18 de agosto de 2011

Ciberespaço: A Fronteira entre o Real e o Virtual

Por: Ricardo Murer

A fronteira entre o real e o virtual não mais existe.

“O universo virtual é mais concreto do que se supõe. Ele existe ao redor de nós, como um monstro ou um anjo, dependendo do lado pelo qual o abordamos”
Carlos Heitor Cony, Folha de São Paulo, 10/04/2011

Afinal qual o limite, a fronteira entre real e virtual? Onde começa a realidade e termina o ciberespaço? Máquinas computacionais, micro-processadas, conectadas, trocando de mensagens entre si estão por toda parte. A computação pervasiva, invasiva ou consentida.

Infovias com bilhões de bits circulam pela mesma sala onde você agora, neste momento, está lendo este artigo, ele mesmo uma matriz de pixels organizada numa tela digital, cuja origem está a centenas, talvez milhares de quilômetros de você.

Um hipertexto, guardado não em arquivos de uma biblioteca, mas em servidores de dados distribuídos em rede. A rede hoje chamada de Cloud, a nuvem. Nada mais apropriado do que imaginar uma nuvem, a qual possui nenhuma e todas as formas, algo transitório, com a potência de uma tempestade e a suavidade de uma chuva fina de verão.

Bits são como gotas de chuva, movendo-se em todas as direções, essencialmente não lineares. Não é mais possível distinguir o virtual do lugar onde você está. O outro lado do espelho, o mundo de Alice agora é parte da sua realidade.

Observe, analise seu dia e você irá perceber que o ciberespaço ocupa o mesmo espaço do real, numa única arquitetura de textos, imagens, músicas e sensações. É realidade aumentada, Kinect hacks, biochips, 3G, o neuro-headset da Emotiv e milhões de telas touch-screen. Este novo estado de coisas inaugura o fim das interfaces, da intermediação homem-máquina. Neste novo território, átomos e bits coexistem, não vivemos mais o tempo da sociedade da informação, somos nós mesmos a informação.

Não tenho dúvidas que este é o exato momento de parar e refletir. Ao nos deslocarmos para os livros fora das bibliotecas, as aulas sem mestres, o amor-sexo virtual e as religiões sem as luzes da reflexão, não podemos fazê-lo sem discernimento, sem a devida experiência, sem um mentor.

No oceano da informação digital é preciso saber navegar, estar com a mente clara e aberta para não se deixar levar pelo canto das sereias. Se o mundo real está repleto de hostilidade, violência e desilusão, as areias e praias virtuais representam um perigo ainda maior, porque não é possível saber onde estão as armadilhas, tudo se move, tudo é aparência, arquiteturas binárias, sempre distantes e intangíveis.

Como bem escreveu Cony, “O universo virtual é mais concreto do que se supõe”. O ciberespaço é aqui, agora, onde você está. O que vamos fazer com o universo neutro das informações digitais, depende em última instância de uma camada acima, chamada sabedoria.

[Webinsider]

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