26 de outubro de 2010

Estratégia

por Leonardo Dias
O delinear das ideias é chave para o atingimento das metas. Estultícia de quem ignora o fato de que o planejamento nada mais é do que um pensamento modelado, plástico, que ao irromper das forças elementares, torna-se algo palpável, concebível, mensurável. A palavra estratégia tem origem militar, Strategos era o posto mais alto do exército grego. No mundo ocidental, portanto, sempre que se traça uma estratégia, já fica associado no inconsciente a algo quase que militarizado, como uma grande operação, com hierarquias e funções de acordo com o tecido social bem definidas.

A costura de uma boa estratégia não está apenas nas mãos dos homens do campo que a executam, como também na do mandante de tudo, que a tudo dirige. E, de fato, muitos fogem da estratégia definida pela direção, ainda que pareça executar o que lhe mandou o alto comando. Portanto, para ser bem executada, a estratégia deve ser conhecida por todas as pontas de comandos, o que, por sua vez, para ser possível, exige toda uma rede de comunicação e uma linguagem clara.

O objetivo da estratégia é a conquista. A glória e a vitória são fundamentais, e não há beleza sem elas. A estratégia nem sempre é misericordiosa, mas para vencer precisa ter força, sabedoria e inteligência. A força é para usar quando for preciso. A sabedoria, é para saber quando não usar a força. E a inteligência é para usar a força no momento e local devido.

O homem, dotado do equilíbrio de tais emanações, pode ser o general de seu exército, o líder de sua corporação ou o mestre de seu destino. Conhecedor da Arte de construir destinos, o estrategista desdenha do impossível e admite que sempre há uma possibilidade. O grande estrategista vence batalhas sem que se derrame uma única gota de sangue, enquanto o estrategista perfeito entende que o sangue e o suor que deixou no caminho é que deixarão novamente fértil o campo de batalha.

Há quem siga as estratégias alheias e há quem persista em estratégias erradas mesmo sabendo. Ambos os caminhos estão vazios de liberdade. O homem livre delineia suas estratégias com desenhos claros e símbolos precisos, que o auxiliarão no atingir de suas metas. Enquanto o homem escravo de sua própria inconsciência vai se ver absolvido apenas após a própria morte, de tanta falta de fé e de esperança que vive um coração sem amor. Por isso o verdadeiro estrategista ama não apenas a si mesmo e ao próximo, como também ao inimigo, pois sabe que depende dele para que as batalhas façam sentido e para que possam vencer a Luz, singular, no meio de tantas trevas.

Conclui-se que a melhor estratégia é sempre a da Verdade. O buscador que tanto a persegue reconhece que tal objetivo, ainda que seja um fardo, é o que mais longe vai nos levar na viagem para dentro de nós mesmos. A melhor estratégia é a de conhecer a si mesmo para fazer despertar todos os dons e potências virtuosas que estão encerradas e bloqueadas por nós. O livre árbitro dos destinos diz: "Eu Sou" e, com isso, transcente o presente, o passado, o futuro para poder conquistar os corações alheios e direcionar corações e mentes rumo à busca da Verdade, em meio a um mundo que vive da mentira e da decepção. Eis a grande estratégia, a estratégia da retidão moral, que nos leva a um nível superior de consciência e a uma vida plana, reta e verdadeira, para a alegria dos Céus e da Terra.

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