2 de dezembro de 2009

A Ilusão do Sofrimento

Grande parte da dor do ser humano é desnecessária. É criada pela própria pessoa enquanto a mente inobservada controlar a sua vida.
A dor que o leitor gera agora é sempre uma forma de não-aceitação, uma forma de resistência inconsciente ao que é. Ao nível do pensamento, a resistência é um certo tipo de juízo. Ao nível emocional, é um certo tipo de negativismo. A intensidade da dor depende do grau de resistência ao momento presente que, por sua vez, depende da força com que o leitor se identifica com a mente. Esta procura sempre negar e fugir do Agora. Por outras palavras, quanto mais o leitor se identificar com a mente, mais sofre.
Pratique primeiro, conforme lhe disse, com as pequenas coisas.
O alarme do carro, o ladrar do cão, os gritos das crianças, o engarrafamento. Em lugar de ter uma parede de resistência por dentro, que é atingida constante e dolorosamente por coisas que "não deviam estar a acontecer", deixe que tudo passe através de si. Alguém lhe diz algo rude ou com intenção de o magoar. Em vez de entrar numa reação inconsciente ou em negativismos, por exemplo com ataques, defesas ou recuos, deixe que passe imediatamente através de si. Não ofereça resistência.
É como se não existisse ninguém a quem magoar. Isso é perdão. Deste modo, o leitor torna-se invulnerável.
Ao nível do Ser, todo o sofrimento é reconhecido como uma ilusão. O sofrimento deve-se à identificação com a forma. Os milagres de cura acontecem através desta percepção, ao despertarem a consciência do Ser nos outros... se estiverem preparados para isso. A misericórdia é a consciência de um elo profundo entre o leitor e todas as criaturas.
Na próxima vez que disser "não tenho nada a ver com esta pessoa", lembre-se de que têm muito em comum: dentro de alguns anos (dois anos ou setenta anos, não faz grande diferença) tornar-se-ão os dois cadáveres em decomposição, depois pó e a seguir nada de nada.

excertos de "O Poder do Agora" de Eckhart Tolle.

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