8 de março de 2009

Os Filhos de Abraão

"(...) As pesquisas de opinião confirmam sistematicamente que a maioria dos cristãos, judeus e muçulmanos de hoje não está ciente das mesmas raízes que suas religiões compartilham através de Abraão, o patriarca de todas as três religiões e o fundador do monoteísmo. Ironicamente, de acordo com o livro do Gênesis, Deus tinha enviado Abraão numa missão para curar as divisões entre os homens. Sua mensagem era que, considerando as diferentes línguas ou culturas, toda a humanidade deveria ser parte de uma única família, diante de um único Deus que sustenta toda a Criação. De alguma forma, essa mensagem foi sublime foi subvertida. (...) A mulher de Abraão, Sara, não conseguiu ter filhos e, portanto, ele tomou uma segunda esposa, sua empregada árabe, Hagar, que lhe deu um filho que chamaram Ismael. Treze anos depois, Sara consegue ter um filho, Isaac. Abraão morre, Sara expulsa Hagar e Ismael, e a raça semítica é dividida entre árabes e judeus. (...) As coisas só se perverteram quando as pessoas começaram a discutir as palavras de Abraão seriam a representação mais verdadeira da tradição de Deus. A fé judaica tomou suas crenças de seu profeta, Moisés, cuja linhagem os judeus remontam a Isaac e Abraão. Algumas centenas de anos depois, Jesus, um profeta judeu, surge com um novo conjunto de crenças, sua versão da religião de Abraão. Mais uma centena de anos depois, outro homem, Maomé, se apresenta, alegando que é ele, de fato, o verdadeiro mensageiro de Deus, não os dois primeiros charlatões, e promete uma volta às revelações fundamentais de Abraão, dessa vez, conforme reconstituído através de Ismael, e nasce o Islamismo. Não admira que os lideres cristãos da época considerassem o Islã uma heresia cristã e não uma religião nova ou diferente. E depois que Maomé morreu, o próprio Islã se divide em duas grandes seitas, os xiitas e os sunitas, por causa de uma luta pela sucessão, pelo direito do poder. E assim vai, continuamente. Desatino humano da pior espécie. Portanto, temos os cristãos tratando com superioridade os judeus, considerando-os seguidores de uma revelação antiga e incompleta dos desejos de Deus; os muçulmanos ridicularizando os cristãos de uma maneira bem parecida, embora eles também reverenciem Jesus, mas somente como um mensageiro obsoleto de Deus, não como seu filho. É tão patético. Sabia que os muçulmanos devotos abençoam Abraão 17 vezes ao dia? A Haj – a peregrinação a Meca, um dever sagrado de todo muçulmano - milhões deles enfrentando brandamente o calor causticante, bem como a possibilidade de ser pisoteado até a morte, sabe do que se trata? Estão comemorando o fato de Deus poupar Ismael, o filho de Abrão! Você só precisa ir a Hebron para ver como a coisa tornou-se absurda. Árabes e judeus ainda se matam em torno do pedaço de terra mais ardorosamente disputado no planeta, tudo porque é supostamente o túmulo de Abraão, uma pequena gruta que tem áreas de visualização separadas e isoladas para cada grupo. Abraão, se ele realmente existiu, deve estar se revirando no túmulo ao pensar nos seus descendentes briguentos, intolerantes e de espírito mesquinho. E ainda falam de famílias disfuncionais..."
trecho do livro: O Último Templário
de Raymond Khoury

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