnético tem seus diferentes domínios - que reúnem os “átomos” físicos, emocionais e mentais - apontando na mesma direção. Por isso ele tem o poder de atrair para si, com força proporcional, uma certa sabedoria. Um grupo humano internamente harmonizado terá o mesmo potencial, mas com energia aumentada. Este último fato é decisivo para estudantes de filosofia esotérica, porém deve-se ter presente que harmonia interna inclui a diversidade externa, e que a uniformidade total extingue a vida magnética. Vida implica movimento.  

O cosmo coloca à disposição de todos uma energia inesgotável. Poucos sabem captá-la. O caminho magnético correto consiste em desejar coisas coerentes e adequadas, aceitando com humildade as dificuldades e os desafios. Conforme a atitude do indivíduo diante da vida, o seu poder magnético aumentará ou se reduzirá.  Não havendo vigilância, ele pode ficar preso a situações que apenas atrasam o aprendizado da arte de viver.  

O magnetismo na aura do indivíduo se acumula em torno do desejo, da vontade e dos hábitos. O caminho espiritual é uma série de passos pelos quais o indivíduo troca situações magnéticas inferiores por situações magnéticas superiores. Devido à força magnética automática dos hábitos, não é suficiente saber o que é certo e o que é  errado. O estudante deve examinar também se não está subconscientemente identificado com o magnetismo da  ilusão. Isso pode ocorrer mesmo depois de reconhecer a ilusão como tal  em sua consciência pensante. Robert Crosbie escreveu:

“Ninguém que vê o seu erro  é um caso perdido.   No momento em que vemos que estamos iludidos, neste momento já não estamos iludidos, embora ainda estejamos rodeados pelas consequências da ilusão  e tenhamos que abrir caminho através delas. Todos os obstáculos e dificuldades vêm da auto-identificação com a ilusão e os erros; esta é a ilusão das ilusões.”[2]

Além de ver o que é verdadeiro e falso, é necessário renunciar ativamente ao que é falso, optando pelo verdadeiro. E  isso nem sempre é fácil, porque requer o desenvolvimento magnético da vontade própria.


Quando respiramos ar puro e mantemos contato com a luz do sol, por exemplo, aumentamos e elevamos nosso magnetismo vital. A respiração curta e apressada é antimagnética, mas a respiração profunda aumenta a força pessoal. Exercícios diários de respiração, feitos ao ar livre, recarregam o organismo com prana, a força vital do cosmo. Caminhar pela natureza sem preocupações expande a vitalidade. Os exercícios físicos moderados oxigenam o corpo todo e são magnetizantes. As pessoas naturalmente magnéticas alimentam-se corretamente, não comem em excesso, trabalham com gosto e dedicação e agem com calma.

O magnetismo emocional superior aumenta quando as pessoas mantêm sentimentos elevados, evitam discórdia e praticam o desapego. A boa vontade para com todos é uma prática eficaz. Se alguém manifesta inveja e procura desprezar o seu trabalho, a pessoa magnética deixa clara a sua independência em relação a esses jogos mentais, mas não produz rancor dentro de si. Quando conhecemos nosso valor, sabemos inspirar respeito sem necessidade de agredir, e reconhecemos o que há de bom nos outros.  “Viva e deixe viver” - este lema faz bem ao equilíbrio magnético de todo ser humano.

No plano mental, os indivíduos magnéticos concentram-se serena e profundamente em suas metas. Eles têm a capacidade de olhar para cada aspecto da vida desde diferentes pontos de vista. É saudável escolher temas filosóficos como objeto de estudo e leitura. Naturalmente, um  ser magnético evita discussões mesquinhas porque sabe que idéias e opiniões fixas são fontes de perda energética. Sua mente está naturalmente colocada a serviço do bem através de ações construtivas.  Ele tem um pensamento ágil, capaz de revisar constantemente suas premissas.

A presença do magnetismo espiritual faz com que as metas pessoais egoístas sejam abandonadas. Para quem possui essa força, é natural meditar diariamente sobre a verdade universal presente no centro de todas as coisas e no ponto central do seu próprio coração. Nesse contexto, o indivíduo tem interesse por investigar o que há além do pensamento. Ele obtém o que busca concentrando-se no vazio central da Lei do Equilíbrio [3], que dirige silenciosamente tanto a sua própria consciência como a consciência do universo. Assim o estudante deixa de querer coisas agradáveis apenas para si próprio ou no curto prazo. A partir deste momento, tanto o seu sofrimento como a sua felicidade são diferentes das formas de felicidade e sofrimento que se encontra no mundo convencional.  Tal indivíduo pode fazer um ato de sacrifício, ao combater os mecanismos pelos quais se perpetua a ignorância ética e espiritual da humanidade. Assim, atrairá um grau de sofrimento para o seu eu inferior. Porém, na mesma medida, estará aumentando o magnetismo abençoado que caracteriza o plano do eu superior.

Todos os aspectos da vida estão interconectados. Quando se reúne magnetismo positivo em um determinado domínio, isso torna mais fácil preservar magnetismo nos outros aspectos.

É verdade que uma pessoa pode ter uma boa quantidade de magnetismo em determinado domínio da vida e ao mesmo tempo sofrer perdas energéticas importantes em outras áreas.  Para quem trilha o caminho teosófico, esse é o processo de testes e provação.  Apesar dos desafios, os seres magnéticos semeiam sentimentos de boa vontade na relação com colegas, amigos, familiares e conhecidos. Ninguém vive isolado, e o que se planta, se colherá. Esta lei funciona inclusive no plano do pensamento. Sem dúvida, em muitos casos a boa ou má colheita pode ficar para a próxima encarnação. É fato também que esta lei não funciona de modo mecânico, nem simplório, linear ou previsível.  Mas a perfeição com que ela opera costuma ser infalível, como se pode constatar através dos inúmeros aspectos e processos em que o seu funcionamento é observável..   

Um dos fatores mais importantes da vida magnética de todo indivíduo sábio é a capacidade de não desejar intensamente coisa alguma no plano egoísta e pessoal de curto prazo.

A ausência de desejos confusos permite reunir energia sutil. A presença de uma vontade nobre, constante e elevada é imprescindível para ter  contato com a fonte da energia superior. Consciente disso, o indivíduo magnético renuncia aos desejos por objetos de pequena importância.  Ele aceita o vazio no plano das coisas secundárias, porque concentrou seu interesse no que considera principal. Ele deixa de lado a busca de prazer imediato e assim é capaz de agir movido por uma intenção impessoalmente justa.  

Eliphas Levi escreveu:

“O prazer é um inimigo que deve fatalmente tornar-se nosso escravo ou nosso senhor. Para possuí-lo é preciso combater e para gozá-lo é preciso tê-lo vencido. O prazer é um escravo encantador, porém, um senhor cruel, implacável e assassino. Ele cansa, esgota e mata aqueles a quem domina,  depois de ter enganado todos os seus desejos e traído todas as suas esperanças”.[4]

Cada cidadão produz e guarda seu próprio magnetismo através das escolhas práticas que faz.  A vontade média exercida por uma pessoa gera uma corrente magnética correspondente, que envolve e anima o seu corpo. A prática de exercícios físicos faz bem à saúde porque acumula vontade saudável nos músculos e em cada tecido do organismo.  Posturas de ioga, exercícios de artes marciais, a prática da natação, caminhadas ao ar livre ou mesmo andar de bicicleta  são  meios de obter e concentrar vitalidade e magnetismo físico. Mas tudo o que se pensa, se quer e se faz nos planos mais sutis também reúne magnetismo correspondente nos diferentes planos ou domínios da vida.  Portanto, a produção de bom magnetismo depende da formação de bons hábitos. 

Os costumes de uma pessoa funcionam como pequenas centrais elétricas que geram sua energia própria. Seja através de uma hidrelétrica ou de um catavento, a eletricidade convencional é reunida por uma série de movimentos mecânicos repetidos, cuja energia é retida e transformada. Do mesmo modo, uma certa energia magnética é acumulada com a repetição das nossas pequenas atitudes costumeiras na vida diária, sejam elas físicas, emocionais ou mentais. A energia gerada por nossos hábitos talvez pareça pequena, mas isso não é verdade. Trinta minutos de estudo e contemplação diários podem fazer muita diferença depois de alguns meses. Quarenta minutos de leitura meditativa por dia são suficientes para mudar uma vida, se levarem ao fortalecimento de uma vontade espiritual associada a discernimento e bom senso.

Os hábitos fortalecem os desejos, definem o caráter e estabelecem a visão que se tem da vida. A ruptura das rotinas inúteis funciona como uma barragem que interrompe o curso de um rio de águas barrentas - e produz uma energia elétrica valiosa.

Ao ficar imóvel durante algum tempo examinando verdades universais, um fluxo antes irreprimível de hábitos físicos e emocionais dispersivos passa a ser represado, produzindo magnetismo superior.

Quando estudamos teosofia original ou filosofia clássica, não permitimos que nenhum pensamento de ordem pessoal ou dispersiva domine nossa consciência. Fazemos com que os pensamentos se concentrem uma e outra vez em um tema sagrado e abstrato livremente escolhido por nós.  Aos poucos, esta postura se amplia para as 24 horas do dia, e a energia mecânica dos hábitos de pensamento é transformada em uma força eletromagnética purificada. Esta  elevação constante da consciência gera Vontade espiritual e reduz gradualmente a força dos antigos hábitos de pensamento e emoção. O velho fluxo de energias gastas inconscientemente é cada vez mais transmutado, e deste modo passamos a ter mais força disponível para cada iniciativa nossa. Ganhamos uma presença mais forte e mais magnética diante dos eventos e situações da vida. Desativamos o envolvimento pessoal em situações de curto prazo, e geramos magnetismo espiritual, em torno dos temas e das realidades do eu superior. 


O cérebro humano é uma estação central de conexões eletromagnéticas. Seu potencial é ilimitado. A energia que passa por ele ganha força e clareza à medida que adquirimos experiência e alguma sabedoria.

O silêncio mental, a renúncia às diferentes formas de cobiça e medo,  os pensamentos corretos e uma polarização da nossa consciência em torno de fatos positivos e de realidades abrangentes são, todas, decisões e escolhas voluntárias.

Essas possibilidades estão ao nosso alcance. Elas servem para libertar-nos do sofrimento psicológico. Espírito crítico é fundamental, mas não devemos ser arrastados por ele. É oportuno colocar mais ênfase na construção do que é correto do que na destruição do que é errado. A crítica franca é importante,  porque limpa o terreno sobre o qual se pretende construir. Mas devemos ser mais duros com nós mesmos do que com os outros, já que a principal construção é, sempre, a auto-construção. Toda crítica que não tenha em vista a construção do que é correto constitui uma perda e um vazamento de energia magnética. A lei da conservação da energia é a mesma lei da conservação de magnetismo.

Quando a energia vital do indivíduo está polarizada em torno do que é bom,  verdadeiro e durável, nascem a confiança em si mesmo, a confiança nos outros, e a confiança na vida. Surge então o poder do entusiasmo. Uma energia sincera e solidária faz com que tudo valha a pena. O coração humano se torna simultaneamente humilde e imenso, e nele a felicidade se torna incondicional.    


NOTAS:
[1] “Ísis Sem Véu”, de Helena P. Blavatsky, obra em quatro volumes, Ed. Pensamento, SP. Ver volume I, p. 81.
[2] “The Friendly Philosopher”, Robert Crosbie, Theosophy Co., Los Angeles, 1945, 416 pp., p. 147.
[3] “Vazio central da Lei do Equilíbrio”: o fiel da balança, o eixo simétrico da vida, o “centro laya” na filosofia oriental.
[4]  “Grande Arcano”, de Eliphas Levi,Ed. Pensamento, SP, 247 pp., ver p. 97.

Uma versão inicial do artigo acima foi publicada na edição de agosto de 2003 da revista  “Planeta”, de São Paulo.

fonte: www.filosofiaesoterica.com

1 de fevereiro de 2013

John Malkovich


POR TULLIO DIAS

A MAIORIA DAS PESSOAS JÁ SE SENTIU INSATISFEITA COM O RUMO DE SUAS VIDAS. Seja no emprego ou num relacionamento familiar/amoroso, é comum fantasiar como seria viver uma vida completamente diferente. Ser uma pessoa rica, bonita, bem sucedida. Ou pelo menos se sentir reconhecido e amado por pelo menos 15 minutos. O roteirista Charlie Kaufman explorou esse conceito de uma maneira muito original em Quero Ser John Malkovich, longa-metragem de estreia de Spike Jonze.

No filme lançado em 1999, e estrelado por John Cusack, Cameron Diaz, Catherine Keener, e pelo próprio John Malkovich, os personagens descobrem um portal que leva a pessoa diretamente para o inconsciente de Malkovich. Toda a experiência dura no máximo 15 minutos, mas é o suficiente para cada um sentir como é ser alguém com um propósito definido, com uma profissão consolidada, alguém que já encontrou o seu lugar no mundo. E isso mexe demais com a cabeça do trio principal, especialmente Cusack e Diaz, que ficam apaixonados pela provocante personagem de Keener.

A personificação dos personagens é brilhante. Craig (Cusack) é o retrato perfeito de um homem fracassado. Seus cabelos compridos e bagunçados, sua barba mal feita, as roupas amassadas, e a expressão de que o mundo nunca lhe deu chance alguma de ser feliz. Só isso explicaria o fato dele ser casado com Lotte (Diaz, que está quase irreconhecível), uma baranga maluca que transformou a casa em um zoológico. Lotte é a versão feminina do desleixo de Craig: seus cabelos selvagens deixariam a menina da animação Valente (2012), feliz de saber que não está sozinha. Todo o lar do casal é deprimente, deixando a dúvida de como é que essas duas pessoas ficaram tão acomodadas ao ponto de serem incapazes de dar um basta na relação. Já Maxine (Keener) surge como uma inescrupulosa mulher que faz questão de pisar em cima de Craig e despertar o calor sexual adormecido de Lotte. Sabem aquela coisa da teoria Pedestáltica? O bobão sempre se apaixona pela pessoa errada. Maxine é a pessoa que está acima de Lotte e Craig. Ela mexe com a cabeça do casal (com direito a uma cena muito engraçada, quando os dois tentam ataca-la ao mesmo tempo), mas por boa parte do filme deixa de pensar especialmente no seu próprio bem estar. Malkovich é o títere de carne (Podcast Cinema em Cena feelings) que deixa o roteiro redondinho.

O script de Kaufman não se preocupa em explicar de verdade a origem do portal. Em determinado momento um dos personagens secundários revela algumas informações, mas nada conclusivo. Uma decisão acertada, pois deixa no ar o mistério non-sense e ainda dá a pista para explicar o destino de Craig (uma eterna vítima do amor não correspondido). Pouco importa a origem real do andar 7/2 ou de como é possível existir um portal capaz de levar uma pessoa para dentro da cabeça de outra: Quero Ser John Malkovich é uma história sobre pessoas infelizes e perdidas em suas vidas, sem saber quem são. A viagem para o insconsciente do ator é apenas um mero detalhe para algo maior.

A bela introdução com o show dos títeres de Craig deixa evidente a vontade do personagem em ter uma vida diferente e usufruir de carinho e reconhecimento na carreira. Ele imagina os aplausos, a atenção, a chance de ser desejado. O próprio título dá pistas sobre o enredo, mas Jonze faz questão de deixar o espectador ciente disso desde o começo. Infelizmente, momentos depois o roteiro repete a ideia de uma maneira pouco sutil, praticamente jogando na cara do público sobre o que é o filme.

Quero Ser John Malkovich marcou o belo começo da carreira de Jonze no cinema, cujo nome era mais conhecido no universo dos videoclipes. Ele dirigiu “Praise You” e “Wheapon of Choice”, do Fatboy Slim; “Oh, It`s So Quiet”, da Bjork; vários vídeos do Beastie Boys; e mais recentemente trabalhou com os canadenses do Arcade Fire no curta-metragem The Suburbs. Ao lado de Kaufman, o cineasta criou uma obra única e que evolui a cada revisitação e convida o espectador a refletir sobre a sua própria identidade. Sem dúvida, um dos filmes indispensáveis da década de 90.

www.cinemadebuteco.com.br