8 de setembro de 2007

A Última Poesia

“Toque-me.
É tão fácil me deixar
Aqui sozinho com a memória
Dos dias que passei ao sol.”

Havia um homem caminhando no deserto. Ele olhava para os lados e via somente o vazio. O Sol sugava a água do seu corpo como um sanguessuga. Ele queria apenas descansar, fechar os olhos. E o homem caiu na areia...
Quando a vista do homem começou a escurecer, ele deixou escorrer a areia entre os dedos e olhando para o astro brilhante pediu: “Oh! Você que consome a minha vida, dai-me algo que me faça viver de novo, ou deixe-me partir para o vale das sombras.” E o homem, em seu delírio, pensou ver o Sol pousar na Terra e de seu centro brilhante surgir uma forma que caminhava em sua direção. Mas ele desfaleceu.
Alguém dava água na boca do homem e a vida lentamente começou a voltar para seu corpo. Ele abriu os olhos e o que viu deixou-lhe fascinado. Havia uma mulher na sua frente, suas mãos seguravam-lhe a cabeça enquanto dava-lhe água na boca. Ele pensou estar sonhando; ela era linda, seus cabelos eram o oceano, seus olhos estrelas e seu corpo poesia.
O homem disse: “Você é um anjo?”, mas a mulher não respondeu, apenas sorriu, e fora o sorriso mais lindo que o homem já vira em toda a sua vida.
O homem percebeu que a mulher era pura e ingênua, que ela não conhecia nada sobre os assuntos da Terra e dos outros homens. Então ele ensinou à mulher tudo o que sabia. Falou sobre os animais e as plantas, sobre o mar, sobre as cidades, sobre as pessoas boas e ruins e falou sobre o amor...
Juntos, descobriram o êxtase, os prazeres e as desilusões da vida, e se apaixonaram. Por entre promessas e juras de amor eterno, eles trilharam os caminhos da vida. Ele ajudava-a sempre que fosse preciso, dando-lhe o apoio necessário para passar pelas pedras e pelos obstáculos que surgiam pelo caminho. Ela dava-lhe forças para continuar caminhando e água quando ele tinha sede.
Mas um dia a mulher deixou de ser feliz e disse para o homem que estava cansada da Terra, que tinha saudades do céu...
E o homem viu mais uma vez o Sol descer na Terra e a mulher desaparecer no centro do globo luminoso.

O homem continuou caminhando pelo deserto.

Ele olhava para os lados e via somente o vazio.

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