18 de dezembro de 2008

Cinco Mentes Para o Futuro

Abaixo o QI - quociente de inteligência. Viva a inteligência múltipla. Os critérios para determinar se alguém é inteligente ou não mudam radicalmente. Howard Gardner, o papa da mente múltipla, aponta as características que, a partir de agora, irão diferenciar um gênio de um parvo. Na nova configuração que aos poucos assumem o mundo e a sociedade, esses novos padrões de inteligência irão determinar quem terá sucesso e alcançará a realização, e quem será excluído.

A mente sintética - É a que possui maior habilidade para coletar informações oriundas de diversas fontes e as sintetizar de maneira original e sensata.
A mente disciplinada - É a mais "clássica". Acolhe os estímulos que recebe e consegue individuar um campo particular no qual eles podem ser aplicados.
A mente criativa - Cultiva novas idéias e formula perguntas insólitas, obtendo respostas inesperadas. Esta capacidade apenas pode ser alcançada após o desenvolvimento da mente disciplinada e da mente sintética.
A mente respeitosa - É um modo de pensar que aceita as diferenças entre os indivíduos, se esforça para compreender os outros e colaborar com eles. É cada vez mais necessária em tempos de globalização.
A mente ética - Procura compreender as características e os objetivos do trabalho ou ação aos quais ela se dedica. Avalia as necessidades e desejos relativos a esse trabalho ou ação, buscando ir mais além dos simples interesses pessoais.
O século 21 pertencerá às pessoas capazes de pensar de modo múltiplo. Quem não conseguir desenvolver essa capacidade está destinado a sucumbir - profissionalmente e socialmente - num mundo onde a informação é superabundante, no qual, para se fazer a escolha justa, é necessário deixar-se guiar pela capacidade de síntese ou por uma intuição bem treinada.
Quem afirma isso não é um visionário qualquer. É Howard Gardner, o professor da Harvard University (EUA) que, há 20 anos, desmontou a idéia até então largamente aceita de que existia um único modo - o quociente de inteligência, QI - para medir a capacidade do cérebro humano. Por conta disso, Gardner ganhou um lugar fixo na lista dos cem intelectuais mais influentes do mundo, anualmente compilada pela revista Prospect.
Gardner acaba de lançar um livro que está fazendo furor em todo o mundo: Cinco Mentes Para o Futuro (Editora Artmed). Nele, o autor desenvolve a teoria de que, para se sobreviver no mundo atual, é necessário ser rigoroso e criativo ao mesmo tempo. A primeira das cinco abordagens mentais examinadas pelo professor norte-americano é a da "mente disciplinada", a mais clássica entre elas, a mente que recolhe as várias informações e estímulos recebidos ao longo do tempo e depois as dirige e põe em prática num campo particular de atividade, exatamente o campo em que essa pessoa se distingue.
Logo após, vem a "mente sintética", essencial na época da internet e da profusão dos canais de notícias: quem possui esse tipo de impostação mental coleta as informações, as seleciona e sintetiza de maneira original. A "mente criativa", que vem em seguida, é aquela que cultiva novas idéias e é capaz de formular perguntas insólitas e de obter respostas inesperadas.
A seqüência continua com duas abordagens que Gardner define "não opções, mas sim necessidades" nos dias de hoje: a "mente respeitosa" - a maneira de pensar de quem aceita as diferenças, se esforça para compreender os outros e colaborar.
Por fim, vem a "mente ética", aquela que avalia as necessidades e os desejos da sociedade global, buscando atingir objetivos que vão além dos interesses pessoais. "Estou certo de que existem outros aspectos além desses, e que seria importante estudá- los, - explica o autor - mas esses cinco são aqueles que merecem ser enfatizados nos dias atuais."
"Os primeiros três tipos - mente disciplinada, mente sintética e mente criativa - formam uma seqüência lógica, cada uma delas constrói a sucessiva e são todas de natureza cognitiva. As outras duas - a mente respeitosa e a mente ética - estão relacionadas com as relações humanas, que são particularmente importantes num mundo onde, potencialmente, cada um de nós pode entrar em contato com todos os outros."
"Todas essas capacidades podem ser desenvolvidas desde os primeiros anos da infância. Respeito e ética, para dizer a verdade, são necessidades e não opções. No que diz respeito às outras três, cada um de nós pode ser bom num tipo particular de mente, mas é sempre possível trabalhar para desenvolver os demais. É importante que os pais conduzam seus filhos no cultivo de todas essas abordagens, para que eles possam escolher, depois, em qual delas querem colocar mais ênfase."
Em seu livro, Gardner explica as razões que o levaram a escolher essas cinco abordagens como fundamentais: "O mundo do futuro, com os seus mecanismos de busca, robôs e outros recursos informáticos, exigirá de nós a posse de capacidades que até agora eram apenas opcionais: para responder a essa solicitação, é preciso que comecemos a cultivá-las desde já."

O recado destina-se especialmente aos professores e aos pais, mas vale para todos aqueles que pretendam, a partir de agora, escapar da mediocridade em termos de capacidade mental para se distinguir em algum setor do conhecimento humano em todas as áreas.

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